Em Maio, uma espécie de “souk” árabe vai ser inaugurado num palacete do Príncipe Real. Chamar-se-á Palace Bazar e será um espaço sofisticado e único, afirmam os seus promotores. Na origem do projecto está um cidadão austríaco, Anthony Lanier, que pretende transformar o Príncipe Real numa espécie de Georgetown (em Washington).

 

Texto: Isabel Braga    Fotografia: David Clifford

 
O palacete Ribeiro da Cunha, no Príncipe Real, em Lisboa, vai abrir ao público em Maio, transformado num espaço comercial que tem, como modelo de negócio, um “souk” árabe e irá chamar-se Palace Bazar.  Moda, design, jóias, objectos “lifestyle”, arte e restauração estarão à  disposição do público no palacete que faz esquina com a Calçada da Patriarcal.

 
“Vamos pôr em prática um conceito novo, dum espaço que funcione como uma extensão do comércio de rua. Queremos lojas que reflictam o espírito do Príncipe Real, que tenham algo de único, sofisticado e autêntico”, afirmou ao Corvo Catarina Lopes, representante da empresa Eastbank, proprietária do edifício e promotora do projecto.

 
No Palace Bazar será ainda posto em prática o conceito de “marcas semente”. Catarina Lopes explica em que consiste: “Coisas de qualidade que ainda não são produzidas em quantidade suficiente para poderem ter uma loja própria e precisam da ajuda de marcas já consagradas para adquirirem visibilidade. Será o caso de uma gama de produtos de perfumaria cosmética biológica, da autoria de uma portuguesa, que vai ser vendida juntamente com uma conhecida marca de roupa”. Marcas portuguesas – de sapatos, malas e cerâmica, entre outros produtos -, que conquistaram estatuto internacional, vão também ser comercializadas no Palace Bazar.

 
No rés-do-chão e no primeiro piso funcionarão as lojas e um espaço de restauração enquanto, no segundo, haverá lugar para ateliers de artesãos vários, que se querem profissionalizar e lançar o seu próprio negócio. Um deles produz móveis ecológicos, há outro que se dedica a fazer jóias, outro ainda é especializado em artes decorativas. Haverá ainda lugar para  provas de vinhos, exposições e eventos culturais.

 
“Pensamos nisto como um organismo vivo, que irá mudar com o tempo. Haverá produtos para todas as bolsas, de modo nenhum queremos um comércio de luxo. Vamos implementar um conceito novo, em termos de espaços comerciais, e, até agora, tem-se revelado um sucesso. Os candidatos têm sido sete cães a um osso“, sublinha a representante do Eastbank. A contribuir para isso está ainda, na opinião de Catarina Lopes, o facto de as rendas “não serem caras”. “Os preços das salas variam entre os 800 e os 2000 euros mensais, e incluem os custos com o aquecimento, a segurança e a limpeza”, especifica.

 
O edifício que acolhe o projecto não pode ser mais inspirador: o palacete, inaugurado em 1857, foi construído como casa de família de Ribeiro da Cunha, um homem que fez fortuna no Brasil. De estilo neo-árabe, o palacete possui três andares abertos para um pátio interior, e ainda uma cave que se liga a um jardim com dois hectares de área. As salas que acolherão as lojas são todas diferentes: há algumas decoradas com estuque, outras com mármore, outras com madeiras exóticas, outras forradas a papel de parede e outras ainda decoradas com pinturas a fresco ou quadros murais. “Tudo vai manter-se como está”, garante Catarina Lopes.

 
O palacete Ribeiro da Cunha é o coração do projecto que a empresa Eastbank iniciou em 2005/2006, quando o proprietário da firma, Anthony Lanier, um austríaco de 61 anos, nascido no Brasil e residente em Washington, decidiu começar a investir em Lisboa.

 
Desde então, a Eastbank adquiriu um conjunto de 20 edifícios, todos na zona do Príncipe Real, entre eles o palacete Castilho, no início da Rua da Escola Politécnica, sede da firma de Anthony Lanier.

 
“Tudo o que interessa, em Lisboa, fica a cinco ou dez minutos a pé daqui. Também em Washington, todos os edifícios que comprei ficam a dez minutos a pé ou de bicicleta do meu escritório. Comecei a comprar casas antigas lá e hoje sou dono de 50 mil metros quadrados de área construída em Georgetown, o centro histórico da cidade”, afirma o investidor.

 

Lanier explica qual o princípio subjacente aos seus projectos imobiliários: “A minha ideia foi sempre investir, não num edifício isolado, mas em vários, se possível numa rua inteira. Desse modo consegue-se rentabilizar melhor o investimento. Os bancos apoiaram a minha ideia e tenho tido bastante sucesso nos Estados Unidos. Mas é um negócio que demora a dar frutos. É preciso adquirir património em quantidade suficiente e poder esperar que o mercado apareça.”

 
Dada a situação de crise em que Portugal se encontra, Anthony Lanier optou por adiar as reabilitações de fundo dos edifícios que a Eastbank adquiriu, alguns pegados uns aos outros, para melhor aproveitamento de infraestruturas comuns, como, por exemplo, garagens.

 
“Uma vez que, com a actual situação de crise, não há crédito para nós investirmos na recuperação dos imóveis nem para os compradores poderem adquiri-los, decidimos alugá-los para lojas e escritórios. O resultado é que os edifícios, que antes estavam vazios, estão todos ocupados. E as ruas mudaram para melhor”, defende.

 
O palacete Ribeiro da Cunha, à semelhança dos restantes prédios aquiridos pela Eastbank, não sofreu recuperações de fundo, apenas intervenções de primeira necessidade. “No palacete Ribeiro da Cunha fizemos algumas intervenções estruturais, mudámos as janelas e estamos a preparar a fachada para ser pintada no próximo Verão.  É o que temos feito em todos, obras urgentes e nada de intervenções estéticas. Isso fica para depois”.

 
O Corvo tentou perceber se as rendas cobradas pela Eastbank aos seus inquilinos são muito caras. Alguns não quiseram falar. Mas houve quem dissesse que os preços praticados são superiores aos de Paris. Catarina Lopes responde às dúvidas do Corvo: “Só sei dizer que demoramos em média quinze dias a alugar uma loja que ficou vaga. E fazemo-lo sempre por um preço superior, a procura é muita. E temos mais de 95 por cento de cobrança”.

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Lanier diz que tudo o que interessa em Lisboa fica a dez minutos a pé do Príncipe Real

 

  • o corvo
    Responder

    Bazar oriental em palacete lisboeta – http://t.co/xQTPPXPZDJ

  • João Ratão
    Responder

    “Lanier diz que tudo o que interessa em Lisboa fica a dez minutos a pé do Príncipe Real”

    É mesmo limitado….

  • Cláudio
    Responder

    Tudo o que interessa em lisboa fica a 10 minutos do principe real???? Não conheces lisboa seu palhaço. Vai.te embora para washington.

  • Susan Korthase
    Responder

    The Arabian Souk / Oriental Bazaar is NOT OPEN. The reconstruction of the palacete Ribeiro da Cunha is behind schedule. As of July 1, 2013, the anticipated opening date is September 2013 at best. There are many other clothing, flower, antique and home goods shops in the area that are open, however, and worth your walk along Rua do Dom Pedro V and Rua do Escola Politecnica.

  • anna collongues
    Responder

    welcome to lisbon Anthony Lanier !
    venham muitos como ele 😉

  • Eugene Mussche
    Responder

    Congratulations for having chose prestigious buildings in a very pretty location in Lisbon. I wish you all the success, not just because of your decision in Lisbon but also because we do need your example.

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