Um projecto com o seu quê de inusitado, mas que fundeia nessa mesma estranheza a razão de ser e a sua força. Entre as 207 propostas a votação, até ao final do mês, no Orçamento Participativo 2013 de Lisboa, uma destaca-se pela aparente excentricidade, sobretudo num tempo de austeridade. Catalogado com o número 206, o projecto “7 Luas” quer colocar sete enormes balões de hélio a pairar sobre cada uma das clássicas sete colinas de Lisboa, redefinindo a geografia mental da capital. Por estarem a acesos de noite e pela sua dimensão, os balões “funcionarão como marcos territoriais, como pontos geo-estratégicos na cidade, a partir dos quais, e entre os quais, se criarão itinerários turísticos e dinâmicas territoriais várias”.

 

A ideia do autor deste projecto de “acumpuntura urbana” e de “marketing territorial”, o arquitecto Pedro Pinto Correia, é a de “tentar criar uma dinâmica em locais algo adormecidos, através do surgimento de uma nova imagem da cidade e assim dinamizar o comércio local desses bairros”. Se a ideia tivesse apoio suficiente, seriam içados balões de hélio com oito metros de diâmetro, com a inscrição do nome da colina ou iniciais, sobre Alfama, Mouraria, Torel, Graça, Carmo, Camões e Bairro Alto. Cada um deles teria ligação eléctrica para garantir a sua iluminação durante a noite. Entre estas colinas, nasceriam então percursos de ligação. E abrir-se-ia a possibilidade de, a partir deles, serem criados roteiros.

 

Além do surgimento de novos pontos de interesse nesses pontos, Pedro Pinto Correia acha que em redor de todos estes pólos e nos itinerários de ligação entre os mesmos nasceria uma nova dinâmica urbana. Uma espécie de rede vital que assegurasse a cosedura de um território desigual e pouco articulado. Os balões funcionariam como “marcos territoriais”, com um impacto positivo a nível sócio-cultural, económico, geracional, turístico e de dinamização urbana. Se é certo que algumas destas áreas estão no epicentro da movida turística, outras nem tanto. Com o “7 Luas”, passar-se-ia a olhar o tecido urbano “como um todo”, dando “sentido e visão comum a um conjunto de recuperações”.

 

Na proposta apresentada ao Orçamento Participativo, e na qual o seu autor fala na necessidade de “utilizar a história para alavancar a dinâmica da cidade”, fala-se de custos totais a rondar os 150 mil euros, resultado na multiplicação por sete de um orçamento de 21,500 euros para cada balão. Mas no sítio onde decorre a a votação (www.lisboaparticipa.pt), a mesma aparece na categoria de projectos com valor superior a esse montante, com um custo estimado de 200 mil euros. A votação – que também pode ser feita de forma gratuita através do envio de um sms para o número 4646 – decorre até 31 de Outubro.

 

Texto: Samuel Alemão

  • António Rosa de Carvalho
    Responder

    Fernando Catarino apela à participação n’ A Corda Pelo Botânico!
    Data: 19 de outubro de 2013Hora: 16h00-18h00Local: Lisboa – Praça da Alegria e Príncipe Real
    Esta iniciativa é um acto simbólico de apoio ao projeto 121 – em votação até 31 de outubro noOrçamento Participativo da Câmara Municipal de Lisboa 2013 – para renovação do Jardim Botânico de Lisboa.

  • João Ribeiro
    Responder

    Fernando Catarino, um grande, grande senhor!

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