A Guerra Junqueiro é agora uma avenida despojada de árvores. Depois da poda drástica feita em Maio do ano passado, em que, por determinação da Junta de Freguesia do Areeiro, 22 freixos foram abatidos, uma nova operação de abate de árvores está a ser realizada esta semana, desta feita pela Câmara Municipal de Lisboa.

 

Ontem (17 de março), naquela avenida restavam de pé apenas uma dúzia de árvores. A maior parte das quais com muito pouca folhagem, já que o tempo decorrido entre a última poda – fortemente criticada e feita fora de tempo, por alegadas razões de segurança – e a actual operação de abate não permitiu grande desenvolvimento.

 

O Corvo tentou apurar com o presidente da Junta do Areeiro qual a justificação para a intervenção em curso na Avenida Guerra Junqueiro. Segundo Fernando Braamcamp (PSD), na intervenção feita pela junta no ano passado não haviam sido deitadas abaixo todas as árvores que estariam doentes e que, no relatório fito-sanitário, constavam como sendo para abate. No total, havia 33 para abate e nem todas foram removidas, como referira o autarca em 2015 ao Corvo.

 

Embora a operação de abate esteja agora a cargo da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Braamcamp diz ter a garantia da autarquia de que os freixos abatidos “serão substituídos, mas por uma nova espécie: a ginkgo biloba”, árvore de origem chinesa, introduzida em Portugal no século XVIII e que, actualmente, se encontra em várias zonas da cidade de Lisboa.

 

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De crescimento lento, a ginkgo biloba, com uma folha em forma de leque que se torna amarela no Outono é uma espécie considerada um fóssil vivo, sendo muito resistente à poluição urbana. Diz-se que foi a primeira planta a nascer em Hiroshima, depois da bomba nuclear.

 

“Na Praça de Londres, onde começou esta intervenção da câmara, as árvores abatidas já foram todas substituídas”, salientou o presidente da Junta de Freguesia do Areeiro. O que Fernando Braamcamp não soube explicar foi o que levou a câmara a intervir agora. “O relatório fito-sanitário que estava na posse da câmara já era de 2012 e quando as competências transitaram para a junta de freguesia é que se percebeu a urgência em intervir, para proteger as pessoas da queda de ramos de árvores, que chegaram a atingir vários automóveis. Agora, porque razão a câmara não actuou antes, isso não sei explicar”, disse o autarca.

 

Texto: Fernanda Ribeiro

 

 

  • Rosa
    Responder

    A Junta Diz que foi a câmara e a Câmara diz que foi a junta, how convenient!

  • Jaime Macedo
    Responder

    Eliminar as árvores por causa dos automóveis ou limitar os automóveis por causa das árvores? Os automóveis servem o proprietário e as árvores todas as pessoas sem exceção bem como o planeta. Os critérios estão um pouco toldados no que respeita ao discernimento. Tanta ecologia ensinamos aos miúdos nas escolas, mas os graúdos ainda estão na pré-história da consciência ambiental.

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