Antiga Feira Popular com escritórios, habitação e jardins. E 700 casas de renda acessível ao lado

ACTUALIDADE
Sofia Cristino

Texto

18-25 Studio

Fotografia

URBANISMO

Avenidas Novas

16 Maio, 2018

Em Entrecampos e na zona circundante vão nascer 700 habitações de renda acessível, um jardim, escritórios e equipamentos sociais, naquela que é “uma das maiores operações urbanísticas que Lisboa conheceu nas últimas décadas”. O presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, diz que se “transforma uma dificuldade numa oportunidade para a cidade resolver os seus problemas e ter o que hoje mais necessita: renda acessível, escritórios, espaços públicos de qualidade e equipamentos sociais”. O valor das rendas para a classe média vai situar-se entre os 200 e os 600 euros em função da capacidade do rendimento de cada família e da tipologia do prédio. Medina prevê ainda que sejam criados 15 mil postos de trabalho. O projecto Operação Integrada Entrecampos vai estar em discussão pública até ao final de Julho e representará um investimento de 800 milhões de euros. A autarquia gastará 100 milhões de euros na construção de 515 fogos, sendo a restante verba da responsabilidade de privados.

Depois de várias tentativas fracassadas de lhes dar uma nova utilização, conhece-se, finalmente, o rumo dos terrenos da antiga Feira Popular de Lisboa. Em pouco mais de um terço desta área, deixada ao abandono durante década e meia, vão nascer espaços verdes, dando continuidade ao jardim do Campo Grande. Essas zonas de coberto vegetal constituir-se-ão como uma parte dos cerca de 60% de área reservada a espaço público. Na restante, serão construídos escritórios, espaços comerciais e 279 habitações de venda livre. O objectivo é atrair empresas para aquela parte da cidade e assim fazer nascer 15 mil postos de trabalho, explicava o presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Fernando Medina, na manhã desta quarta-feira, 16 de Maio, durante a apresentação da Operação Integrada de Entrecampos. Instrumento através do qual se pretende também criar 700 novas habitações integradas no Programa de Renda Acessível.

“O que vai nascer nos terrenos da Feira Popular é o que estava previsto há cerca de dois anos: maioritariamente escritórios. Muitas empresas querem localizar-se e criar emprego em Lisboa e não encontram escritórios de qualidade na cidade. Esta é uma queixa recorrente e ter este espaço é essencial, até para que a vida das pessoas seja mais cómoda e tenha mais qualidade, ao estarem perto do trabalho e dos transportes”, explica o autarca, dando conta do projecto imobiliário orçado em 800 milhões de euros, sendo que a responsabilidade do município deverá ser inferior a 100 milhões. O projecto incluí ainda a criação, por iniciativa privada, de um parque de estacionamento subterrâneo na Avenida 5 de Outubro, com capacidade para dois mil lugares.

Medina está confiante que, desta vez, o projecto de ocupação daquela área da cidade não será um “fracasso”, porque abrange mais terrenos para além daqueles em que se localizava a Feira Popular. “Os escritórios não estavam no programa original. Há uma diferença, porque não é feita uma venda do terreno como parcela única. Vamos ter três hastas dentro do terreno da antiga Feira Popular e uma adicional, relativa ao terreno da Avenida Álvaro Pais”, esclarece.




 

Num triângulo constituído por parte da Avenida da República, a Avenida das Forças Armadas e a Avenida Álvaro Pais, com cerca de 25 hectares e “várias lacunas no seu desenvolvimento” – salientava Medina – vão ser construídos, ainda, 515 fogos para habitação acessível para as classes médias, dando resposta às necessidades habitacionais de duas mil pessoas. Ao todo, haverá 700 casas com estas características, sendo que 63 fogos vão nascer em terrenos da Santa Casa da Misericórdia, na Avenida das Forças Armadas e as restantes 122 nascerão da reconversão de escritórios da Segurança Social, na Avenida da República. Às habitações a custos controlados juntar-se-ão 279 em regime de venda livre, no espaço da antiga feira, junto à rotunda de Entrecampos. Haverá ainda espaço para três creches, um jardim de infância, uma unidade de cuidados continuados, centros de dia e um lar.

ocorvo16052018entrecampos4

Os escritórios e o comércio deverão criar 15 mil empregos, estima a Câmara de Lisboa

A primeira parte desta operação a estar finalizada será a reconversão de prédios da Segurança Social, ao longo da Avenida da República, actualmente afectos a escritórios, em habitação social. “São localizações de excelência, vai haver prédios mesmo em cima da rotunda do Entrecampos. Contamos ter esse processo concluído ao longo do ano de 2019”, estima Fernando Medina.

 

O valor das rendas para a classe média, ao abrigo do Programa Renda Acessível, vai situar-se entre os 200 e os 600 euros, em função da capacidade do rendimento de cada família e da tipologia do prédio (T0, T1 e T2). “No máximo, as famílias vão pagar cerca de 30% do que é o seu rendimento e não, como vemos hoje, com uma taxa de esforço muito maior. Há uma grande dificuldade em encontrar casas na cidade”, reconhece o autarca.

O projecto Operação Integrada de Entrecampos poderá ainda vir a sofrer alterações, “ser melhorado ou ajustado” em consulta pública. Haverá períodos alargados de debates e a intenção é que a operação esteja formalmente aprovada na Assembleia Municipal de Lisboa (AML), até finais de Julho, para que, a partir de Setembro, se possa colocar no mercado a parte deste projecto que será alvo de desenvolvimento privado. O investimento total da operação poderá rondar os 800 milhões de euros, sendo que a responsabilidade do município deverá ser inferior a 100 milhões. Este valor corresponde ao custo da construção directa dos 515 fogos em terrenos municipais.

 

Os vereadores do CDS-PP na Câmara de Lisboa anunciaram, também na manhã desta quarta-feira, que vão pedir o adiamento da discussão da Operação Integrada de Entrecampos, alegando que esta viola os procedimentos e regras previstos no Plano Director Municipal (PDM). Em comunicado, os centristas diziam que o projecto “densifica em mais do dobro a construção no local, sem acautelar os impactos gerados, nomeadamente em termos de tráfego e da garantia do suporte da rede de transporte público”.

ocorvo16052018entrecampos3

Fernando Medina diz, contudo, não compreender tais declarações e considera que as mesmas devem decorrer de uma “leitura errada da proposta”. “O único projecto que apresentamos, há dois anos, e aprovado pelo próprio CDS, mantém-se inalterado. A única alteração é que, em vez de olharmos de uma forma isolada para os terrenos, tivemos uma visão mais abrangente sobre toda a zona. Não há nenhuma violação do PDM”, afirma.

 

“Transformamos uma dificuldade numa oportunidade para a cidade resolver os seus problemas e ter o que hoje mais necessita, renda acessível, escritórios, mais espaços públicos de qualidade e equipamentos sociais. Esta é das maiores operações urbanísticas que Lisboa conheceu nas últimas décadas. Queremos transformar o que é hoje uma zona central da cidade, mas não está devidamente desenvolvida, resolvendo vários problemas urbanos”, concluí o autarca.

 

*Nota Redactorial: texto rectificado às 20h50 de 16 de Maio, clarificando a dimensão da área destinada a espaços verdes.

MAIS
ACTUALIDADE

COMENTÁRIOS

Deixe um comentário.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

O Corvo nasce da constatação de que cada vez se produz menos noticiário local. A crise da imprensa tem a ver com esse afastamento dos media relativamente às questões da cidadania quotidiana.

O Corvo pratica jornalismo independente e desvinculado de interesses particulares, sejam eles políticos, religiosos, comerciais ou de qualquer outro género.

Em paralelo, se as tecnologias cada vez mais o permitem, cada vez menos os cidadãos são chamados a pronunciar-se e a intervir na resolução dos problemas que enfrentam.

Gostaríamos de contar com a participação, o apoio e a crítica dos lisboetas que não se sentem indiferentes ao destino da sua cidade.

Samuel Alemão
s.alemao@ocorvo.pt
Director editorial e redacção

Daniel Toledo Monsonís
d.toledo@ocorvo.pt
Director executivo

Sofia Cristino
Redacção

Mário Cameira
Infografías 

Paula Ferreira
Fotografía

Margarita Cardoso de Meneses
Dep. comercial e produção

Catarina Lente
Dep. gráfico & website

Lucas Muller
Redes e análises

ERC: 126586
(Entidade Reguladora Para a Comunicação Social)

O Corvinho do Sítio de Lisboa, Lda
NIF: 514555475
Rua do Loreto, 13, 1º Dto. Lisboa
infocorvo@gmail.com

Fala conosco!

Faça aqui a sua pesquisa

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com

Send this to a friend