Arco da Rua Augusta aberto ao público e estátua de D. José I reabilitada

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Fernanda Ribeiro

Texto & Fotografia

CULTURA

Santa Maria Maior

9 Agosto, 2013

Duas inaugurações num só dia. A do Arco da Rua Augusta, que é agora visitável pelo preço de 2,5 euros, e a da estátua equestre de D. José I, encoberta durante um ano.

Lisboa tem desde hoje, sexta-feira 9 de Agosto, um novo miradouro com vista para o Terreiro do Paço e para o Tejo, mas também para o Castelo e para toda a Baixa, com a abertura ao público do Arco da Rua Augusta, que esteve sete meses em obras.

Construído na sequência do terramoto de 1755, o monumento, que teve vários projectos e só viria a ser inaugurado em 1875, tornou-se agora pela primeira vez visitável, com estas obras que o reabilitaram e o dotaram de um elevador, a partir do qual se pode chegar ao topo. Uma subida que vale a pena não só para ver as vistas, que se estendem a partir da praça pelo rio fora até à outra margem, como para conhecer de perto as esculturas que fazem parte do arco triunfal, agora limpas e com contornos definidos. Num plano inferior vêem-se figuras históricas – Vasco da Gama, Viriato, o Marquês de Pombal e o Condestável D. Nuno Álvares Pereira e, num plano superior, o conjunto escultórico de Anatole Calmels, representado a alegoria da Glória, coroando o Génio e o Valor.

O acesso ao arco é pago, custa 2,5 euros por pessoa – só as crianças até aos 5 anos têm entrada gratuita – e pode ser visitado diariamente entre as 09h00 e as 19h00. As receitas que gerar destinam-se a custear as obras, orçadas em 950 mil euros e pagas pela Associação de Turismo de Lisboa. Uma verba que para o presidente adjunto da ATL, Mário Machado, presente na inauguração, não deverá ser de difícil recuperação, tendo em conta que se espera que o monumento seja visitado por várias dezenas de milhar de turistas por ano.

Além da subida ao topo, a visita ao Arco da Rua Augusta permite também conhecer a Sala do Relógio, situada num piso intermédio, onde em breves traços se conta a história do monumento. O arco teve um projecto inicial de Eugénio dos Santos – capitão que foi o autor da primeira planta de Lisboa pós-terramoto – que viria a ser reformulado em 1762 por Carlos Mardel, “substituindo a antiga torre do Relógio do Paço da Ribeira por uma torre sineira, com pináculos e fogaréus”, como afirmam as legendas interpretativas instaladas nesta área de exposição.

A par do Arco da Rua Augusta, reapareceu também sexta-feira no cenário lisboeta do Terreiro do Paço a estátua equestre de D. José I. Esta “jóia da coroa da estatuária portuguesa”, como lhe chamou José Blanc, da World Monument Fund Portugal, esteve encoberta durante um ano, enquanto duraram as obras de reabilitação. Elas foram coordenadas pela World Monuments Fund Portugal e desenvolvidas pelas empresas HCI e Nova Conservação – a cargo de quem esteve também a reabilitação do arco – com o apoio técnico de especialistas de diversas instituições, entre eles Fernando Henriques, da Universidade Nova de Lisboa e Delgado Rodrigues, do LNEC .

A inauguração destes dois monumentos, uma cerimónia que contou com a presença de António Costa, atraiu mais de uma centena de pessoas à Rua Augusta. Não é todos os dias que se inaugura um arco triunfal e o presidente da câmara e candidato socialista às próximas autárquicas em Lisboa reuniu ali muitos apoiantes. Tantos, que houve quem observasse ironicamente: “Afinal não está ninguém de férias”.

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A vista para a Baixa Pombalina

António Costa fez o historial das obras realizadas na zona ribeirinha e falou das que permitiram a reabertura do Arco da Rua Augusta. “Começamos agora a chegar ao fim de um longo percurso da regeneração do Terreiro do Paço”. Para tanto, sublinhou, houve que negociar com o Estado e com instituições como o Supremo Tribunal de Justiça, a Cruz Vermelha e a Associação de Socorros Mútuos dos Funcionários do Estado, a cedência de espaços que tornassem possível a instalação do elevador no interior do edifício.

A surpresa no discurso de António Costa surgiu quando, ao agradecer a todas as entidades envolvidas, nomeou não só estas entidades, todas elas ali representadas, como ainda os ex-ministros Vítor Gaspar e Miguel Relvas, que presidiram às negociações iniciais. Não se ouviram uuhs, nem quaisquer outras reacções. Os presentes permaneceram impávidos e parecem ter mesmo evitado reagir à menção dos nomes dos ex-governantes.

António Costa prosseguiu, dizendo que agora o seu objectivo é “não parar com estas obras e continuar a avançar as ideias” que tem para a cidade. Ou, por outras palavras, ser eleito.

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