Árvore classificada nos Anjos alvo de intervenção polémica deverá ser salva por suportes nas pernadas

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Samuel Alemão

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AMBIENTE

Arroios

13 Setembro, 2018

A bela-sombra situada nas traseiras da Igreja dos Anjos, em Arroios, que em meados de Agosto foi alvo de uma poda de emergência pelos serviços da junta de freguesia, devido à inesperada queda de uma pernada, será sujeita a uma intervenção de reabilitação através da “instalação de suportes para apoio das pernadas e braças pesadas”. A operação será realizada pela autarquia, por sugestão do Instituto de Conservação da Natureza e da Floresta (ICNF), que realizou uma inspecção técnica à árvore classificada como sendo de interesse público, na sequência das fortes críticas feitas à junta por grupos cívicos e ecologistas. Na altura, houve mesmo quem falasse numa “poda agressiva” e desnecessária, mas a autarquia garantiu a O Corvo que tinha agido da forma mais adequada, na sequência da queda de uma pernada na madrugada de 13 de Agosto.

O incidente, que casou danos em 40% da copa, terá levado a junta de freguesia a consultar a empresa de manutenção dos espaços verdes por si contratada, para definir como lidar com a situação. As intervenções de carácter urgente, realizadas nos dois dias seguintes, limitaram-se à “limpeza dos ramos partidos e esgalhados, que se encontravam no chão e pendurados”, informou a autarquia num comunicado emitido a 28 de Agosto, na sequência da denúncia pública por parte do grupo cívico Plataforma em Defesa das Árvores daquilo que apelidou de “barbárie” e de operação “verdadeiramente escandalosa”. Admitindo tratar-se de um exemplar com grande valor patrimonial, a Junta de Arroios explicava nesse comunicado que “a intervenção realizada se limitou estritamente à zona que tinha danos resultantes da já referida quebra de pernada” e prometia uma operação de reequilíbrio de copa, a realizar em articulação e com a presença de técnicos do ICNF.

Ainda antes de tal esclarecimento formal da autarquia, uma das responsáveis pela Plataforma em Defesa das Árvores, Rosa Casimiro, disse a O Corvo que a poda realizada não fazia sentido, chegando mesmo a apelidá-la de “acto de vandalismo”. Já depois de divulgadas as explicações da Junta de Arroios, o Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV) entregou, a 5 de Setembro, um requerimento na Assembleia Municipal de Lisboa, solicitando à Câmara de Lisboa explicações sobre o processo associado à poda realizada na Phytolacca dioica de grande porte – classificada como árvore de interesse público apenas desde Abril passado. Recordando que “tem feito sucessivos alertas e denúncias sobre más práticas de procedimentos de abate e podas no passado recente”, o partido questionava as razões por detrás da intervenção e perguntava se havia sido solicitada autorização ao Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas para proceder à poda.

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A queda da pernada obrigou a uma intervenção de emergência

Dúvidas em relação às quais O Corvo também solicitara, a 28 de Agosto, uma clarificação por parte do instituto público. A resposta escrita apenas chegou nesta quarta-feira (12 de Setembro), nela se salientando que no caso de intervenções urgentes em arvoredo classificado, e face a situações de perigo eminente para a segurança ou saúde públicas, a legislação prevê que as mesmas “poderão ser imediatamente executadas, devendo posteriormente ser comunicadas ao ICNF, num prazo de 48 horas”. Terá sido esse o procedimento adoptado neste caso.


Na mesma nota escrita às perguntas d’O Corvo, a entidade pública com a tutela pela conservação do património arbóreo esclarece que, a 31 de Agosto, foi efetuada vistoria à árvore em questão, em conjunto com a Junta de Freguesia de Arroios, verificando-se que a mesma “perdeu quase todo o lado sul da copa, que ficou bastante desequilibrada e com tocos resultantes do corte das braças partidas e feridas de esgaçamento, que deverão ainda ser corrigidas”. Perante tal diagnóstico, os técnicos do instituto aconselharam uma medida mitigadora: “Foi sugerido à Junta de Freguesia de Arroios a instalação de suportes para apoio das pernadas e braças pesadas, de desenvolvimento horizontal, obstando à sua eventual rotura e queda”.

 

Na mesma nota, o ICNF esclarece que na espécie Phytolacca dioica “é habitual a rotura de pernadas e braças em períodos de muito calor e secura, em que se verifica uma grande desidratação dos seus tecidos fibrosos, que ficam muito estaladiço”. “O género Phytolacca é de plantas herbáceas, sendo a espécie dioica de porte arbóreo, sem estrutura lenhosa, que se desenvolve a partir de uma enorme ‘sapata’ na base, que vai crescendo indefinidamente e que, conjuntamente com os tecidos das pernadas e braças, constitui uma “esponja” que armazena água para o período seco”, acrescenta o instituto.

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COMENTÁRIOS

  • Carol Silva
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    Na zona circundante ao Hospital dos Capuchos cortaram as árvores “todas” já há bastante tempo e não plantaram novas. Agora nos dias muitos quentes a luz que incide no muro do Hospital até cega. Ficou esquisita a zona sem o arvoredo. No Campo de Santana em tempos caiu uma linda árvore gigante que residia junto ao lago. Depois de muitos anos não sobreviveu ao mau tempo mas o pior é que não se plantou nenhuma no lugar dela. A politica parece ser árvore que cai ou é cortada não é substítuida. Triste esta cidade árida e suja…

    • Happy Go Days
      Responder

      Tem toda a razão, quadrilhas de malfeitores legalizados tomaram conta da nossa Lisboa.

  • Gonçalo Serras Pereira
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    O costume a arvore classificada só cai em Arroios porque os Jardins e espaços publicos nao foram por Medina entregues a Salgado! Já tinhamos Arroios com um projecto de irrigação para os Jardins e limpeza dos Espaços com agua tratada do esgoto urbano e pluvial de Arroios.
    Esperem e vejam o que o Arq. Salgado prepara para o parque de estacionamento da Emel na Gomes Freire. Vai ser uma surpresa para a mobilidade eléctrica de Arroios . O Corvo já deve ter acesso ao projecto do novo parque de estacionamento e abastecimento de bicicletas e carros electricos e dos veiculos electricos para deficientes. Mais a cobertura deste parque vai já ser efectuada com paineis de produção de Energia Fotovoltaica de alto rendimento!
    Melhores cumprimentos

  • Happy Go Days
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    Custa, eu que cresci pendurada entre os ramos desta e da outra árvore que se encontra do outro lado da Igreja; tb custa ver o Jardim de S. Pedro de Alcântara transformado num terreiro; ou a estátua que se encontra no Rossio a ficar enferrujada.
    A CML é um covil de uma quadrilha de malfeitores.

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