Anjos, um bairro em mudança

REPORTAGEM
António Ramos

Texto

Carla Rosado

Fotografia

URBANISMO

Santo António

19 Maio, 2014

“O bairro está a ficar cada vez mais cool, os prédios começam a ter cara lavada”, diz um morador ali instalado há sete anos. “É uma surpresa positiva”, afirma um recém-chegado. A população rejuvenesce e transforma-se, nota a presidente da Junta de Freguesia de Arroios, da qual a zona faz agora parte. Há uma nova face e uma “movida própria” neste bairro cosmopolita e, ao mesmo tempo, envelhecido. Contagiado pela regeneração do Intendente, ganha nova alma.

De origem sérvia, Dejan Stankovic decidiu aos 41 anos instalar-se em Lisboa. Foi procurando o sítio certo e, um dia, descobriu os Anjos. Subiu e desceu as ruas cheias de prédios recortados no ar, varandas a formar padrões, frontões em baixo relevo no topo de edifícios que perdiam a cor, mas mantinham “um charme próprio”. Apesar do cinzento mortiço de muitas paredes, Dejan identificou “o potencial do bairro”, com os olhos treinados pela sua formação em arquitectura.

“Aos 18 anos, fui para Londres e fiquei a viver num bairro central, mas degradado, repleto de imigrantes não-integrados: Notting Hill. Fui testemunha da sua transformação num bairro artístico da moda. Quando vim para Lisboa e percorri os Anjos, com o Intendente ao lado, tive a mesma sensação”, lembra.

Foi no final dos anos trinta e quarenta do século passado que os Anjos ganharam as características urbanísticas que identificam presentemente esta parte da cidade. Aqui se encontra um conjunto, único em Lisboa, de edifícios que misturam elementos art deco e modernista. Há exemplares de obras, entre outros, de Cassiano Branco ou Jacinto Robalo, num conjunto edificado que dá diferentes perspectivas da cidade à volta. E foi isso que Dejan Stankovic, escritor e tradutor, reconheceu à primeira vista.

A geografia deste território é bem diversa, o que se pode comprovar num rápido percurso pelas suas linhas principais. Comece-se, por exemplo, pela parte mais baixa da freguesia de Arroios – onde agora se integra -, no Intendente, local de reputação duvidosa na altura em que Stankovic a visitou pela primeira vez. Depois, a subida pela Avenida Almirante Reis, a mais extensa da cidade, fervilhando de pessoas que passam, entram e saem das lojas, dos cafés, dos restaurantes, dos bares. Do lado esquerdo, um dédalo de pequenas ruas até chegar à Rua dos Anjos propriamente dita. Do outro lado da avenida, surgem ruas que têm os nomes das mulheres da família do proprietário dos terrenos, Manuel Gonçalves Pereira de Andrade. O Bairro Andrade.

Mais para cima, foi crescendo o agregado de artérias que recordam Macau, Timor, Angola. O seu nome é Bairro das Colónias, que passou, depois do 25 de Abril, a ser chamado de Novas Nações. Continuando a subir, em direcção a Arroios, aparecem então ruas que evocam cidades inglesas, o Bairro dos Ingleses, já no limite oposto ao Intendente. No decurso destas deambulações que o fizeram descobrir os Anjos, Dejan Stankovic decidiu instalar-se, há mais de sete anos. Escolheu o Bairro das Colónias, que, “apesar de envelhecido, era multicultural e pitoresco. Achei a zona muito promissora”, diz. Mas não foi apenas ele.

“Foi uma surpresa positiva”, admite Luís Torres, designer de 35 anos, que desde Outubro passou a ser um novo morador do bairro. A princípio, estranhou a ideia de vir para esta parte da cidade, depois de ter vivido na Lapa, Campo de Ourique e Chiado. Mas havia diferentes apelos: “muitos amigos começaram a falar-me dos Anjos, da sua transformação”, na sequência da onda começada com a renovação do Intendente.

Ponto de encontro de gente de diversas proveniências, as razões para o interesse nos Anjos são fáceis de identificar. É uma zona muito central, as rendas mais baixas que noutros pontos da cidade, as áreas dos apartamentos generosas, prontas a receber famílias em crescimento. E há metropolitano próximo. Um cocktail atractivo para diferentes grupos etários, a começar pelos mais jovens.

Amigo fala a amigo, a coisa espalha-se. “Há uma ‘movida’ nos Anjos. Está muita gente nova a instalar-se, interessada na localização, na proximidade da zona da Graça”, diz Luís Torres, que depressa começou a conhecer outras características do bairro. Já existem ginásios, o pequeno comércio local “desenrasca compras de última hora, as lojas estão abertas até mais tarde”. Até há um tipo de bolo inglês que só encontrou por estas bandas. Aliás, o bairro permite disfrutar de sabores bem diferentes. “Hoje apetece-me chinês, amanhã posso ir ao tibetano ou escolher comida tipicamente portuguesa”, descreve.

O bairro sempre foi cosmopolitana neste campo, lembra Miguel Fernandes, especialista em Marketing do Território, salientando que “é notória a actual curiosidade de quem procura culinárias diversas, tanto por parte de portugueses como de estrangeiros”. E são “cada vez mais os turistas que se podem encontrar a visitar esta parte da cidade”.

ocorvo_18_05_2014_02

As opções são muitas, desde os estabelecimentos que funcionam como salas de jantar chinesas, quase clandestinos, mais para o lado do Intendente, até aos picantes do Nepal, passando por carnes halal, preferidas por muçulmanos. Os Anjos são um espelho do mundo, onde coabitam massas tipicamente orientais, se anunciam numa vitrina “produtos brasileiros”, há antigas mercearias típicas ao lado de lojas especializadas, por exemplo, em artigos alimentares de Leste.

“Os portugueses comem mais habitualmente arroz, batatas e massa, mas nós temos uma série de papas que aqui não são conhecidas: sémulas de trigo, milho e outras que não sei traduzir”, diz a ucraniana Svetlana Liehonkova. Cozem-se com água ou leite, misturam-se com um molho e carne, explica a engenheira, que há 11 anos veio para Lisboa, porque “lá (no seu país natal) não se arranjavam condições”. Com o marido, abriu nos Anjos a Loja de Produtos de Leste, onde se podem encontrar arenques fumados, enchidos típicos, mas também bebidas e jornais em cirílico.

As razões que os trouxeram para os Anjos “são várias”. “Há aqui uma grande comunidade de Leste, se calhar, por causa da proximidade do Serviços de Estrangeiros” (e Fronteiras). No entanto, a actual crise em Portugal reflecte-se no negócio, de diferentes formas. “Há muitos clientes que estão a deixar de comprar, há pessoas que estão a voltar” aos seus países de origem. Os fluxos migratórios não são um fenómeno novo e continuam a ser, ao mesmo tempo, produto e factor de mudança.

João das Dores Carreira, 78 anos, fala alegremente, enquanto cumprimenta quase toda a vizinhança. “Boa tarde, Sr. João, olá, Sr. Ribeiro”. Viu chegar muitos moradores, partir outros tantos, do balcão da sua mercearia, a mais antiga do bairro, aberta há cerca de 60 anos, sem interrupções. “Naquele tempo, isto era uma família”, afirma. Os prédios estavam cheios, com pessoas de diversas origens sociais, desde “doutores e juízes, mas também de profissões mais modestas”, assegura.

ocorvo_18_05_2014_03

João das Dores Carreira, à porta da mercearia que gere há décadas. Um clássico.

Georgette Carreira, a mulher, veio viver para os Anjos depois do casamento com o dono da loja. Tinha na altura 17, passaram já 56 anos, sempre vividos nesta parte da cidade e a assistir às suas transformações. «Alguma população vinda de África começou a chegar, há cerca de quatro décadas”, lembra. A partir daí, foram-se juntando outras nacionalidades, desde o Brasil ao Nepal e Paquistão, passando pelos países eslavos. “São muitos imigrantes, de muitos lados, mas vão mudando”. Por exemplo, “antes, havia muitos brasileiros”, hoje parecem menos, acrescenta o marido, beirão que veio para Lisboa em 1953.

Cyntia de Paula, técnica do Gabinete de Orientação e Encaminhamento – Projecto Acolhida, da Casa do Brasil, confirma que há uma alteração do perfil de população daquele país a procurar Portugal. Os brasileiros continuam, no entanto, a ser o maior contingente registado em Portugal. São 105 000, com predominância de mulheres. Seguem-se-lhes os nascidos na Ucrânia, segundo dados de 2012 inscritos no Relatório de Imigração, Fronteiras e Asilo do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

Os fenómenos de migração são sempre complexos de analisar. Há, no entanto, dados concretos que permitem tirar conclusões. Por exemplo, cerca de 90% dos pedidos feitos à OIM – Organização Internacional para as Migrações, que apoia imigrantes em situações vulneráveis que querem voltar ao seu país, são de cidadãos brasileiros. As condições laborais mudaram em Portugal e o crescimento no Brasil fá-los querer voltar, explica Cyntia de Paula.

Nos anos 80, vieram “muitos profissionais qualificados, entre os quais médicos e dentistas. Apareceu, nas duas décadas seguintes, uma vaga de trabalhadores menos qualificados, que procuravam em Portugal lugares na restauração, comércio e construção civil”. São estes cidadãos brasileiros que pretendem agora regressar às origens. Mas, em compensação, nos anos mais recentes, verifica-se a “chegada de muitos estudantes”, que querem fazer em Portugal mestrados e doutoramentos, aproveitando as bolsas do Governo brasileiro.

Nos Anjos, sempre houve “uma grande convivência entre as diversas comunidades, sem problemas”, continua João Carreira, mexendo-se rapidamente entre as prateleiras carregadas da sua mercearia. Neste momento, nota-se que “há muitos moços a estudar, em quartos alugados”, diz o comerciante, que conhece tanto o que procuram estes novos fregueses, como os mais fiéis. Nos últimos tempos, “muitos dos antigos habitantes morreram, alguns tiveram de sair das casas por causa do aumento dos seus alugueres”, consequência da alteração na lei dos arrendamentos. “A rotação de ocupantes nos prédios vizinhos é grande”, conclui o comerciante.

João Carreira vai ficando. “Sabe qual é a minha reforma? Preciso de continuar a trabalhar…”, explica, não disfarçando um certo orgulho quando fala nos clientes que continuam a procurar a sua mercearia, apesar de haver outros locais que hoje fazem concorrência. Só não gosta de falar no assalto que aconteceu no ano passado e lhe deixou um amargo de boca. “Dantes, podia-se ter a porta aberta até à meia-noite “.

ocorvo_18_05_2014_04

O envelhecimento da população é uma preocupação, apesar dos novos moradores.

O dono do Café Laranja Limão, um pouco mais abaixo, na Rua do Forno do Tijolo, não sente insegurança: “Há quem diga que há mais casos destes (de assaltos) na Avenida de Roma”, responde, em defesa do bairro. Mora na Graça, mas trabalha nos Anjos há 14 anos. “Mudou muito, sim”, há novos estabelecimentos a abrir no bairro, “mas isso é bom, traz pessoas novas para aqui, talvez os mais velhos sintam as coisas de forma diferente, o contexto não está bom para eles”, diz, referindo-se concretamente às queixas ouvidas dos clientes que têm reformas mais baixas.

De facto, as conversas cruzam-se nos cafés e lojas, os vizinhos cumprimentam-se, os moradores sabem quem é e quem não é do bairro, quem veio de novo e está a começar a criar laços com o local. Mudanças que podem, às vezes, ser rápidas de mais. “Isto é muito confuso, se tivesse menos 25 anos, ia embora”, afirma o sapateiro, que todos conhecem há 52 anos na sua lojinha a meio da Rua do Forno do Tijolo. É sábado, pelas 14h30, mas ainda está à volta de solas que precisam de arranjo. Não gosta muito de entrevistas, nem ouve (ou faz de conta que não ouve) algumas perguntas, mas vai falando, alternando o sorriso com silêncios mais sérios.

Aos 75 anos, diz, não se sente com coragem para recomeçar noutro sítio. “É conservar o que existe”, afirma, já com os olhos de novo baixos para o que está a fazer. “Antigamente, havia bom comércio, agora é o que se vê”… Apesar de tudo, admite que há gente nova a procurar o bairro. “Parece que gostam das casas antigas. Eu cá não, gosto de morar no campo…”.

Pedro Bento (fotografia de abertura) é uma dessas caras novas, ainda não reside no bairro, mas está para breve a instalação. Aos 35 anos, e regressado de Londres com um curso de barista – especialização em bebidas feitas com café –, procurou um espaço para o seu próprio estabelecimento. Pensou no Chiado ou no Príncipe Real, mas acabou nos Anjos, “onde não havia nada deste género”. Ficou entusiasmado quando verificou, ao passar nas lojas e cafés da zona, que aqui se viam muitos jovens, casais com filhos. “Há cada vez mais pessoas a procurar alugar ou comprar casas”.

A renovação da população no bairro atraiu-o. Abriu o Brick, nome bem evidente quando se vê a parede de tijolos da antiga churrascaria. O estabelecimento é já ponto de referência para uma clientela de todas as idades, que quer ler o jornal enquanto come o brunch domingueiro. O responsável pelo café está contente com o resultado, ainda mais porque sabe que existem condições para continuar a atrair clientes, residentes no bairro ou de outras zonas da cidade. E tem informações de que “outras marcas e tipos de negócio estão a pensar colocar os seus estabelecimentos nas ruas próximas”.

Juntando o útil ao agradável, o próximo passo de Pedro Bento será tornar-se também habitante dos Anjos. Até porque, para além das horas de trabalho, permanece à noite no bairro, aproveitando a animação dos bares e associações que oferecem programas variados. Mesmo em frente ao Brick, está o Bus – Paragem Cultural, uma das associações que o designer Luís Torres passou a frequentar, desde que veio viver para os Anjos. Ali se encontra, por vezes, com Carla Soveral, produtora de moda, entre outros convivas. Tal como eles, muitos outros jovens vão ali tomar uma bebida e aproveitar para relaxar, ao fim do dia.

ocorvo_18_05_2014_05

Luís Torres, designer, fotogrado no salão do Bus, espaço cultural antes ocupado pelo Sou.

”É muito cómoda a proximidade de casa e há uma oferta cultural interessante” neste espaço, refere Luís Torres. Carla experimentou aulas de dança, por exemplo, na grande sala de ensaios onde se reúne semanalmente um grupo de lindy hop, mistura de charleston com sapateado que saiu do Harlem, em Nova Iorque, para conquistar cada vez mais adeptos. Mas há também cursos de fotografia, cinema de animação, canto e aulas de guitarra. Por isso, durante o dia, o Bus é frequentado por jovens e suas famílias. Ao fim da tarde, cruzam-se vozes em conversa na esplanada, quando o tempo ajuda. À noite, junta-se público de diferentes idades para ouvir música ou ver os espectáculos anunciados na programação mensal.




O Bus continua assim a tradição começada exactamente no mesmo local pelo Sou – Movimento e Arte, que transitou, entretanto, para o Largo do Intendente, onde Marta Silva, gestora cultural e especialista em pedagogia, abriu um espaço de residências artísticas e de formação nas áreas performativas. Na altura em que escolheu os Anjos para abrir a sua primeira associação, esta bailarina e professora foi uma das pioneiras. Hoje, os Anjos parecem ser aquilo que chama “a capital das associações” culturais.

São já nove, muitas das quais instaladas nos últimos três anos, num período recessivo. A vitalidade das expressões de diferentes nacionalidades e gerações presentes nos Anjos “são inspiradoras”, considera Marta Silva.

A mescla cultural, aliada às condições mais acessíveis dos espaços, tornou-se muito atraente para projectos tão diferentes como o Teatro Bocage ou a Taberna das Almas. Esta última, instalada num antigo espaço industrial da Rua Regueirão dos Anjos, implantou-se com os seus programas musicais que são já ponto de encontro certo para centenas de jovens. Promove ainda apresentações cénicas, exposições e workshops. E a 3 de Maio, tal como sucede em todos os primeiros sábados de cada mês, deu lugar a mais uma, a 17ª, “Feira das Almas – art e flea market”. Este mercado marca já o calendário urbano, com as suas bancas de produtos vintage ou em segunda mão, mas também com os novos trabalhos de artesãos, artistas e criadores de moda, vindos não só de Lisboa, mas de outras partes do país.

Para Marta Silva, a presente vivência cultural e associativa que tantas pessoas traz aos Anjos foi ajudada pelo Festival Todos, uma das vertentes do programa de reabilitação do Intendente e da Mouraria, que mostrou uma outra realidade local à cidade e provocou uma onda de curiosidade pelo bairro. As pessoas querem ver a nova dinâmica dos Anjos, conhecer as suas características próprias, “tanto diurnas, como nocturnas”, realça a nova presidente da Junta de Freguesia de Arroios, Margarida Martins.

Agregando as antigas freguesias dos Anjos, Pena e São Jorge de Arroios, a nova freguesia de Arroios abrange uma área de cerca de 2000 metros quadrados, que Margarida Martins começou a gerir a 25 de Outubro – conhecendo à partida, depois de “muito contacto com os sítios e as populações”, as especificidades de cada um destes territórios, bem no coração de Lisboa.

ocorvo_18_05_2014_06

“Os Anjos são muito activos, há uma mudança social e cultural claramente associada à reabilitação do Intendente, mas também muito ligada à intervenção das pessoas que aqui vivem ou trabalham, bem como das entidades locais, que se unem” para obter resultados, descreve a autarca. A Pena é “mais reservada”, precisa de transportes que garantam maior acessibilidade. Arroios é “uma zona muito dispersa”, com diferenças vincadas em termos das suas realidades urbanas, desde o Saldanha até ao Largo de São Domingos.

Dados reunidos pela junta, referentes aos atestados de residência passados em 2013, apontam para a existência no território de Arroios de 65 nacionalidades. Chegaram 197 cidadãos do Nepal, 133 do Brasil, 83 da China, seguindo-se Angola, Senegal, Guiné-Bissau, Bangladesh, Cabo-Verde, Índia, Ucrânia e Espanha, para citar os dez primeiros da lista, em termos de números registados. No total, a população da freguesia atinge os 32 500 habitantes recenseados, mas que pode chegar efectivamente aos 40 mil.

Há muita gente de idade, a Colina de Santana perdeu mesmo 15% da população, “é portanto urgente reabilitar cerca de 4300 habitações” para evitar o processo, diz Margarida Martins. Os Anjos têm uma caracterização diversa, explica. “Aqui nascem crianças, tanto assim que são precisos berçários”. Há 10 entidades ligadas à infância, creches, muitas das quais recentes. As escolas estão também cheias de alunos que falam várias línguas entre si.

As gerações mais novas procuram a zona para visitar e morar. A Almirante Reis, a avenida que cruza o bairro, reflecte esta vivência diariamente. “A movida é inclusiva, tanto na habitação como nas actividades comerciais, fulcrais para todo o processo” de renovação, diz a autarca. Claro que a presidente da junta de freguesia tem consciência de que “há problemas sociais graves a pedir intervenção”. Na Loja Social Arroios Activa, foi já criado um espaço de apoio, por exemplo, na procura de emprego, tendo um balcão para atendimento de situações de emergência.

O cuidado com o comércio é outra das apostas. Para isso, Margarida Martins quer ouvir e estudar soluções com os operadores locais. A Junta de Freguesia pretende ser o “chapéu-de-chuva do movimento associativo”, envolvendo as mais de 60 entidades ligadas à cultura, actividade social e desportiva, num esforço conjunto. Este “conselho social da freguesia vai trabalhar em rede com a equipa autárquica, para aproveitar as dinâmicas que a população instalada ou os visitantes criam de forma crescente”, explica.

Margarida Martins sabe que muitos dos novos habitantes vêm chamados pelo preço das casas, pelas suas dimensões maiores que noutras partes da cidade. Mas não quer que os Anjos fiquem conhecidos apenas pelo estatuto de local onde se compra ou aluga “mais barato”. Quer criar “desejo pelo bairro” e fixar as populações através da reabilitação urbana. “Sendo os transportes uma prioridade, a requalificação das estações do metropolitano está no topo da lista” da autarca.

Dejan Stankovic não tem dúvidas: “cada vez, gosto mais do meu bairro, está cada vez mais cool. Se pudesse pedir alguma coisa, seria um maior número de árvores nas ruas… Ah, e uma mudança nas estações de metro, assim como estão, são medonhas”.

MAIS REPORTAGENS

COMENTÁRIOS

  • Luís Paixão Martins
    Responder

    Lisboa, cidade de acolhimento. Em Arroios convivem 65 nacionalidades: 197 cidadãos do Nepal, 133 do Brasil, 83 da… http://t.co/7n9vjasoy0

  • Luís Paixão Martins
    Responder

    RT @ocorvo_noticias: Anjos, um bairro em mudança – http://t.co/dT7l5Yb7io

  • Johannes Reiss
    Responder

    Interessantíssimo artigo. Gostava de visitar alguns dos locais mencionados, não seria possível deixar aqui uma listagem dos endereços?

  • Paulo Moniz
    Responder

    Já fui muito feliz nos “Anjos, um bairro em mudança” http://t.co/Vr3qgStPvA via @ocorvo_noticias

  • Paulo Morgado
    Responder

    Concordo que as estações de metro, do Intendente a Arroios, pelo menos, são uma tristeza!!! Sabemos que não há dinheiro para tudo, mas porque não uma parceria entre o metro e a Junta de Freguesia de Arroios para disponibilizar as paredes das estações à arte urbana? Seria, sem dúvida, mais alegre e empático com o actual espírito da zona!

  • Aqui mora gente
    Responder

    Tudo o que nâo aconteceu na prometida “requalificaçâo” urbana do Cais do Sodré, onde apenas foram privilegiados e promovidos pela CML os locais de animação nocturna com horários de funcionamento até às 4h e 6h da manhã.As famílias que moram nas áreas circundantes estão a sair do Bairro.Na Zona do Intendemte o Senhor Presidente da CML determinou o encerramento dos bares às 2h com vista à harmonizaçâo eentre residentes e comércio.

  • Mickael Cordeiro
    Responder

    RT @ocorvo_noticias: Anjos, um bairro em mudança – http://t.co/dT7l5Yb7io

  • Alexandra Araujo
    Responder

    Boas noticias, sem duvida! Embora haja muito ainda por fazer… e melhorar! Nasci e cresci neste bairro(Bairro das colónias) e as recordações são as de um excelente bairro, com ótimas acessibilidades, e na altura tinha um comercio muito saudável. Infelizmente foi-se degradando dia apos dia. Eu ja não vivo la há mais de quinze anos, mas a minha mae sim, por isso visito bairro todas as semanas, tenho assistido á sua degradação… a segurança também me preocupa e a população está muito envelhecida. Alguma emigração também não ajudou a dignificar o bairro, mas também acho que não foi só neste bairro… no entanto fico muito contente que haja vontade para voltar a dar a este bairro, toda a dignidade que merece! Bem hajam pela reportagem!

  • José
    Responder

    Não foi a Marta Silva que fundou o Sou movimento e arte. Aldrabo-na

  • Jorge Oliveira
    Responder

    Anjos, um bairro em mudança | O Corvo | sítio de Lisboa http://t.co/Vhu8z50oJI

  • Ana
    Responder

    É bom ouvir falar assim do meu bairro! Fica mais uma sugestão de um sítio que faz mexer os Anjos: a Associação Zona Franca, na rua de Moçambique. Não se esqueçam dela numa próxima reportagem, é um local com um leque variado de atividades, desde concertos, a oficinas variadas, cafés literários e petiscadas. Tem feito um belo trabalho pelo bairro e merece ser apoiada! E já agora, a Associação RDA, no Regueirão dos Anjos. É lá que funciona uma ciclo-oficina e se pode comer uma refeição vegetariana por 3 euros. Obrigada!

  • João Franco
    Responder

    Nascido e criado nos Anjos! É o “meu” bairro há 34 anos. Agora virou “hype”…

  • Isaac Afonso
    Responder

    Anjos, um bairro em mudança http://t.co/HfkK3sPLCY

  • oliveira martins
    Responder

    Não toquem nas estações do metro! Se é para se fazer o que se tem feito em quase todas as outras, mais vale estarem quietos.
    Já chega de excesso de poluição visual,excesso de luz (e gasto de electricidade),descaracterização arquitectónica das estações.Daqui a pouco nada resta da arquitectura inicial.
    Limitem-se a manter a limpeza e funcionalidade que já não será nada mau…

Deixe um comentário.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

O Corvo nasce da constatação de que cada vez se produz menos noticiário local. A crise da imprensa tem a ver com esse afastamento dos media relativamente às questões da cidadania quotidiana.

O Corvo pratica jornalismo independente e desvinculado de interesses particulares, sejam eles políticos, religiosos, comerciais ou de qualquer outro género.

Em paralelo, se as tecnologias cada vez mais o permitem, cada vez menos os cidadãos são chamados a pronunciar-se e a intervir na resolução dos problemas que enfrentam.

Gostaríamos de contar com a participação, o apoio e a crítica dos lisboetas que não se sentem indiferentes ao destino da sua cidade.

Samuel Alemão
s.alemao@ocorvo.pt
Director editorial e redacção

Daniel Toledo Monsonís
d.toledo@ocorvo.pt
Director executivo

Sofia Cristino
Redacção

Mário Cameira
Infografías 

Paula Ferreira
Fotografía

Margarita Cardoso de Meneses
Dep. comercial e produção

Catarina Lente
Dep. gráfico & website

Lucas Muller
Redes e análises

ERC: 126586
(Entidade Reguladora Para a Comunicação Social)

O Corvinho do Sítio de Lisboa, Lda
NIF: 514555475
Rua do Loreto, 13, 1º Dto. Lisboa
infocorvo@gmail.com

Fala conosco!

Faça aqui a sua pesquisa

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com

Send this to a friend