São milhares e, na sua esmagadora maioria, não servem ninguém, nem para quase nada. As velhas antenas receptoras do sinal de televisão ainda pululam pelos telhados de inúmeros prédios de Lisboa, conferindo-lhes uma silhueta anacrónica. A Junta de Freguesia de Santo António viu nesse cenário, resultante da migração maciça dos telespectadores para o serviço de cabo, nas duas últimas décadas, uma oportunidade. A campanha Antenas Solidárias, agora lançada, permitirá o financiamento da Valor Humano, mercearia social da autarquia, através da venda para reciclagem desses equipamentos obsoletos que lhe forem entregues. “Vamos vendê-las, ao peso, a empresas especializadas, que nos pagarão consoante o valor, por quilo, do ferro e do alumínio”, explica ao Corvo Vasco Morgado (PSD), presidente da junta.

 

A campanha tem uma missão dupla, salienta o autarca. “Com isto, queremos não apenas ajudar a nossa mercearia social, que tem um importante papel a desempenhar, mas também contribuir para limpar os telhados de antenas velhas, que para nada servem senão para causar poluição visual”, explica. A Antenas Solidárias conta receber contributos não apenas de particulares, mas também de instituições públicas e privadas, podendo a estruturas metálicas sem uso serem entregues na sede da Junta de Freguesia de Santo António, na Calçada do Moinho de Vento, n.3, ou serem recolhidas por funcionários da edilidade, se tal for solicitado através do contacto telefónico 218 855 230. “Aqui em Lisboa, cerca de 90% das antenas que estão no topo dos edifícios não fazem lá nada, já não são usadas”, estima Vasco Morgado.

 

A junta irá acumular, nas suas instalações, as antenas velhas doadas até determinadas quantidades, tentando depois encontrar quem lhe compre tal material pelo melhor preço possível. Uma receita a reverter, logo de seguida, para a conta da mercearia social Valor Humano, que este ano viu já o seu orçamento ser reforçado com uma dotação de 15 mil euros anuais, proveniente dos cofres da junta – por contraste com a dotação de 5 mil euros recebida em 2016. “Esta é apenas uma forma engenhosa de angariar fundos para ajudar quem mais precisa, sem estar a criar mais encargos para o erário público”, sintetiza o presidente da junta de Santo António – resultante da fusão das antigas freguesias de São Mamede e de Coração de Jesus e que administra um território centrado sobretudo em redor da Avenida da Liberdade.

 

Texto: Samuel Alemão

 

  • Fernanda Machado Ribeiro
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    Ora aqui está uma boa ideia. E se tirá-las dos telhados é capaz de não ser fácil, ao que parece a junta de freguesia ajuda.

  • Man Next Door
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    Antenas de televisão ajudam a pagar apoio alimentar da freguesia de Santo António https://t.co/ebKZgqiQpL

  • Carlos Pacheco
    Responder

    A medida vale pelos ganhos estéticos e de segurança, uma vez que todas essas antenas sem manutenção em cima de telhados, com o passar dos anos tornam-se um risco. De resto o valor dos materiais não paga o trabalho de retirar as antenas.

  • Mario Fernandes
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    Deveria ser uma iniciativa da câmara. Estas antenas obsoletas dão um ar terceiro-mundista à cidade.

  • Gomes Gomes
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    é uma boa medida, porque para as tirar dos telhados teriam que pagar. Existe outras coisas mais graves que dão ar de 3º Mundista à cidade.

  • José
    Responder

    E as parabolicas tambem. Dão um pessimo ar de terceiro mundo.

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