No relatório provisório com as recomendações do debate especial ocorrida na semana passada, pede-se à Câmara Municipal de Lisboa que seja promovida uma nova auditoria de segurança, “feita ao projecto e não ao estudo prévio”. Além disso, recomenda-se à autarquia que inclua uma ciclovia no projecto e pondere “a prioridade em termos de circulação para veículos elétricos, híbridos e a gás”. Pede-se também que não seja aumentada a probabilidade de colisão de aves com aviões. É, aliás, bem longa a lista de recomendações à autarquia liderada por Fernando Medina.

 

Texto: Samuel Alemão

 

A Assembleia Municipal de Lisboa (AML) vai recomendar à Câmara Municipal de Lisboa (CML) que mantenha os rails metálicos no separador central da Segunda Circular e opte pela colocação de arbustos no mesmo, em detrimento da plantação de árvores, quando se proceder à grande obra de remodelação daquela via. Essa é, aliás, a primeira de um alargado conjunto de sugestões feitas pela assembleia à câmara, na sequência da primeira sessão do debate especial organizado pela AML sobre a polémica intervenção, realizado a 1 de Fevereiro. O rascunho com as conclusões e recomendações sobre o debate, que será sujeito a votação, na sessão desta quarta-feira (10de Fevereiro), justifica tal pedido com razões de segurança.

 

O documento – que faz recomendações quanto ao projecto, à execução da obra, a outras “intervenções necessárias” e ainda quanto ao “enquadramento da intervenção” – diz que será desejável “manter o separador central com rails e com arbustos, em vez de árvores de folha caduca ou com bagas que tornam o piso mais perigoso, de modo a proteger o trânsito, garantindo um sistema de retenção de veículos, e a desincentivar ao mesmo tempo o atravessamento de peões”. E, logo de seguida, o relatório solicita à autarquia que seja promovida “uma nova auditoria de segurança, feita ao projecto e não ao estudo prévio”.

 

A terceira recomendação do relatório em relação ao projecto é a de que o mesmo venha a prever “a futura inclusão de uma ciclovia, apostando na mobilidade sustentável” – preocupação que leva a que se solicite à CML que pondere “a prioridade em termos de circulação para veículos elétricos, híbridos e a gás”. Mas o papel do transporte público é também relevado: “Dado o aumento previsível de utentes do aeroporto e a necessidade de facilitar a circulação de veículos de emergência, admitir a futura criação de faixas Bus para transportes colectivos, de acordo com as condições de cada troço, a implementar de forma progressiva”. A isso, acrescenta-se a recomendação de “ponderar a possibilidade de os eixos de entrada e saída contemplarem a prioridade ao transporte colectivo”.

 

A celeuma causada em torno da possibilidade de as árvores que vierem a ser plantadas na zona de intervenção – sete milhares, de acordo com o que está previsto na versão original do projecto – causarem perturbações na circulação aérea também não é esquecida. Chegou-se a falar em eventual dano à segurança dos voos em consequência do alegado aumento da proliferação de aves, atraídas pelo arvoredo. Por isso, o relatório pede para “não agravar as condições do risco de bird strike, reforçando os níveis de controle da avifauna, não apenas nos cones de aterragem, mas também na envolvente do aeroporto”.

 

Mas vai mais longe. “Escolher bem as espécies arbóreas a introduzir, em função do porte, das necessidades de manutenção, do tempo de desenvolvimento e do torrão de solo necessário para o efeito”, indica o esboço de relatório – que é assinado por Helena Roseta, presidente da AML, e Diogo Moura, deputado municipal do CDS-PP, partido que solicitou a realização deste debate. “Considerar no projecto a promoção da biodiversidade e de zonas de acalmia de trânsito nos locais de maior sinistralidade, permitindo à fauna silvestre fazer a sua travessia e ter em conta o bem-estar animal na análise de especialidade do projecto”, acrescenta.

 

Ainda no que concerne ao projecto, recomenda-se que se defina um limite de velocidade bi-horário, “durante o dia mais reduzido e à noite mais alargado”. Essa adaptabilidade deve ainda estender-se ao campo da sinalização. Por isso, pede-se “uma sinalização dinâmica e um controle de velocidade consoante os volumes de tráfego e em vários pontos, e não apenas em 3 pontos nos 10 km de extensão da 2ª Circular”. Por último, pede-se à CML o “dissipar das dúvidas que persistam sobre o projecto, nomeadamente em questões de segurança, mais especificamente no que concerne à interação com a zona do aeroporto”. Tudo isto é dito sobre o projecto.

 

Em relação à sua execução, são feitas quatro recomendações. A primeira postula que “A câmara deve programar bem a obra e assegurar as condições de segurança durante a sua execução, designadamente ao nível das sinalizações”. O Aeroporto merece especial atenção, fazendo-se notar que a acessibilidade ao mesmo “não pode ser posta em causa durante a execução da obra”, porque esta importante infraestrutura “funciona sete dias por semana, vinte e quatro horas por dia”. Além disso, “deve ser sempre garantida a operacionalidade numa zona de protecção de 600 metros em redor do aeroporto, em caso de acidente, através da possibilidade de aterragem de helicópteros e de as viaturas de emergência poderem fazer a inversão de marcha sem terem de ir à Rotunda do Relógio”.

 

Por último, e no que diz respeito apenas à execução da obras, faz-se notar que, “nos primeiros 5 anos, a manutenção dos espaços verdes deve ser cuidadosamente garantida, porque se trata de sistemas vivos que precisam de tempo para se desenvolver”.

 

O documento faz depois uma listagem de assuntos que, embora não directamente relacionados com a execução do projecto, têm com ele uma relação inequívoca e devem, por isso, ser resolvidos. À cabeça, vem a necessidade de a câmara “pressionar o Governo para a execução de três obras fundamentais para retirar o trânsito da 2ª Circular: ligação da A5 ao Eixo Norte-Sul, ligação do IC19 à CRIL em Pina Manique e ligação da A1 à CRIL no Prior Velho”.

 

Entre outras, a lista inclui ainda as seguintes recomendações: “A Câmara deve reflectir sobre o desvio de trânsito para outras vias e desenvolver uma campanha de sensibilização”; “É fundamental resolver a primeira transversal de Lisboa, o que tem de ser feito em articulação com a intervenção na 2ª Circular”; “A Câmara deve fazer a monitorização da qualidade do ar e do ruído na 2ª circular, antes, durante e depois da intervenção”; “É fundamental criar bolsas de estacionamento nos limites da cidade e garantir a ligação ao centro e a várias outras zonas pelos diferentes meios de transporte”.

 

Para terminar a lista de recomendações relacionadas com “outras intervenções necessárias”, o esboço de relatório pede: “Aproveitando o corredor da 2ª Circular, a Câmara deve sensibilizar o Governo para a introdução de um transporte público coletivo, por exemplo, elétrico rápido ou metro de superfície, ligando interfaces de transportes, eventualmente do aeroporto até à estação da CP de Benfica, podendo ser prolongado até Algés”.

 

O texto, que terá ainda de ser aprovado pelo deputados da AML, termina com um conjunto de recomendações relativas ao “enquadramento da intervenção” e que têm como principal linha de força o sublinhar da necessidade de se apostar no investimento no transporte público.

 

  • Miguel Fonseca
    Responder

    Porquê?
    A Ciclovia entende-se e aceita-se… todas as restantes recomendações são, simplesmente, palermas e sem qualquer lógica.
    É para isto que andamos a pagar fortunas a Deputados Municipais?

    Há que aceitar quando é que uma ideia é boa e quando uma ideia é má. Lançar ideias e ajustamentos “só porque sim” é um contra-senso!

    Daqui a pouco, estamos a fazer reuniões extraordinárias para decidir o tamanho dos arbustos/árvores/arvoredos. Só porque sim.

  • Tuga News
    Responder

    [O Corvo] Assembleia Municipal pede manutenção de rails no separador central da 2ª Circular e nova aud… https://t.co/6MZGf6mqO6 #lisboa

Deixe um comentário.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

O Corvo nasce da constatação de que cada vez se produz menos noticiário local. A crise da imprensa tem a ver com esse afastamento dos media relativamente às questões da cidadania quotidiana.

O Corvo pratica jornalismo independente e desvinculado de interesses particulares, sejam eles políticos, religiosos, comerciais ou de qualquer outro género.

Em paralelo, se as tecnologias cada vez mais o permitem, cada vez menos os cidadãos são chamados a pronunciar-se e a intervir na resolução dos problemas que enfrentam.

Gostaríamos de contar com a participação, o apoio e a crítica dos lisboetas que não se sentem indiferentes ao destino da sua cidade.

Samuel Alemão
s.alemao@ocorvo.pt
Director editorial e redacção

Daniel Toledo Monsonís
d.toledo@ocorvo.pt
Director executivo

Sofia Cristino
Redacção

Mário Cameira
Infografías 

Paula Ferreira
Fotografía

Margarita Cardoso de Meneses
Dep. comercial e produção

Catarina Lente
Dep. gráfico & website

Lucas Muller
Redes e análises

ERC: 126586
(Entidade Reguladora Para a Comunicação Social)

O Corvinho do Sítio de Lisboa, Lda
NIF: 514555475
Rua do Loreto, 13, 1º Dto. Lisboa
infocorvo@gmail.com

Fala conosco!

Faça aqui a sua pesquisa

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com