A crescente comunidade de ciclistas da cidade de Lisboa vai poder começar a circular nos corredores até agora destinados aos transportes públicos rodoviários, a partir do primeiro trimestre de 2015. A introdução da medida está a ser ultimada pelos serviços da Câmara Municipal de Lisboa (CML) e deverá ser apresentada aos munícipes até ao final deste ano, comunicou, na terça-feira (11 de Novembro), Graça Fonseca, vereadora com os pelouros da Economia, Educação e Inovação, durante a cerimónia de anúncio dos vencedores da edição deste ano do Orçamento Participativo (OP).

 

“No primeiro trimestre de 2015, vamos, finalmente, dar início a dois projectos há muito aguardados pela comunidade de ciclistas. Um será a partilha das faixas BUS com as bicicletas e outro a criação de escadas amigas das bicicletas”, disse Graça Fonseca, após se ter ficado a saber que foi precisamente a comunidade ciclista a grande ganhadora da edição 2014-2015 do OP. Para além do projecto mais votado, o “U-Lisboa em Bicicleta”, contemplado com um orçamento de até 500 mil euros, outras duas propostas envolvendo a mobilidade ciclável, nomeadamente a construção de ciclovias, fizeram parte das escolhas dos lisboetas. Em cada uma delas serão gastos até 150 mil euros.

 

A possibilidade de os ciclistas poderem usar as faixas BUS em Lisboa – a qual se encontra a ser ultimada, após consulta a entidades como o Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMTT) e a Autoridade Nacional da Segurança Rodoviária (ANSR) – vem assim dar cumprimento a uma recomendação aprovada, em Junho passado, pela Assembleia Municipal de Lisboa (AML). A proposta partiu do Partido Pelos Animais e pela Natureza (PAN) e foi votada favoravelmente por PS, PSD, CDS, teve a abstenção do PEV e do MPT e o voto contra do PCP.

 

Partindo das alterações ao Código da Estrada realizadas em 2013, no sentido de conceder mais direitos e responsabilidades aos ciclistas – e sobretudo do seu artigo 77, “que dá às Câmaras Municipais competência para permitir a circulação de velocípedes nas vias reservadas, como as faixas BUS” -, o texto aprovado na AML recomendava à CML que “permita a circulação de velocípedes em todos os corredores BUS da cidade, procedendo posteriormente à adequação do seu desenho, sempre que esta se revele necessária”.

 

O documento recomendava ainda que fosse “divulgada informação sobre comportamentos a adoptar no âmbito desta nova realidade, quer aos motoristas dos transportes públicos quer aos ciclistas” e pedia à CML para “sinalizar convenientemente os corredores BUS, quer através de sinalização vertical quer com pictogramas de um velocípede no solo, de forma a reforçar a sua presença e legitimidade no corredor”.

 

Poucas semanas após a aprovação dessa recomendação, o PAN apresentou e viu aprovada pela generalidade dos partidos com representação na AML uma outra, intitulada “Por uma melhor Mobilidade Ciclável”. Nela, e entre outras coisas, pedia-se à câmara que “promova soluções alternativas para a rede de vias clicáveis definidas quando, por questões financeiras ou técnicas, não for possível a sua implementação”.

 

Texto: Samuel Alemão

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