Ateliers municipais vão abrir as portas ao público uma vez por mês

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Fernanda Ribeiro

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URBANISMO

Alvalade

27 Outubro, 2014

Desde 2010 que a Câmara Municipal de Lisboa quer dinamizar os ateliers municipais e mostrá-los ao público. Mas foi depois do Lisboa de Portas Abertas, da Trienal de Arquitectura, que ganhou fôlego para promover ela própria visitas aos espaços que aluga aos artistas nos Coruchéus e nos Olivais. A próxima visita é já no dia 29 de Outubro.

A Lisbon Open House/Lisboa de Portas Abertas, organizada pela Trienal de Arquitectura, começa a dar frutos e já convenceu outras entidades a mostrar com mais regularidade o que se faz nalguns dos espaços que habitualmente estão vedados ao público e apenas abrem uma vez por ano, no âmbito daquela iniciativa.

Convencida da curiosidade do público ficou já a Câmara Municipal de Lisboa, a quem pertencem as galerias e os ateliers municipais existentes no complexo dos Coruchéus, em Alvalade, que foi um dos espaços incluídos no programa da mais recente edição da Lisbon Open House.

O interesse suscitado pelas visitas que se realizaram a estes espaços quer em 2013, quer em 2014, na Lisboa de Portas Abertas, levou a câmara a organizar ela própria novas visitas. A próxima será dia 29 de Outubro, pelas 15h00, também ao Complexo dos Coruchéus, onde além da galeria Quadrum serão visitados dois ateliers, o dos artistas João Seguro, que trabalha em escultura e desenho, e Rita Roberto, mais ligada à dança.

“Estamos a pensar promover estas visitas com mais regularidade e fazê-las uma vez por mês”, disse ao Corvo João Mourão, chefe da divisão de ateliers e galerias da Câmara Municipal de Lisboa, confirmando o que fora transmitido pelo responsável que dia 11 de Outubro conduziu a visita da Lisboa de Portas Abertas ao Complexo dos Coruchéus, em Alvalade.

Ali existem perto de 50 ateliers de artistas plásticos, dois dos quais, Jorge Leal e Ângela Ferreira, abriram nesse dia as portas dos seus espaços de trabalho.

A visita chamou mais de duas dezenas de pessoas e foi realizada num sábado com sol – o que ajudou a ilustrar as preocupações tidas com a luz no projecto arquitectónico de Fernando Peres Guimarães para a obra inaugurada em 1971.

No projecto, destaca-se precisamente o aproveitamento da luz e da forma como ela penetra nos espaços. Além dos ateliers, nos Coruchéus funciona também a galeria Quadrum, que reabriu em 2010, no rés-do-chão de um dos edifícios do complexo e que foi um espaço artístico importante e de vanguarda da Lisboa dos anos setenta do século XX. Dirigida pela pintora Dulce D’Agro, que a abriu em 1973, na Quadrum cruzavam-se artistas como Paula Rego, Palolo, Ernesto de Sousa, Fernando de Azevedo e Lourdes Castro.

Agora, no dia-a-dia, mal se dá pela presença dos artistas que ocupam os ateliers dos dois blocos do complexo, até porque as portas estão muitas vezes fechadas. Mas, quando se abrem, há uma luz que se revela.

“Este é o atelier que eu sempre quis ter. É o meu quinto atelier e nunca tinha tido nenhum tão bom. Até porque aqui se sente a qualidade de vida que a boa arquitectura permite”, dizia, entusiasta, o pintor e arquitecto Jorge Leal, quando recebeu mais de 20 pessoas nos 48 metros quadrados onde trabalha.

Licenciado em arquitectura e pintor, com um doutoramento em Desenho, Jorge Leal falou também do seu percurso e do que actualmente o move. “Estou a tentar que a minha pintura se transforme em desenho”, explicou aos participantes na visita ao atelier.

Dezenas de desenhos estavam, aliás, à mão de semear, empilhados sobre as mesas de trabalho, para poderem ser vistos por quem os quisesse apreciar. Na arrumação notória do atelier – até para permitir a invasão por tanta gente que o quis visitar naquele dia –, havia um cuidado cinematográfico com a imagem, onde se cruzavam desenhos e objectos que eram as peças desenhadas, também à vista.

Trabalhar é algo que Jorge Leal faz ali com um prazer evidente e também de conquista, até porque já há muito tempo desejava ter um atelier nos Coruchéus – o que conseguiu em 2013, quando se candidatou a uma das vagas do segundo concurso público para aluguer de espaços aberto pela câmara. Foi um dos 10 escolhidos pelo júri. Outros 14 haviam sido já entregues a outros artistas plásticos em 2010, quando se começou a tentar renovar a ocupação dos Coruchéus, onde há também artistas que já lá estão há 30 anos.

Além dos espaços deste complexo, a Câmara Municipal de Lisboa detém outros ateliers nos Olivais, igualmente arrendados a artistas que se têm candidatado, entre os quais estão Fernanda Fragateiro e Bruno Castanheira.

“Para já, vamos fazer o teste e avaliar o interesse do público nestas visitas, que queremos realizar a cada final de mês, tendo como alvo o público em geral”, diz o chefe da divisão de galerias e ateliers municipais.

“Antes, fazíamos visitas guiadas, mas apenas para escolas do ensino secundário ligadas às áreas artísticas. Agora, vamos alargar o âmbito. E cruzar também artistas mais jovens com artistas que estão há 30 anos nos Coruchéus”, acrescentou João Mourão.

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  • Nuno Rebelo
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