Autocarros da região de Lisboa passam a circular sob a marca única “Carris Metropolitana” a partir de 2020

ACTUALIDADE
Sofia Cristino

Texto

MOBILIDADE

Cidade de Lisboa

18 Outubro, 2018

O presidente da Área Metropolitana de Lisboa (AML), Fernando Medina, anunciou, ao início da tarde desta quarta-feira, a criação de uma marca única de transportes, a “Carris Metropolitana”, para os dezoito concelhos da região. Uma medida que apelidou de “histórica e revolucionária”. A operação só deverá arrancar em 2020. Mais cedo, em Abril de 2019, muda o sistema de bilhetes e passes. Dentro da capital, o passe não ultrapassará os 30 euros e na Área Metropolitana de Lisboa o valor máximo será de 40 euros. “Queremos que 2019 seja o ano do arranque para a melhoria do transporte público. Por 40 euros, passamos a poder ir almoçar a Sesimbra”, exemplifica Medina. Cada família não pagará mais de 80 euros mensais, o valor de dois passes. E as crianças até aos 12 anos não pagam. O objectivo é acabar com os dois mil títulos de transporte existentes, simplificando o sistema, disponibilizar mais autocarros, que sejam mais confortáveis e amigos do ambiente, com menos tempo de espera e mais frequência.

“Vamos ter mais autocarros, mais confortáveis e mais amigos do ambiente, menos tempo de espera e melhores frequências. A rede actual não serve a necessidade da população e, neste momento, cada município está a dizer a rede que quer do ponto de vista de carreiras e frequências para, nos próximos meses, fecharmos este trabalho de consolidação da rede”, prometia Fernando Medina, em conferência de imprensa ocorrida no início da tarde desta quarta-feira (17 de Outubro). Medina esteve reunido com os presidentes dos dezoito municípios da Área Metropolitana de Lisboa (AML), durante o final da manhã, nas instalações daquele órgão comunitário, para apreciarem a criação desta rede de transportes. O concurso vai ser lançado em lotes de redes municipais e intermunicipais, no início do próximo ano, de forma a que todas as empresas privadas de autocarros possam concorrer, mas terão de o fazer sob a marca “Carris Metropolitana”.

Mais de 900 mil pessoas da área metropolitana de Lisboa não têm, hoje, acesso ao passe intermodal, por viverem em zonas que não estão cobertas por este título. Só em Sintra vivem mais de 400 mil pessoas, e “a larguíssima maioria não está dentro do sistema de passe”, constata Medina. A ideia é, por isso, criar um sistema de bilhética único de forma a permitir que uma pessoa que apanhe um autocarro em qualquer parte da zona metropolitana (Palmela, Seixal, Almada, Montijo, Vila Franca de Xira, Mafra ou Amadora, por exemplo) utilize apenas um serviço de transportes. “O sistema de passes actual deixa de fora uma parte muito importante das pessoas que vivem na área metropolitana. Queremos acabar com a confusão e dificuldade enorme que estes serviços de transporte constituem para o dia-a-dia dos cidadãos, penalizando a sua qualidade de vida e o funcionamento das cidades. Há dois mil passes diferentes a serem transaccionados e queremos acabar com isso”, avança.

dav

O passe mensal para quem anda de transportes públicos na cidade descerá para 30 euros

A AML quer melhorar a experiência de quem anda diariamente de transportes públicos, principalmente das pessoas que vivem mais longe do centro de Lisboa ou do local de trabalho, e incentivar mais gente a deixar o carro em casa. “Estamos em contraciclo com o que está a acontecer na maior parte das cidades da Europa, que é a redução da dependência do automóvel. O desinvestimento de uma década em transporte público, no nosso país, fez com que a dependência do automóvel aumentasse. Entram em Lisboa 370 mil automóveis diariamente, depois do período da crise passaram a entrar mais 15 mil automóveis”, informa o autarca.


 

A partir de Abril de 2019, o valor do passe intermodal também vai baixar. Vai ser possível andar em todos os meios de transportes da Área Metropolitana de Lisboa por um valor máximo mensal de 40 euros e, dentro do município de Lisboa, por 30 euros. “As pessoas que vivem fora da cidade de Lisboa – em Cascais, em Sintra, em Loures, em Oeiras, entre outros – têm, à partida, de comprar mais do que um título, e o preço é sempre a somar. Chegamos a valores incomportáveis de passe de 120 e 140 euros. Percebemos que este sistema não atrai pessoas a andar de transporte público e, ao baixar, acreditamos que a procura vai ter um aumento extraordinariamente significativo. Por 40 euros, passamos a poder ir almoçar a Sesimbra, por exemplo”, exemplifica Medina.

 

As crianças até aos 12 anos passam a viajar gratuitamente na rede de transportes públicos e cada família pagará, no máximo, o valor de dois passes (80 euros), independentemente do número de pessoas que constituem o agregado familiar. As medidas aprovadas, nesta quarta-feira, “por unanimidade e aclamação” pelos dezoito presidentes das câmaras municipais da Área Metropolitana de Lisboa, foram permitidas pela proposta de Orçamento do Estado (OE) para 2019, apresentada nesta segunda-feira (15 de Outubro). Parte do financiamento que as autarquias vão receber através do OE 2019 servirá para custear a redução no passe agora anunciada e para que as câmaras invistam na melhoria da rede de transportes públicos.

 

 

O Governo propõe-se a financiar em 83 milhões de euros a progressiva redução do preço dos passes dos transportes. E, desse valor, “um mínimo de 60% será aplicado à redução dos tarifários, nomeadamente a diminuição do preço dos passes, a criação de passes família e a gratuitidade do transporte para menores de 12 anos, devendo a parte remanescente ser destinada à melhoria da oferta e à extensão da rede pública”. Os concelhos da Área Metropolitana de Lisboa, segundo Medina, acordaram investir 30 milhões de euros na melhoria do sistema de transportes.

 

 

“É um dia histórico para a cidade de Lisboa. Queremos que 2019 seja o ano do arranque para a melhoria do transporte público e estamos confiantes que estamos a construir um sistema de transportes públicos muito melhor. Não haverá melhor investimento que possamos fazer para a melhoria da qualidade de vida, para o combate das alterações climáticas, mas também para dar mais justiça social e assegurar que aqueles que trabalham mais longe dos locais de emprego e têm todos os dias de se deslocar e apanhar vários transportes públicos, possam ter uma vida mais simples e mais rendimentos para si ao final do mês”, concluía Medina.

MAIS ACTUALIDADE

COMENTÁRIOS

  • utente anónimo
    Responder

    Pela notícia o novo sistema parece uma excelente ideia mas também pela notícia estão a criar um monstro que não é auto-sustentável. Não só as câmaras municipais terão de investir dezenas de milhões como ainda será fortemente subsidiado pelo estado. Assim, a ter o apoio mãos largas dos estado, qualquer município bem pode criar o mais fabuloso sistema de transportes.

    E, como já é costume, quantos anos demorará até que este monstro seja um sorvedouro de dinheiro com dívidas na ordem das centenas de milhões? O que me faz pensar…quem irá gerir todo este sistema? E será que as empresas privadas que eventualmente concorrerão para fazerem parte do sistema saberão realmente aquilo em que se vão meter?

    • Patrícia
      Responder

      Deixe so pensar no seu cu toda popukacao tem direito tranpirtes pague um passe de quase 200euros para ver que e bom NAO ter outro meio transpirte ou ficar presa numa zona pk nem dinheiro tem para o passe deixe pensar so em si gente egoista povo queixa.se de mais conidista do caralho acho bem investir melhores tranportes sim nem todo mundo tem dinheiro para passes ce luxo ou tirar a carta de conducao

    • Patrícia
      Responder

      Alem se investem pk teem dinheiro para isso em vez prejudicar feche a boca

Deixe um comentário.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

O Corvo nasce da constatação de que cada vez se produz menos noticiário local. A crise da imprensa tem a ver com esse afastamento dos media relativamente às questões da cidadania quotidiana.

O Corvo pratica jornalismo independente e desvinculado de interesses particulares, sejam eles políticos, religiosos, comerciais ou de qualquer outro género.

Em paralelo, se as tecnologias cada vez mais o permitem, cada vez menos os cidadãos são chamados a pronunciar-se e a intervir na resolução dos problemas que enfrentam.

Gostaríamos de contar com a participação, o apoio e a crítica dos lisboetas que não se sentem indiferentes ao destino da sua cidade.

Samuel Alemão
s.alemao@ocorvo.pt
Director editorial e redacção

Daniel Toledo Monsonís
d.toledo@ocorvo.pt
Director executivo

Sofia Cristino
Redacção

Mário Cameira
Infografías 

Paula Ferreira
Fotografía

Margarita Cardoso de Meneses
Dep. comercial e produção

Catarina Lente
Dep. gráfico & website

Lucas Muller
Redes e análises

ERC: 126586
(Entidade Reguladora Para a Comunicação Social)

O Corvinho do Sítio de Lisboa, Lda
NIF: 514555475
Rua do Loreto, 13, 1º Dto. Lisboa
infocorvo@gmail.com

Fala conosco!

Faça aqui a sua pesquisa

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com

Send this to a friend