A Mata de Benfica, também conhecida como Parque Silva Porto, acolhe este sábado, entre as 9h e as 13 horas, o Benfica Cat&Dog Lovers. A festa integra-se na campanha de sensibilização “Toma lá o teu cocó – Apanha os dejetos do teu cão”, lançada na semana passada pela junta de freguesia. O objectivo maior é impedir que os jardins e as ruas desta zona da cidade sejam os WCs dos canídeos.

Durante o encontro, realizar-se-ão o registo gratuito dos animais e a adoção de diversos exemplares. Estão prometidas “outras surpresas para o cão e para o dono”. Outros dos pontos interessantes da iniciativa envolvem a Ordem dos Veterinários, através de promoção do cheque veterinário e o rastreio de saúde animal, ou ainda a presença de uma equipa cinotécnica da PSP, com cães treinados.

O humorista Nuno Markl dá a cara pela campanha “Toma lá o teu cocó – Apanha os dejetos do teu cão”, que conta com um vídeo promocional e funcionará como embrião de futuras iniciativas a desenvolver por outras juntas de freguesia da capital – agora com a responsabilidade direta pela higiene urbana.

A festa deste sábado, na Mata de Benfica, decorre junto ao primeiro parque canino de Lisboa (Benficanino), inaugurado em Setembro de 2013. Contudo, o recinto destinado aos caninos parece revelar-se ínfimo, como comentou ao Corvo um proprietário de um cão de raça Serra de Estrela. “Quando aqui venho com meu cão, ando sempre pela mata. Aquilo a que chamam parque canino é muito pequeno”, diz.

Na visita ao parque, foi possível constatar que a maioria dos donos dos canídeos opta por passear pelos espaços verdes, onde não existe qualquer ponto com sacos para os dejetos, ao contrário do que se vê, por exemplo, no recinto do Parque das Nações.

A campanha agora lançada pela Junta de Freguesia de Benfica visa mudar a atitude dos donos dos animais. Especial atenção merecem aquelas áreas onde, com frequência, os transeuntes reclamam das escorregadelas em dejetos canídeos – incluindo os locais junto às árvores. O cheiro é, também, outra das razões de queixa dos fregueses.

A iniciativa lançada por Inês Drummond, presidente da junta, passa ainda pelo envolvimento das escolas do ensino primário, criando espaço para um processo de educação ambiental entre os mais pequenos.

Este projeto tem algumas semelhanças com o desenvolvido, o ano passado, pelo município de Brunete, nos arredores de Madrid, que, de uma forma mais radical, lançou uma campanha visando os infractores. Uma equipa de voluntários esteve, durante uma semana, a patrulhar as ruas do burgo à procura dos donos que não apanhavam os dejetos dos seus cães.

Não identificados, os voluntários falavam com os proprietários dos canídeos, de forma a conhecê-los – fazendo ainda uso da base de dados dos animais registados na autarquia, onde constam as moradas. Desta forma, foi possível colocar numa caixa o respectivo “presente” e enviá-lo para a residência do dono. Resultado da operação: envio de 147 caixas e uma quebra em 70% dos dejetos deixados na via pública.

No final do ano passado, a Câmara Municipal de Lisboa organizou ações de sensibilização para a recolha dos dejetos no Jardim da Parada, em Campo de Ourique, no Jardim de Estrela e no Jardim do Campo Grande. O Regulamento de Resíduos Sólidos penaliza os infractores que não recolherem os cocós dos seus animais na via pública.

O parque florestal Silva Porto foi plantado em 1880, por João Carlos Ulrich, para embelezar o seu palácio, na Quinta de Feiteira. Os terrenos eram particularmente aptos para a produção cerealífera, hortícola e frutícola, sendo a propriedade atravessada por uma ribeira. Em 1911, foi vendida a César Augusto Figueiredo, que a ofereceu à autarquia – que, posteriormente, a batizou de Silva Porto, em homenagem ao pintor naturalista cujas obras podem ser vistas no Museu do Chiado e no Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto.

 

Texto: Mário de Carvalho

  • Paulo Ferrero
    Responder

    E o Sporting? 😉

  • Miguel Louro
    Responder

    Que comentário tão ridículo, de quem só vê buracos em Lisboa mas nunca apresenta uma única solução para nada, ó Paulo Ferrero.

Deixe um comentário.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

O Corvo nasce da constatação de que cada vez se produz menos noticiário local. A crise da imprensa tem a ver com esse afastamento dos media relativamente às questões da cidadania quotidiana.

O Corvo pratica jornalismo independente e desvinculado de interesses particulares, sejam eles políticos, religiosos, comerciais ou de qualquer outro género.

Em paralelo, se as tecnologias cada vez mais o permitem, cada vez menos os cidadãos são chamados a pronunciar-se e a intervir na resolução dos problemas que enfrentam.

Gostaríamos de contar com a participação, o apoio e a crítica dos lisboetas que não se sentem indiferentes ao destino da sua cidade.

Samuel Alemão
s.alemao@ocorvo.pt
Director editorial e redacção

Daniel Toledo Monsonís
d.toledo@ocorvo.pt
Director executivo

Sofia Cristino
Redacção

Mário Cameira
Infografías 

Paula Ferreira
Fotografía

Margarita Cardoso de Meneses
Dep. comercial e produção

Catarina Lente
Dep. gráfico & website

Lucas Muller
Redes e análises

ERC: 126586
(Entidade Reguladora Para a Comunicação Social)

O Corvinho do Sítio de Lisboa, Lda
NIF: 514555475
Rua do Loreto, 13, 1º Dto. Lisboa
infocorvo@gmail.com

Fala conosco!

Faça aqui a sua pesquisa

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com