Atraídos pela centralidade e cosmopolitismo dos quarteirões pombalinos, foram vários os que para ali se mudaram, nos últimos anos. Houve quem visse nesse movimento uma prova inequívoca do estancar do despovoamento da Baixa, que aconteceu ao longo de décadas. Mas a revitalização comercial trazida com o turismo está a transformar num inferno o quotidiano dos que acreditavam ter ido viver para uma zona de sonho. Uma questão de expectativas ou uma realidade complexa? Talvez ambas.

 

 

Texto: Samuel Alemão           Fotografias: Carla Rosado

 

 

Os olhos de Joana Nogueira, 28 anos, reluzem quando se lhe pede para explicar o que a trouxe para a Baixa lisboeta, há três anos, vinda de Alfragide. “Teve que ver, sobretudo, com a vida cultural e social a que aqui se tem acesso. Além disso, e por causa disso, grande parte dos meus amigos já viviam aqui”, diz a jovem empresária, formada em sociologia e que trabalha em Queluz – razão pela qual anda sempre em sentido inverso ao da temível hora de ponta do IC19. “Se, um dia, vier a comprar um apartamento, gostava que fosse na Baixa”, assegura a residente.

 

Joana partilha com um amigo o arrendamento de um apartamento na Rua de São Nicolau. Também ele, António Matos, 31, para ali se mudou para “estar perto de amigos e duma vida cosmopolita”. “Procurava um sítio civilizado, com oferta cultural e lúdica interessante e viva. A Baixa teria tudo isso e não teria a ‘inabitabilidade’ do Bairro Alto ou do Cais do Sodré à noite. Para quem realmente entende o que é viver numa cidade, numa Lisboa desprovida de adequada mobilidade ‘sustentável’, viver perto de tudo significa viver no centro”, afirma este médico, que trabalha em Almada, para onde se desloca de bicicleta e de cacilheiro.

 

Para além de amizade, do tecto e dos motivos para terem escolhido viver no coração da capital portuguesa, Joana e António partilham, porém, outra coisa: o enorme descontentamento pelo que, entendem, é o progressivo degradar da qualidade de vida nesta zona da cidade. “Tem piorado muito, desde há um par de anos, sobretudo no que toca ao estacionamento abusivo e à forma como o turismo está a ter um impacto negativo na vida das pessoa que aqui vivem”, considera Joana, que se manifesta igualmente muito insatisfeita com a falta de higiene do espaço público.

 

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Joana Nogueira está desiludida com o que considera ser a falta de atenção da câmara e da junta.

 

 

“Tinha uma ideia, se calhar algo ingénua, que, sendo este o centro da capital do país, o cenário seria um pouco mais civilizado”, diz a residente. É que, além do lixo – “deixa-me louca”, desabafa -, ela fica sobremaneira impressionada com o que considera ser a passividade das autoridades (câmara, Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, PSP e Polícia Municipal) pelo que aos seus olhos são as constantes violações do espaço público: falta de limpeza, estacionamento abusivo, ruído, “massificação da exploração turística” ou tráfico de droga. Críticas que são comuns a muitas das pessoas que, nos últimos anos, foram para ali morar, em busca do que julgavam ser um privilégio.

 

Durante as últimas três décadas, a “decadência da Baixa” foi sendo apresentada e debatida na opinião pública como um dado irrefutável. Dando eco de um fenómeno de migração populacional da cidade de Lisboa para a sua periferia – iniciado na década de 1970 e para o qual contribuíram factores como a velha Lei das Rendas, a massificação da construção nos subúrbios, o aumento exponencial do parque automóvel ou a liberalização do acesso ao crédito bancário -, tal situação era frequentemente abordada pela comunicação social. Até se tornar parte da agenda política, sobretudo em época de eleições autárquicas.

 

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Aos estabelecimentos icónicos, muitos deles seculares, que foram fechando – e têm continuado a fechar -, juntava-se assim o muito acentuado envelhecimento da população residente. A não renovação demográfica fez com que as freguesias daquela área passassem, em poucas décadas, a ser das menos habitadas e mais envelhecidas de Lisboa. “A Baixa é um deserto à noite”, ouvia-se com insistência. Já aquando do grande incêndio do Chiado, de 25 de Agosto de 1988, foram diversas as vozes a relacionar as proporções e os consequentes estragos atingidos pelo sinistro com aquela realidade. Com prédios vazios, tardou que se desse o alerta para um incêndio que deflagrara de madrugada.

 

O processo de adormecimento da zona foi-se acentuando, até ao final da primeira década deste século – quando, por fim, se começaram a fazer notar no espaço público os efeitos do plano de reabilitação do Chiado assinado pelo arquitecto Siza Vieira. Aos poucos, passavam a sentir-se sinais em sentido contrário ao que parecia ser um processo de inabalável decadência. Atraídos pela centralidade e pelam nobreza dos quarteirões pombalinos, novos moradores foram chegando. Ao mesmo tempo, e enquanto fechavam lojas com muitos anos de vida, abriam outros estabelecimentos comerciais, muitos deles mais sintonizados com um estilo de vida contemporâneo.

 

Muita dessa renovação das lojas foi, em parte, impulsionada pelas saídas forçadas de antigos comerciantes, devido à nova Lei do Arrendamento Urbano, redigida pelo actual Governo e entrada em vigor no final de 2012. Incapazes de fazer face às novas rendas – muito superiores aquelas que pagavam até aí, inalteradas há décadas -, os donos dessas lojas antigas foram encerrando portas e, assim, dando lugar a novas. Tal dinâmica foi não só consequência da “Lei das Rendas”, mas também do enorme incremento da actividade turística verificado nos últimos anos. A esmagadora maioria das lojas entretanto abertas apontam claramente às hordas de turistas que desaguam na Baixa.

 

Uma realidade sentida também na conversão diversos prédios em hotéis – aproveitando os andares acima do solo que, até aí, haviam funcionado como habitação e escritórios. Têm surgido relatos de que, a coberto da revisão do quadro legislativo do arrendamento, algum desse investimento no turismo estará, na verdade, a levar ao surgimento de uma pressão dos senhorios sobre os velhos inquilinos para que abandonem apartamentos onde vivem há décadas (com rendas muito baixas). Dando assim lugar a novas unidades hoteleiras. Em paralelo, abundam lojas de bugigangas turísticas, vendendo Nossas Senhoras fluorescentes e camisolas do Cristiano Ronaldo. É a isto que muitos chamam “descaracterização da Baixa”.

 

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“A qualidade de vida para as pessoas que moram na Baixa está a agravar-se muito rapidamente. Nos últimos dois anos, houve muitos aspectos que pioraram imenso, como o estacionamento abusivo, o ruído, o lixo ou a abertura de lojas de fraca qualidade, sempre viradas para captar dinheiro aos turistas”, queixa-se César Laia, 44 anos, e que vive na Rua dos Bacalhoeiros há cerca de quatro anos. Foi dos primeiros a fazer parte do movimento de aparente retoma populacional da Baixa, quando há uma década se mudou para a Rua dos Douradores.

 

Na altura, fê-lo pelos mesmos motivos que Joana e António. “Aqui, estou perto das coisas que me interessam”. Tal como eles, também César trabalha fora de Lisboa. A centralidade daquela zona, aliada à abundância e qualidade de acesso aos transportes públicos – que ele utiliza diariamente -, faz parte do apelo da mesma. Mas o encanto já não tem a força de outros tempo, admite o investigador científico. “Eu gosto muito desta zona, mas as coisas mudaram muito”, afirma o morador, que, por estar tão desagrado, considera seriamente abandonar a Baixa.

 

“Se alguma coisa me indicasse que as coisas iam melhorar, não mudaria. A gota de água foi, em meu entender, a tentativa de transformar a Baixa num parque de diversões para turistas, com todo este circo montado à sua volta”, queixa-se. “O mais grave é o ruído. Criou-se aquela ideia de estar sempre a fazer eventos na Praça da Figueira, com feiras e animação permanentes. A final da Champions, nesse aspecto, foi horrível”, recorda César Laia, que contempla com amargura a disseminação de veículos ligeiros usados pelos turistas: tuk tuk, segways, “go-cars” enxameiam as ruas da quadrícula pombalina, conferindo-lhe a tal parecença com um parque temático.

 

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Facto que está a deixar muita gente incomodada. “Com o turismo a aumentar, aumenta a vontade de investir em Lisboa. O que não é mau. Tem é que ser feito de forma sustentável. A reabilitação da Baixa não pode ser feita à custa deste investimento. Se assim acontecer, a Baixa será um hotel gigante, que ninguém quererá visitar… O turismo que atrai e atrairá mais pessoas a Lisboa não é o turismo de Albufeira e Quarteira”, considera António Matos. “Quem procura Lisboa procura vida cosmopolita numa cidade típica, de pessoas, de bairros, de autenticidade, de originalidade”, diz, fazendo notar o facto de, na sua rua, nos últimos meses, terem aberto dois hotéis.

 

António considera que está a diminuir a habitabilidade de uma área que, até há pouco tempo, ele via como privilegiada. E isso tem que ver “com o lixo e a sujidade inacreditável, com o desrespeito constante pelo património cultural edificado, com o desrespeito pelas regras básicas de trânsito (carros a toda a hora estacionados em cima de passeios e em zonas pedonais), lojas de comércio tradicional destruídas”. E, agastado com o que considera ser a passividade da Câmara Municipal de Lisboa ante a rápida mutação daquele território, critica-a porque “autoriza tudo o que signifique dinheiro rápido para os seus cofres e a imagem de reabilitação de prédios devolutos a curto-prazo”.

 

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Em Outubro de 2013, na sequência da reforma administrativa da cidade, o número de freguesias de Lisboa foi cortado para metade, tendo a Baixa passado a fazer parte da nova freguesia de Santa Maria Maior – agregou uma dúzia das antigas, abrangendo aquela zona, mas também Alfama, Mouraria, Chiado e Castelo. A nova junta – liderada por Miguel Coelho (PS) e cujos serviços se instalaram no edifício do novo Elevador do Castelo, ligando as ruas dos Fanqueiros e da Madalena – herdou assim um território com velhos e novos problemas. E responsabilidades antes detidas pela câmara, como a limpeza e a gestão do espaço público.

 

Uma área que é particularmente visada pelos residentes. Tanto Joana Nogueira, como César Laia ou António Matos julgam ser este um assunto a necessitar de urgente resolução – “A questão do lixo e higiene urbana é escandalosa”, diz António. Mas o mesmo sucede com as restantes componentes de gestão do espaço público, como o estacionamento abusivo e o que consideram ser o abastardamento dos espaços comerciais e das zonas em redor, rendidas ao mais imediato lucro turístico – muito facilitado pela recente liberalização do licenciamento.

 

Algo que incomoda sobremaneira quem para aqui se mudou, sabendo que escolheu morar no coração da capital, é o assumir-se de forma velada que este é o preço a pagar. “Não quero que a Baixa esteja fechada como um museu, nem transformada numa espécie de resort turístico. Mas, se se reduzir a possibilidade de circular de automóvel e de estacionar na zona, isso vai ter consequências”, sugere César Laia, lembrando que há centros históricos de muitas cidades europeias onde os automóveis não entram ou fazem-no de forma condicionada.

 

Tal como César, também António Matos está tão descontente com este cenário que vê como muito provável a possibilidade de abandonar a zona. “Sair todos os dias de casa e assistir a cenas decepcionantes dá-me vontade de sair… Mas não de Lisboa, mas de Portugal, porque acho que se é assim na Baixa, não quero pensar como será noutros sítios”, critica. E nem a ele, nem a Joana, escapa o facto de os próprios polícias estacionarem os carros em cima do passeio ou em segunda fila em frente à nova esquadra da Rua de São Julião.

 

Joana Nogueira quer continuar a viver na Baixa, apesar de todas as irritações diárias. No entanto, está muito apreensiva com o que parece ser uma tendência inabalável – o jornal Expresso de 24 de Janeiro dava conta dessa transformação radical, num artigo intitulado “Baixa de Lisboa ‘irreconhecível’ em 5 anos”, no qual agentes do sector imobiliário reconheciam o enorme impacto da Lei do Arrendamento na dinâmica de regeneração em curso. No mesmo texto, tais agentes referiam a inevitabilidade do surgimento de novas unidades hoteleiras, comércio do segmento “médio-alto”, mas também unidades residenciais.

 

Por isso, Joana diz: “Não tenho nada contra os turistas, mas, dentro de alguns anos, eles vêm cá e o que verão será, sobretudo, hotéis e lojas feitas para turistas. Não restará nada de autêntico”. Além disso, nota Joana, ao mesmo tempo que vão surgindo lojas novas, a Baixa apresenta falhas significativas para quem quer apenas lá viver. Continua, por exemplo, a ser uma das poucas zonas da cidade onde, pasme-se, não existe ainda recolha selectiva de lixo – a não ser a recolha de cartão das lojas.

 

Algo que deverá mudar em breve, segundo Miguel Coelho, presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior (com quem O Corvo falou já no final de Janeiro). O autarca admite a existência de “insuficiências” na limpeza, mas refuta que “as coisas estejam assim tão mal” – “até temos recebido elogios nesse campo”, diz – e recorda a responsabilidade partilhada entre junta e câmara neste sector: se à junta cabe assegurar a varredura e a lavagem das ruas; a remoção do lixo é uma competência da CML. O trabalho nas questões de limpeza mereceu um recente investimento por parte da autarquia por si liderada, nota, através da compra de três viaturas destinadas à remoção de resíduos.

 

Mas Miguel Coelho diz que, no que se refere à recolha selectiva de resíduos urbanos (RSU), obteve a garantia por parte do vereador da Higiene Urbana, Duarte Cordeiro, da criação de um sistema de triagem de RSU adaptado às particularidades da zona. “A câmara vai implementar uma rede de ecopontos e mini-ecopontos”, explica, lembrando que os prédios das zonas históricas, como é o caso de Alfama, Mouraria e Baixa, não têm condições para acolher os três caixotes (orgânico, papel e embalagens), como sucede na maior parte da cidade. O autarca critica, contudo, “a tendência lamentável” que muitos cidadãos têm de colocar lixo indiferenciado onde não devem.

 

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Miguel Coelho, presidente da junta, considera que o turismo trouxe uma nova dinâmica à Baixa.

 

Em relação ao estacionamento, o presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior anuncia também novidades, nomeadamente através da proposta entregue à CML para a criação de mais lugares para residentes na Rua da Prata. A concretizar-se tal medida – que prevê o surgimento de quatro dezenas de lugares em dois quarteirões -, a mesma constituir-se-á como uma novidade absoluta num dos principais arruamentos da Baixa, e onde os automóveis não podem parquear há décadas.

 

Sobre o peso que a actividade turística vai ganhando no território por si administrado, Miguel Coelho encara-o como uma inevitabilidade. “É coisa que está a montante da junta. Não somos nós que definimos as políticas para a cidade, mas sim a câmara. Mas temos de notar que não há nenhum centro histórico de uma cidade europeia que não tenha turismo”, afirma o autarca. “O turismo é fundamental para a sustentabilidade das pessoas que cá vivem, cria emprego. Muitas empresas só existem porque há turismo”, sustenta.

 

O autarca considera que “o comércio tradicional deve coexistir com o novo comércio, com as start-ups e os jovens empreendedores”. “É bom que esta não seja só uma zona de lojas tradicionais, como também não pode ser só uma freguesia de idosos”, diz, sem deixar de admitir, todavia, algum desconforto face ao surgimento de numerosas lojas de características indistintas e que vendem todas as mesmas recordações turísticas de baixa qualidade – as tais das Nossas Senhoras e das camisolas do Cristiano Ronaldo.

 

“Temos pedido à CML para fiscalizar essas lojas de bugigangas”, informa Miguel Coelho, que defende a criação de “um certificado de qualidade” para o comércio da zona. Esse selo de garantia comercial, defende o presidente da junta de Santa Maria Maior, em conjunto com um alteração de regulamentos e de disposições camarárias, iria “desincentivar a fixação desse género de comércio mais desqualificado” – embora reconheça que muitas destas lojas tenham surgido em consequência das dificuldades financeiras de muitos senhorios, que prefiram ter os espaços ocupados e assim ganharem algum dinheiro.

 

 

  • Jorge Lima
    Responder

    A qualidade de vida em praticamente todo o lado é melhor que em Lisboa. Aqui as coisas boas são para turistas. Multidões de turistas. Mais os passadores de droga e os vendedores ambulantes. Em Vila Real podia jantar numa esplanada lindíssima do centro histórico, ás portas de uma igreja que é obra-prima do barroco português, do mesmo arquitecto que o Solar de Mateus. Em paz e sossego.

  • David Fernandes
    Responder

    Se vivem no centro de Lisboa mas trabalham em outros municípios, significa isto que Lisboa pode ser considerada um subúrbio?

  • Maria Trigoso
    Responder

    onde é que turismo “de massas”, isto é, em avalanche, não destruiu tudo?

  • Vitor Sabino
    Responder

    Se há turismo é porque há, se não há é porque a cidade é pobre…

  • Miguel Mestre
    Responder

    O que destrói a cidade são os traficantes de droga ao virar de cada esquina, os vendedores sem licença, os graffitis , os prédios históricos abandonados e em ruínas, as lojas emparedadas e os mendigos que impressionam negativamente quem por eles passa. Turistas numa capital é BOM! Não é mau…aliás devia haver muitos mais.

    • Júlia Rosa
      Responder

      Concordo com o Miguel Mestre.

    • Raquel Fernandes
      Responder

      Todos esses problemas que o Miguel aponta são muito importantes, mas também o turismo tem que ter regras. Todos os prédios da Baixa que são recuperados estão a ser transformados em hotéis, impossibilitando a existência de vida real nesta área da cidade. Não há espaço para residentes, escritórios ou studios. A médio/longo prazo também os turistas inteligentes vão perceber isso e achar esta parte da cidade menos interessante, ‘demasiado turística’.

      • Daniel
        Responder

        O problema é que o custo de um espaço na Baixa Pombalina é proibitivo. A especulação imobiliária e a ganância dos proprietários levou a isso. E, muito provavelmente, os poucos que dispõem da capacidade económica para comprar um apartamento na Baixa (para residência própria) preferem fazê-lo num subúrbio próximo da capital, onde conseguem pelo mesmo valor adquirir uma casa muito maior, mais moderna e com mais condições de habitabilidade.
        Como tal, e tendo em conta o que afirmei, não vejo o turismo, neste contexto, como uma coisa má. Concordo portanto com as palavras do Miguel Mestre.

  • Ana Trindade
    Responder

    Lisboa é talvez a Cidade mais bonita da Europa para passear e para viver, mas não há bela sem senão … O turismo faz bem à Cidade!

  • Luís Falcão
    Responder

    Há quem consiga não estar nunca contente…

    • Júlia Rosa
      Responder

      O Turismo é, pràticamente, a fonte de riqueza do nosso País. Os nossos Governantes é que não sabem aproveitá-la.

    • Luís Falcão
      Responder

      E as pessoas também não… Tudo incomoda.

    • Tania Fortuna
      Responder

      Já experimentou ir à Baixa num fim-de-semana ultimamente?
      Duvido que o faça tranquilamente sem ter de estar permanentemente a evitar chocar com turistas.
      A baixa de há dois anos para cá revela-se terra non grata para quem vive na cidade.

    • Luís Falcão
      Responder

      Venham eles! Preferia que estivesse pejada de pedintes? É que sem o turismo bem que poderíamos estar precisamente nesse ponto…

      • Rui
        Responder

        Na verdade, está pejada não só de pedintes, como também de traficantes de farinha e pasta de louro.

  • Claudia Tavares E Castro
    Responder

    A Baixa tem problemas há décadas, se não estes, outros… É uma zona desprezada, abandonada que não alcança de todo o seu potencial. É natural que seja uma das principais atrações turísticas da cidade, pelo seu significado histórico e beleza, e acredito que seja por isso que vão lá os turistas, não por ser ponto de venda de droga, esplanadas de plástico, vendedores de rua, etc. Apesar da intervenção no Terreiro do Paço, a Baixa continua corrompida e em degradação visível. Há muitos anos que os lisboetas deixaram de “ir à Baixa”. Parece-me que só com uma acção concertada poderemos ter de volta esta área tão significativa da cidade em todo o seu potencial, turístico, habitacional, comercial, lúdico…

  • Maria de Morais
    Responder

    Bom artigo Samuel Alemao, na realidade em 5 anos, o que me fez vir para Lisboa e a Baixa, cidade ainda livre de todos os dogmas turisticos e comerciais, género Big Brother e impostos hoje, desaparece Tudo o que faz personalidade da cidade o que a Italia ainda tenta manter e que Lisboa deveria guardar esta a desaparecer. Penso que nao é necessario haver loja sim loja nao, um comérico de virgens marias fluo e camisolas Ronaldo e manguitos nas vitrinas. Idem para os tuctuc sempre em funcionamento. Mas tanto tuctuc como as lojas crescem como cogumelos,abrindo as ultimas na propria noite em que o comércio precedente fecha. Leva me a pensar que facilidades financeiras têm estas lojas que as portuguesas nao tem? Tem que haver limitaçoes de espaço e serem proibidas em varias zonas, nao se vê loja turistica na ave Montaigne, porque é que ha av da Liberdade ou na rua do Carmo, ja estao a ser ocupadas por este tipo de loja. A rua Augusta, que deveria ser uma “carta de visita para Lisboa, liga dois parques de diversoes, a Praça da Figueira e o Terreiro do Paço…a meio, os vendedores de salsa seca, segundo a policia…enfim talvez estas mudanças, na cidade como retirar a calçada também vêm no pacote das obrigaçoes impostas pelas companhias de seguro americanas, afim que os enormes barcos de turismo acostem a Lisboa

    • Pedro
      Responder

      Eu pergunto-me sempre. Mesmo que estes ‘vendedores’ de salsa seca vendam de facto salsa seca ou louro, estão registados? Pagam impostos? Têm preço marcado? Senão, que direito têm de vender na rua? Não deveriam ser multados por isto mesmo?

  • Nas Vegas
    Responder

    Alguém sabe me dizer uma cidade Europeia, em que o centro não seja turístico?

  • Mario Fernandes
    Responder

    O problema não é o turismo. Florença, Roma, Londres, Amesterdão, Viena e Paris recebem muitos mais turistas. O problema é o desleixo e a incompetência das autoridades, desde a CML às freguesias e polícia. O caso dos traficantes, por exemplo, é uma vergonha nacional para a qual não há desculpa.

  • Gilberto Abreu
    Responder

    A sério? Havia qualidade de vida na Baixa?

  • Raquel Fernandes
    Responder

    O turismo pode ser bom mas também tem que ter regras. Todos os prédios da Baixa que são recuperados estão a ser transformados em hotéis, impossibilitando a existência de vida real nesta área da cidade. Não há espaço para residentes, escritórios ou studios. A médio/longo prazo também os turistas inteligentes vão perceber isso e achar esta parte da cidade menos interessante, ‘demasiado turística’.

  • Jose Luis Andrade
    Responder

    acho muito bem,o turismo so veio dar uma vida a baixa pombalina que esteve abandonada durante anos,hoje ja da gosto passear na baixa os predios em obras,as casas arendadas os negocios a funcionar,parabens antonio costa e a junta de santa maria maior.

  • Jose Luis Andrade
    Responder

    os moradores da baixa devem e preucuparense com os carteristas de mapa na mao,vendedores de droga.e comerciantes que enganan os turistas,

    • João Dourado Santos
      Responder

      Vê-se mesmo que não moras aqui, isto está feito uma disneylandia. só cá deves vir passear. Esta é a minha cidade, e parece um paquete turístico. Só me falta ter que lhes fazer as camas!

  • Andreas Koch
    Responder

    Same thing happened to many areas in London – First the area is cool then tourists want to go there ,then rich people want to live where it`s cool,then the prices shoot up -cool people can`t afford to live there anymore , the fabric that makes it cool is then destroyed and it turns into a tourist / yuppy dirty shit hole

  • Célia Aldegalega
    Responder

    a questão não é ser um centro turístico, mas a forma como se gere.

  • Mara Antunes
    Responder

    Não se pode ter tudo!

  • Tiago Dias
    Responder

    No Porto igual. Avalanche turística está a destruir qualidade de vida na Baixa, dizem residentes http://t.co/tFEnL2oRiV

  • Gonçalo Bastos
    Responder

    Um eurinho cada um dá uma pipa de massa p´ró Costinha.

  • Susana Marques
    Responder

    Não ha paciencia! O portugues nunca esta contente!

  • Rui Colaço
    Responder

    Nunca estão satisfeitos, nunca nunca… É porque está às moscas, é porque está massificada… É porque é deserta e é perigoso, é porque está cheia e não há sossego… Poças. É duro agradar aos portugueses, hein?

  • Paulo Soares
    Responder

    Excelente artigo. Os meus parabéns!

  • Ana Maria Cardoso
    Responder

    Enfim, a Baixa há meia dúzia de anos , não tinha habitantes ,porque não tinha ” vida” agora que se pode andar à noite e há gente , alegria e turismo , que melhora a economia, querem estar num ” condomínio fechado ” .
    Sinceramente, as entrevistas que o Corvo ,apresenta é mesmo ,para ser do contra, em relação ,à dinamização , dos centros históricos!( ou então , não houvem , as pessoas certas, mas parece que é a opinião de quem faz , as entrevistas, que é a visão ,mais pequena burguesa que conheço e com horizontes mto pequeninos!

  • César Laia
    Responder

    hey, ninguém é contra o turismo. A Baixa não está pior por causa dos turistas, está pior por causa do que estão a fazer a pensar que os turistas vão gostar disso.

  • Sérgio Gaspar
    Responder

    Vivo no centro histórico de Lisboa e não estou contra os turistas mas como vão gerindo este negócio. Quando comprei o meu apartamento havia vizinhos, vida. Nos últimos anos foram vendendo a casa, a maioria a estrangeiros que entregam a casa a agências de aluguer temporário. Mais de metade do meu prédio está vazio durante o Inverno e com turistas durante a época alta. Os turistas estão obviamente de férias, não seguem os ritmos de quem aqui vive. Há ruído, bebedeiras, portas que batem a qualquer hora e a segurança do edifício é colocada muitas vezes em causa. Já foi debatido o assunto em condomínio mas como em tudo, estamos entregues a um negócio sem controle e sem regras. Há ruas inteiras em Alfama, Castelo e Mouraria entregues a isto. Há turistas que curiosamente ficam surpreendidos com o facto de no prédio afinal só existirem outros turistas. Uma espécie de hotel clandestino. À minha porta num sábado passam mais de 40 tuk tuks. Não podemos ter as janelas abertas porque são muito poluentes. Os assaltos aumentaram na rua, grupos de romenos assaltam os turistas a qualquer hora do dia. É frequente ouvir pessoas a pedir socorro. É mesmo esta forma de gerir a que queremos e, que para o que não sabemos resolver, chamamos inevitável?

  • ze
    Responder

    Morei 14 ao pé do Largo da Rosa, ali a meio entre o Castelo e a Baixa e posso dizer que a zona evoluiu muito e para melhor, nos últimos anos. Quando fui morar para lá em 1999 era inacreditável como as coisas estavam para pior, a zona do M.Moniz e as próprias ruas mais acima. Mas à medida que vamos descendo para a Baixa, concordo com o que foi dito aqui, as coisas estão bem piores. A limpeza sempre foi um problema destas zonas. Mudei-me para a zona da Av.Roma (apenas para ter uma casa maior) e sinto muita falta da Baixa….

  • ze
    Responder

    *Morei 14 anos 🙂

  • Doctor Mid-Nite
    Responder

    o turismo riqueza do nosso pais? HA HA mais de 70% dos hoteis, restaurantes e lojas que cá abrem são de empresarios estrangeiros :3 Portugal é talvez a Horta da Europa, tudo cá planta, tudo cá colhe, tudo cá põe sal quando as coisas dão para o torto… acordem. Turismo sim, mas bem planeado… Não assim, com hosteis alemães em tudo quanto é esquina e cadeias de Fast food em cada rua, tenho que conviver com turistas, pois vivo e trabalho no dito “centro” de Lisboa e acreditam que maior parte deles odeiam a nossa comida, muitos chegam a dizer que onde melhor comeram foi no Burger King ou no Mcdonalds… engraçado que abriu um na Charles agora, porque será?

  • cardosocardoso
    Responder

    …pois a controversia é realmente interessante….não estou a favor de muito turismo nas cidades porque eu tambem sou e serei turista em Madrid, Lyon, Firenze, Atenas, Viena e muitas mais cidades, que por sinal ofrecem TODAS os mesmos serviços, onde se pode dormir nos mesmos hoteis, comprar as mesma lembranças etc.
    E muito redutor fazer de Lisboa uma cidade só para turistas, a economia não passa só por esse eixo.

  • Miguel
    Responder

    O País está a ser mal governado e a culpa e de todos nos.
    A sujidade que se reflecte nas ruas,desde os grafittis,passando pelos dejectos dos animais ou mesmo pessoas a escarrarem na rua sem nenhuma vergonha de o fazerem,deixa me pensativo,e incredulo,custa me a crer que este foi um pais que governou o mundo….tanto que podia ser feito,e tanto que se destroi em prol do dinheiro.
    Vou emigrar outra vez…

  • Vítor Cóias
    Responder

    Bom artigo, Samuel Alemão.
    Vai haver uma conferência sobre a Baixa Pombalina no Banco de Portugal, terça-feira 21. Inscreva-se em info@gecorpa.pt.

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