Nas últimas semanas, um colectivo artístico lisboeta tem afixado cartazes por toda a Baixa Pombalina com o objectivo de alertar para aquilo que consideram ser um “sismo turístico” no centro da cidade. A acção, intitulada “Terremotourism: instruções de emergência em caso de transformação urbana produzida por sismo turístico”, é constituída por cartazes onde se podem ler as normas de segurança geralmente utilizadas em caso de terramoto, mas aplicadas ao crescente aparecimento de unidades hoteleiras na Baixa.

“Fizemos esta relação entre o Terramoto de Lisboa e o sismo turístico que vai mudar completamente a zona”, explica um dos membros do Left Hand Rotation, um grupo com raízes em Espanha mas que já desenvolveu outras iniciativas em Lisboa – que preferiu não ser identificado. Para eles, o que está actualmente a acontecer “é como a onda do maremoto: primeiro o abandono e depois a especulação. Um bairro onde não moram pessoas não é um bairro seguro e, sem um tecido social forte, há especulação privada”, dizem.

 

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Para já, esta iniciativa fica-se pela afixação de cartazes, mas o grupo admite vir a desenvolver outras acções do mesmo género, uma vez que está contra “a ideia de pensar-se a cidade como marca, como produto”, o que actualmente acontece, acusa. A totalidade das instruções pode ser consultada aqui (http://lefthandrotation.blogspot.pt/2014/03/terremotourism-instrucciones-de.html).

 

Texto: João Pedro Pincha

  • Jorge Parente Baptista
    Responder

    Esta é uma atitude muito parva. Os edificios que estão a ser recuperados, estão na sua maioria devolutos e decrépitos, Nunca seriam ocupados por habitação, pois nínguem tem ineresse em ir morar para a Baixa..Ao menos assim a cidade ganha edificios recuprados, empregos e população flutuante que dorme uns dias e tras movimento ao bairro. Acordem para a vida

    • Afonso
      Responder

      “Ninguém tem interesse em ir morar para a Baixa”

      Lol. Que comentário tão parvo.
      Ou então está a tentar fazer passar os outros de parvos…

      Deve ser por isso que, recentemente, na Rua da Madalena, vendeu-se num mês um prédio com nove apartamentos de luxo, com vários estrangeiros em lista de espera…

      Quanto a mim, e como Lisboeta de gema que sou, não me importava nada em ir morar para a Baixa! E atenção que eu já vivi em meia Lisboa (13 anos ao pé do Santos, 1 ano em Marvila, 1 ano em Arroios, 2 anos em Campo de Ourique e há já 2 anos na Estrela, onde estou agora).
      Aliás, do meu círculo de amigos e familiares conheço dois que habitam na Baixa Pombalina. Também conheço outros tantos que já lá moraram mas que infelizmente tiverem de sair uma vez que os edificios onde viviam foram reconvertidos em hotéis.

      Já agora: Reveja o seu Português.
      Bastou fazer uma simples quote a uma frase sua para ter de corrigir uma série de erros.

    • Filipa
      Responder

      Ninguém tem interesse em ir morar para a Baixa?? Como assim? Cada vez mais há mais gente a querer ir viver para a Baica. O que está a acontecer é que são os estrangeiros maioritariamente a apreciar a cidade e a comprar casas na Baixa. Eu vivo na Baixa e nos últimos meses 3 andares no meu prédio foram vendidos a estrangeiros.

    • que sad
      Responder

      wow jorge. tu realmente não compreendeste nada. sabes na boa. fica lá no teu condomínio privado.

    • joão
      Responder

      ninguém ia viver para a baixa???? hã?? mas que grande disparate, vai ver se nas outras cidades europeias isso nao acontece, nã admira que tenhamos chegado onde estamos com gentinha como tu, a pensar como tu

  • Claudia Silveira
    Responder

    RT @ocorvo_noticias: Baixa enche-se de cartazes em protesto contra o excesso de hotéis – http://t.co/UtajDrdkgA

  • Manoel
    Responder

    O que está aconteçer na Baixa com os hoteis é uma vergonha

  • Bruno Rocha Ferreira
    Responder

    Porquê nunca? Não estou a dizer que não devam existir hotéis (embora mais 30 me pareça um manifesto exagero), agora fiquei mesmo curioso sobre pq é que ninguém quereria habitar a Baixa. Além disso o processo de destruição de muito comércio tradicional não tem sido propriamente feliz.

  • Rosa Esperança
    Responder

    Concordo plenamente está a haver hotéis e hostels a mais alguem vai sofrer . . .

  • Aqui mora gente
    Responder

    É claro que as pessoas querem morar no centro histórico de Lisboa, com um desenvolvimento turístico sustentado e não massificado.http://smoda.elpais.com/articulos/bye-bye-barcelona-el-documental-contra-el-turismo-masivo/4729.

  • Left H. Rotation
    Responder

    Sim Jorge, a nossa atitude é muito parva. É muito melhor (e principalmente mais fácil) concordar com que a cidade deve ser recuperada, mas para os turistas, não para os cidadãos. Deslocamento e gentrificação de moradores e fechamento de lojas tradicionais.

  • Luis
    Responder

    É caso para dizer “get a life”. A Baixa não é, nunca foi nem nunca será um bairro residencial. É um bairro comercial. Basta ler os nomes das ruas. E não foram nem serão os hotéis que acabaram com o comércio tradicional. Isso já aconteceu há muito tempo devido aos centros comerciais e aos comerciantes que não souberam adaptarem-se aos tempos, e mantiveram negócios arcaicos graças às rendas surrealmente baixas. E basta passar pela Baixa hoje para verificar que existe muito comércio novo e interessante (loja D’Aquino, bar Bebedouro, loja Grigi, Sabores da Madeira, Maria Catita, etc.) Que venham hotéis em cada esquina. É o que se vê em centros históricos de cidades históricas como Paris, Florença, Veneza… É vergonhoso a Baixa ter estado ao abandono até agora e o alojamento limitar-se às pensões rascas. Os hotéis vão trazer novos restaurantes, mais vida à noite, mais lojas. É uma extensão natural do Chiado.

  • Marco Fonseca
    Responder

    Também eu gostava de viver na Baixa, mas não sou rico. Supply and demand my friends…
    A especulação imobiliária é um pau de dois bicos, porque se por uma lado cria emprego [e nós precisamos de criar postos de trabalho] por outro lado a Baixa perde habitantes e pequeno comércio, mas pior, perde o que os turistas apreciam, a sua autenticidade.
    Os Catalães já queixam com o turismo de massas e sem regras.

  • Jorge Parente Baptista
    Responder

    Hao-de me dizer quantos moradores tem a Baixa. Não é de agora a desertificação. E para que querem moradores numa zona onde nem estacionamento há? Os turistas na sua maioria, não usam carro, e causam movimento na cidade, tanto visual como comercial, pois visitam os locias e naturalmente t~em de comer. Vão perguntar aos restaurantes da Baixa se não querem mais turistas’ e o fecho das lojas tradicionias? se fecham é poruqe o seu sentido acabou, caso contrario permaneciam abertas.ou querem dez lojas a vender camisas e roupas fora de moda como na rua dos fanqueiros, ao lado da igreja do Corpo de Cristo? O mercado acaba por normalizar o comercio. fecham umas abrem outras…

    • Afonso
      Responder

      “E para que querem moradores numa zona onde nem estacionamento há? ”

      LOL!

      -Parque de estacionamento do Largo da Boa Hora
      -Parque de estacionamento do Largo do Corpo Santo
      -Parque de estacionamento do Largo de Camões
      -Parque de estacionamento da Praça do Município
      -Parque de Estacionamento do Chão do Loureiro
      -Parque de estacionamento da Praça da Figueira
      -Parque de estacionamento da Rua João das Regras
      -Parque de estacionamento do Martim Moniz

      -E como o Corvo até anunciou há bem pouco tempo, vai existir um novo no Campo das Cebolas, em frente à Casa dos Bicos:

      Deve ter chegado de Marte…..

    • Cláudia
      Responder

      Opá, tanta ignorância num só comentário. A Baixa tem moradores, tem lugares de estacionamento reservado para residentes (apesar de muitas vezes isto não ser respeitado e não haver fiscalização das entidades competentes) e o fecho do comércio tradicional nos últimos tempos tem exactamente a ver com o desalojamento destes para se contruirem mais unidades hoteleiras (o caso da Adega dos Lombinhos é um caso paradigmático, um pequeno restaurante sempre cheio que fechou não porque os proprietários não pudessem pagar uma nova renda, mas porque os donos do edifício resolveram desalojar um quarteirão de comércio para aí construírem um hostel). E quando a baixa ficar um bairro igual a tantos outros bairros europeus com o mesmo tipo de comércio e restauração, os turistas irão procurar outro sítio que fique na moda e os lisboetas irão deparar-se com uma zona abandonada e sem alternativas para lutar contra a debandada de turistas e sem meios de atrair mais.

  • Left H. Rotation
    Responder

    A desertificação não é casual. Abandono e desinvestimento num bairro é o primeiro passo dos processos de gentrificaçao.

  • Aqui mora gente
    Responder

    Caro Jorge, o que acha que devem fazer as pessoas que moram nas ruas do centro histórico, cada vez mais invadidas por milhares de pessoas a beberem durante toda a noite, a cantar e a gritar em bandos, a vandalizarem prédios e viaturas, porque Lisboa é uma cidade “cool”, sem regras nem civismo? Qual a sustentabilidade e o tipo de turismo que Lisboa quer atrair?

  • Jorge Parente Baptista
    Responder

    Lol,,,Isto é mesmo para rir,,Não confundamos turismo com falta de civismo e de excesso de procura . O licenciamento de bares e estabelecimentos de diversão nocturna tem de ser bem acompanhado, para que não se repitam as situações do Bairro Alto, e de Santos..onde as pessoas bebem na rua devido aos espaços serem pequenos demais para tanta procura,,,Se há vandalismo tem de haver policiamento.Não é a cidade que não tem civismo são as pessoas, e as regras tem a cidade de as criar e implementar.

  • Aqui mora gente
    Responder

    Todos concordamos em que o turismo constitui uma fonte de oportunidades para Lisboa, mas com fortes impactos negativos nas comunidades locais quando massificado.Cabe aos poderes públicos promover um desenvolvimento turístico sustentável, em harmonia com a nossa identidade cultural, valores e costumes, o que constitui, aliás, um factor de diferenciação e “competitividade ” da nossa cidade.Um centro histórico sem habitantes perde a sua alma e autenticidade, tornando-se um “produto turístico” plastificado.Tem razão ao afirmar que a cidade tem de implementar regras, mas, infelizmente, nesta matéria ninguém se parece entender.A Polícia diz nada poder fazer porque falta legislação que restrinja o consumo de álcool nas ruas e as queixas dos moradores contra o enorme ruído nocturno são arquivadas pela CML, porque se trata de ruído ambiente exterior, não imputável a uma entidade concreta…em que ficamos?

  • JoãoPedroPincha
    Responder

    Baixa enche-se de cartazes em protesto contra excesso de hotéis – http://t.co/JsOYaypYhx

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