O Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) vai expor, no Verão, os projectos dos alunos de mestrado integrado em Arquitectura do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa (UL), aos quais foi proposta uma reflexão sobre as possibilidades de ampliação do museu, virando-o para o rio e ligando-o à Avenida 24 de Julho.

A informação foi prestada ao Corvo pelo director do Museu, António Filipe Pimentel, segundo o qual, “duas turmas de mestrado estão a trabalhar ao longo deste ano lectivo sobre projectos de crescimento do MNAA, uma ideia que foi lançada pelos arquitectos José Mateus e Ricardo Bak Gordon”, professores de Arquitectura do Instituto Superior Técnico (IST), da UL.

Esse trabalho, em que “o Museu é manipulado como um objecto, traduz-se em 16 projectos, que irão ser revelados ao público numa exposição a realizar em Junho, no átrio principal do Museu”, acrescentou António Filipe Pimentel.

“Aos alunos, foi entregue um guião, que é uma espécie de caderno de encargos para esta reflexão que lhes foi pedida. Só no final saberemos se é ou não viável a hipótese que se coloca de crescimento do Museu e de o virar para a Avenida 24 de Julho”, salientou o director do MNAA. “Nunca antes foi feito um trabalho desta natureza”, em que o Museu trabalha em rede e reflecte sobre si próprio e sobre que caminhos seguir para crescer e se adaptar às necessidades actuais.

A possibilidade de virar o Museu para a avenida e a existência de projectos nesse sentido fora publicamente referida, terça-feira, pelo vereador do urbanismo Manuel Salgado, durante uma conferência promovida pela Associação de Hotelaria de Portugal, no âmbito da Semana da Reabilitação Urbana. De acordo com Salgado, “há uma solução para resolver os problemas de acessibilidade do Museu, que pode ser um ovo de Colombo. Ela passa por criar-lhe um acesso a partir da Avenida 24 de Julho, demolindo dois edifícios e virando o Museu para o rio. Isso permitiria tirar o MNAA da posição de rectaguarda em que está e trazê-lo para a primeira linha”.

O director do Museu Nacional de Arte Antiga manifestou ao Corvo a sua satisfação pelo facto de a Câmara Municipal de Lisboa considerar o MNAA um equipamento estratégico da cidade, ainda que ele esteja sob a tutela da administração central. Esse entendimento já se traduziu no facto de a autarquia ter inscrito o MNAA no Documento Lisboa 2020, em que se identificam os objectivos da estratégia de desenvolvimento de Lisboa e quais as áreas de intervenção a abranger em candidaturas a fundos comunitários. “Essa inscrição tem um valor simbólico e político, em que o Museu passa a entender-se como uma mais-valia estratégica para a cidade, ainda que a própria câmara tenha outros projectos” para os quais pretende obter financiamento comunitário.

António Filipe Pimentel considera que há até mais do que um “ovo de Colombo” para resolver os problemas de acessibilidade que, há muito, afectam o MNAA. Várias formas de intervir foram já delineadas em conjunto com a autarquia e estão ainda em projecto. “Tem havido um trabalho com a câmara, até porque qualquer operação para resolver acessos tem de envolver a câmara, pois há património que é do município”.

Antes de mais, sublinha o director do MNAA, há que promover o ordenamento do estacionamento no Largo 9 de Abril, que é caótico. “Há um projecto, que não tem grandes custos, feito no anterior mandato pelo vereador Nunes da Silva e já aprovado, que aguarda ainda execução”.

Outra possibilidade estudada passa pela criação de um elevador vertical de ligação do museu à Avenida 24 de Julho. “Há uma proposta também do anterior mandato, do departamento da Mobilidade e Tráfego, que propunha que a EMEL ficasse a controlar esse elevador de conforto. Esperemos que esse projecto avance”, disse António Filipe Pimentel. Com isso, resolvia-se a questão de garantir um local de paragem dos autocarros na 24 de Julho, sem que os visitantes tivessem de subir à Rocha do Conde de Óbidos.

Está também a ser estudada outra intervenção, dirigida ao visitante individual que se desloca de automóvel. Essa solução, igualmente articulada com a autarquia, passa pela criação de um silo automóvel em dois edifícios devolutos da avenida, na zona do Largo Vitorino Damásio, perto do teatro A Barraca – os quais poderiam transformar-se num parque de estacionamento ligado ao elevador vertical.

 

* Texto corrigido às 14h10 de 21 de Maio

Texto: Fernanda Ribeiro

  • Paulo Ferrero
    Responder

    Ui 🙁

  • Tomás Cruz
    Responder

    Boa tarde,
    Escrevo este comentário só para corrigir uma informação.
    São os alunos do curso de arquitectura do Instituto Superior Técnico, que também pertence à UL, e não da Faculdade de Arquitectura.

    Cumprimentos,
    Tomás Cruz

  • Samuel Alemão
    Responder

    Está corrigido, Tomás. Obrigado.

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