Crónica

Sábado, 18:30. Estação das Laranjeiras.

– Vamos todos ver as luzes, dizia a mulher ao filho, um miúdo de dois ou três anos, espantado com o cenário à sua volta.

“Todos” eram as outras crianças e os outros pais que aguardavam o metro para o Terreiro do Paço. Alguns iam em carrinhos de bebé, desafiando a chuva prevista pelo serviço meteorológico. É raro ver tantos bebés e crianças no metro!

À saída, a Praça do Comércio estava às escuras, com os candeeiros em redor desligados. Uma compacta multidão concentrava-se entre a estátua de Dom José e o Arco da Rua Augusta. Alguns pais tinham os filhos às cavalitas. Só se viam vultos, de costas para o Cais das Colunas, a olharem para o mesmo sitio.

Às 19:00, em ponto, irromperam às luzes, jatos de muitas cores – azul, vermelho, verde, rosa, prateado… – projetados sobre a fachada do Arco e dos edifícios contíguos. É um espetáculo de ‘video mapping’, gratuito, intitulado “As Portas Encantadas”. Dura 15 minutos, três sessões por dia (às 7, 8 e 9 da noite), até 20 de dezembro.

De repente, começou a chover, mas a maioria continuou presa às luzes, contemplando uma Praça do Comércio psicadélica. “Lucy In the Sky with Diamonds”, como cantavam os Beatles?!…

Os pais mais previdentes tinham um plástico transparente para cobrir os carrinhos de bebé. No final, em vez de “Fim”, aparece FELIZ NATAL – em português e em mais de uma dezena de outras línguas, incluindo árabe, chinês e russo.

Subindo depois a Rua Augusta em direção ao Rossio, havia outro motivo de festa.

– Eia, eia, eia, está a nevar!

Era espuma branca, despejada à entrada de um café por um pequeno motor elétrico, mas no ecrã do telemóvel parece mesmo neve.

 

Texto: António Caeiro

 

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