No momento em que se comemora o 90º aniversário de Mário Soares, o executivo camarário de Lisboa vai apreciar e votar, na reunião da próxima quarta-feira (9 de Dezembro), a atribuição das “Chaves da Cidade” ao ex-Presidente da República e fundador do Partido Socialista (PS). A proposta, que tem o número 749/2014, é a última da ordem de trabalhos e foi subscrita pelo próprio presidente da autarquia e novo líder do PS, António Costa.

 

“A Chave de Honra da Cidade é um galardão municipal destinado a distinguir personalidades, instituições ou organizações nacionais ou estrangeiras que, pelo seu prestígio, cargo, acção ou relacionamento com Lisboa, sejam considerados dignos dessa distinção”, diz o artigo 1 do regulamento da Chave de Honra da Cidade de Lisboa, galardão instituído, em 1982, pelo então presidente da edilidade lisboeta, Nuno Krus Abecassis (CDS).

 

Em Maio de 2008, António Costa, na altura ainda a cumprir os primeiros meses como presidente da câmara lisboeta, atribuiu igual distinção a Durão Barroso, que desempenhava o seu primeiro mandato como presidente da Comissão Europeia. Tal honra foi contestada, sobretudo pelo papel de Barroso enquanto anfitrião da cimeira das Lajes que antecedeu a ocupação militar do Iraque, em 2003. O então chefe do governo português acolheu nos Açores os líderes norte-americano, George W. Bush, britânico, Tony Blair, e espanhol, José Maria Aznar.

 

A cerimónia de 2008, a que compareceu o então primeiro-ministro, José Sócrates, foi, por isso, boicotada pelos vereadores da CDU, por José Sá Fernandes, então independente eleito pelo Bloco de Esquerda (BE), e por Helena Roseta, eleita por um movimento independente. Na altura, Francisco Louçã, líder do BE, chegou a perguntar :”Para que se oferece uma chave da cidade a uma pessoa que não se quer cá dentro?”

 

Texto: Samuel Alemão

Comentários
  • Jorge Parente Baptista
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    Até a chave? Depois dos 40 mil euros já não faltava mais nada…

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