Um autarca do centro histórico de Lisboa apelou, esta terça-feira (25 de Novembro), à Câmara Muncipal de Lisboa para que discipline urgentemente a actividade dos tuk tuk, que estará a causar um mal-estar crescente aos moradores.

Perante a Assembleia Municipal, Miguel Coelho (PS), presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, disse que a exploração destes veículos “está, neste momento, desordenada e completamente descontrolada” pelo que é necessário um regulamento próprio.

Esta freguesia resulta da agregação de 12 circunscrições da zona histórica, abrangendo bairros como o Castelo, Alfama, Mouraria, Chiado, Baixa, São Nicolau ou Socorro.

Coelho argumentou, numa das duas recomendações que apresentou à Assembleia Municipal, que a “actividade diária e constante dos Tuk-Tuk provoca muito ruído e poluição pelos sítios onde passam e tem vindo a causar um crescendo mal-estar nos residentes dos bairros históricos, pondo em causa o seu direito à privacidade e à tranquilidade.”

“Igualmente, circulam muitas vezes com total desrespeito pelas regras do Código da Estrada, não respeitando sentidos proibidos e ruas de exclusiva circulação pedonal”, prosseguiu.

Os condutores destas motoretas destinadas aos turistas – cujo número se ignora – “não olham a meios para estacionar e parquear os veículos nos vários pontos dos percursos que percorrem, causando por vezes engarrafamentos no trânsito e também danos nas calçadas dos passeios”, lê-se na recomendação.

O autarca sugeriu ainda à CML que estabeleça um número máximo para estes veículos e pediu mais fiscalização por parte da PSP.

O negócio dos tuk tuk tem sido também criticado pelos taxistas, que se queixam de concorrência desleal. Em Julho, o vereador Manuel Salgado disse que a Direcção Municipal de Mobilidade e Trânsito estava a preparar um regulamento.

Cresce descontentamento com bares

Noutra recomendação, Miguel Coelho avisou também que a falta de intervenção para travar o impacto negativo dos bares e outros estabelecimentos nocturnos está a gerar “um profundo descontentamento contra o poder autárquico”.

As medições do ruído dos bares chegam sempre tarde e não são eficazes, advertiu. Há bares licenciados até às quatro da manhã, em ruas com menos de dois metros de largura, exemplificou. O ruído e a falta de higiene têm sido motivo de reclamações de muitos residentes na grande freguesia do centro histórico e são vários os que dizem “que vão mudar de residência porque não suportam o barulho”, afirmou Miguel Coelho.

O presidente da junta quer que as autorizações municipais à alteração do horário dos bares sejam condicionadas a parecer vinculativo da sua autarquia. Ou, em alternativa, que a competência das autorizações municipais seja transferida para a freguesia.

Texto: Francisco Neves

  • Maria Papoila
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    apoiado!

  • Luís Pinheiro de Almeida
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    também acho…

  • Paula Marques
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    A CML não atribuiu licenças, essas empresas foram licenciadas pelo Turismo de Portugal. O funcionamento desses veículos faz-se à margem de qualquer controle ou regras municipais.

  • Carlos Martinho
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    #StephenKing @ocorvo_noticias: Autarca do centro histórico alerta para “descontrolo” dos tuk tuk – http://t.co/2D4DSX8qZy

  • Eugenia M. Pires
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    Que este seja o princípio de um debate sério sobre esta aparente galinha dos ovos de ouro chamada turismo. Espero que a CML tenha sido cautelosa na atribuição das licenças para os tuk tuk e lhe tenha dado um limite temporal – revisto anualmente, por exemplo para poder fazer correcções. Em linguagem do Banco Mundial chama-se monitorização das intervenções políticas.

  • Natália Vilarinho
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    Uma praga, pior mesmo só os carrinhos de choque amarelos super poluentes e barulhentos. Porque é que eu tenho de fazer inspecções regulares ao meu carro e eles poluem assim alegremente a cidade?

    • Filipa
      Responder

      Acho piada a estes comentários.

      Se não fosse o turismo estavamos bem lixados neste país.

      Sim realmente os tuk tuk já são de mais, mas a ideia não é mau de todo. E como é que sabem se não pagam imposto? E claro que os carros como outro veículo qualquer em turismo são inspeccionados.

      Isto chama se inveja e não terem mais nada que fazer na vida. Cada um tem o seu trabalho, e por alguma razão nem todos são engenheiros ou arquitectos.

      Toda a gente em turismo em todas as áreas de turismo trabalham como outra pessoa qualquer. Mas este país só sabe é criticar.

      A única coisa que apoio é o problema dos carteiristas, pedintes, drogados, ciganos… e taxistas que a maioria parece que tirou uma licenciatura em má educação. Pensam que são os donos do mundo.

      Este país tem é que crescer e o turismo pode ser uma das soluções.

  • MV
    Responder

    Os bares já lá estavam antes dos incomodados se mudarem para lá. Quem está mal muda-se já dizia o outro.

    Estes politicos adoram tirar partidos sem pensar nas consequências.

    Esta zona de bares é quase única na cidade. Continuar a limita-la e a destruí-la só contribui para perdas bem piores do que o comercio imobiliário. Que é o “grande problema” do senhor politico que depois não recebe a sua cota.

    E mais uma vez, os bares não tem culpa da falta de civismo. Porque não pensar em infra-estruturas como casas de banho publicas? Ou manter uma fiscalização e penalização mais elevada e eficiente?

    Não. Isso já não beneficia as intenções do senhor politico…

    • Pedro Correia
      Responder

      Isso simplesmente não é verdade. Exceptuando o Bairro Alto, mais nenhuma zona do centro de Lisboa tinha uma vida nocturna massificada como hoje em dia. Nomeadamente no Cais do Sodré, onde a explosão de bares se deu apenas há meia dúzia de anos. Antes disso já lá vivia muita gente e a animação nocturna resumia-se a meia dúzia de bares ou discotecas à porta fechada, frequentados por uma poucas centenas de pessoas e que causavam incómodos relacionados com a prostituição e tráfico de drogas, mas a um nível infinitamente menor do que os de hoje.
      A falta de civismo é dos frequentadores mas também dos donos dos bares. São eles que têm que se responsabilizar pela limpeza da zona e garantir condições de higiene aos clientes. Mas lá está, é mais fácil facturar e ao fim da noite fechar a porta e olhar para o lado. A câmara que use o dinheiro dos contribuintes para limpar a porcaria que eles geram.
      De facto é uma zona de bares unica. Uma zona que começa a ter uma dimensão desproporcionada – do Principe Real até Santos – e que começa a alastrar para Alfama. O que vale é que não vive ninguém nestas zonas!

  • Paulo Moreira Pereira
    Responder

    São muito giros em Banguecoque!

  • pedro miguel
    Responder

    E que dizer das esplanadas na baixa? Que para além de mesas e cadeiras no meio da rua já começam também a ocupar os passeios junto às paredes sem respeitar regras ou limites. Duvido que tenham licenças para ocupar os passeios da forma que o fazem e se não têm licença então onde param os agentes fiscalizadores que raramente são vistos nestes locais?A semana passada perguntei a um agente da autoridade (policia municipal)se era permitido a colocação de mesas e cadeiras no passeio, indicando-lhe o espaço comercial em questão, ali na rua da Vitória e a resposta que obtive foi a seguinte: “se não passa deia a volta”.

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