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O Corvo sugere-lhe três edições portuguesas recentes de autores brasileiros. Janelas abertas sobre um imenso país.

 

Texto: Rui Lagartinho       Ilustração: Sofia Morais

 

Brasil: Uma biografia

De Lilia M. Schwracz e Heloísa M. Starling

Temas e Debates/ Círculo de Leitores

A edição original brasileira tem menos de três meses e foi um acontecimento de que ainda se fala. Lília Schwarcz e Heloísa Starling fugiram da história cronológica do Brasil, preferindo, de acordo com o historiador José Murilo de Carvalho, que escreveu a badana da obra, privilegiar temas como a formação da cidadania, o impacto da escravidão, a questão indígena, a violência, o patrimonialismo, a natureza mestiça da cultura brasileira, o canibalismo cultural e com elas escrever uma obra transversal, viva e pronta a ser discutida. Citando Tom Jobim, quando diz que o Brasil não é “para principiantes”, as autoras assumem no prefácio que o país “precisa mesmo de uma boa tradução”.

 

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A Casa das Rosas

Andréa Zamorano

Quetzal

Uma estreia auspiciosa. “A casa das Rosas” é um romance diáfano, quando as personagens o atravessam esvoaçando como fantasmas dançantes, e forte e sólido, quando é preciso partir paredes para sobreviver.

No centro está uma casa, que está no centro de uma cidade, São Paulo, que está no centro de uma história que se conta em várias décadas, sobretudo naquela dos anos oitenta do século passado em que o Brasil voltou a não ter medo. As memórias e o futuro unem-se numa ponte que é o tempo presente da narrativa, servida pelas palavras que pisam um manto de rosas.

No seu romance de estreia, Andréa Zamorano fez o gosto ao dedo. Era a altura certa para fazer estas piscadelas de olho de homenagens ternas e, por isso, convocou para “A casa das rosas” um certo Juan Garcia, poeta famoso, que pediu emprestado a Roberto Bolaño.

 

 

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1889

Como um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuíram para o fim da Monarquia e a Proclamação da República no Brasil.

Laurentino Gomes

Porto Editora

Depois de escrever sobre 1808 (ano da fuga da família real portuguesa para o Brasil) e sobre 1822 (Independência do Brasil), faltava esta data essencial da nação brasileira ser escalpelizada por Laurentino Gomes.

Informalidade e boa disposição – o título, como é hábito nos livros deste autor, é um caderno de intenções que é sempre comprido e cumprido – ao serviço do rigor dos factos e com a consciência que a História não precisa de esquecer o lado humano, fortuito e comezinho de quem a fez mudar.

 

 

  • Tuga News
    Responder

    [O Corvo] “Brasil mostra tua cara” http://t.co/53s9uXVgjo

  • João Batista Piazza
    Responder

    Há que se falar sobre escravidão aqui lá pelo inicio do século XIX.

    Aqui um excerto sobre sua pretensão breve.

    …” Nos três livros eu tratei bastante da escravidão. Quando a corte de Dom João chegou ao Rio de Janeiro, em 1808, de cada três brasileiros um era escravo. O tráfico negreiro era na época o maior negócio do Brasil e, talvez, até de Portugal, mobilizando milhares de pessoas e centenas de navios nas costas nos dois lados do Oceano Atlântico. Os homens mais ricos do Rio de Janeiro eram todos traficantes de escravos e foram os que mais deram contribuições à corte portuguesa, tanto com dinheiro quanto com apoio político. Na Independência, o Brasil rompeu os vínculos com Portugal mas manteve inalterada a situação social até então vigente. Uma tentativa de José Bonifácio de Andrada e Silva de acabar com o tráfico negreiro foi um dos motivos para o fechamento da Constituinte, em 1823.

    Ademais, segundo revelou, Laurentino , pretende começar imediatamente o seu novo projeto literário. E pode parecer um tempo longo (quatro anos) para lançar o primeiro dos três livros sobre escravidão, mas quando o escritor e jornalista comenta sobre o seu processo criativo e de pesquisa, há de se entender o motivo pelo prazo esticado.
    no site abaixo podeis ler a reportagem completa.
    http://blogs.odiario.com/wilameprado/2015/05/19/entrevistao-com-laurentino-gomes/

    Tenham bons dias.

    João Batista

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