Nos últimos anos, tornaram-se frequentes nas paredes de todos os bairros de Lisboa e arredores, mas também nas suas montras e portas de prédios de habitação. Por todo o lado, há papéis afixados pedindo ajuda para encontrar determinado animal de estimação do qual se perdeu o rasto. Ou dando conta que se encontrou um, mas se lhe desconhece o dono. Por regra, anunciam cães, a maioria das vezes, e gatos, em menor número. Mas também os há com papagaios ou periquitos. Nestes anúncios de fabrico caseiro existe quase sempre uma fotografia a acompanhar a descrição física do animal e o número de telefone ou o email de contacto.

 

Em quase todos os casos, quem procura o seu bicho de estimação acrescenta a essa caracterização mais ou menos pormenorizada um nome e, sobretudo, uma tipificação do que considera ser os principais “traços de carácter” do seu animal. “Meigo” é o adjectivo mais comummente utilizado nessas tentativas – a denotar uma certa angústia, adivinha-se – de quase dar uma justificação merecedora da compreensão do passante na via pública para uma eventual ajuda em tal demanda. Em cada caso, existirá uma aflição suficientemente grande para motivar a afixação. São sentimentos expostos na superfície das paredes e dos vidros que compõem o tecido urbano. E que, de certa forma, ajudam a humanizar a cidade, além de lhe conferirem uma singular identidade visual.

 

Texto e fotografias: Samuel Alemão

 

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