Ajuda, um “bairro-aldeia” dentro de Lisboa dividido entre a tradição e a renovação  

REPORTAGEM
Sofia Cristino

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VIDA NA CIDADE

Ajuda

23 Janeiro, 2018

O coração da freguesia ainda conserva muito da sua traça original e vive das relações de vizinhança, que alguns lamentam estar a acabar. Durante o dia, as ruas da Ajuda estão desertas. “Este bairro está cada vez mais decadente, não tem evolução possível”, diz um morador. Há, porém, quem acredite no potencial daquela zona da capital, ao ponto de acreditar que poderá tornar-se um dos ex-líbris de Lisboa. Tem aumentado bastante a procura de habitação na área, tarefa cada vez difícil, porque, como noutros bairros, a oferta não abunda. O interesse de alguns pelo bairro aumentou. “Acho muito bem que venham estrangeiros para cá e até acho que deviam vir mais, é bom para o comércio”, diz uma lojista. A Junta de Freguesia promete dar mais apoio ao comércio local e pôr a população a escolher a localização dos contentores para a manutenção da limpeza do espaço público. Na Ajuda, nota uma moradora, “ainda se consegue um bom equilíbrio entre viver bem e dentro da cidade de Lisboa”. Afinal, ainda é uma das “zonas mais calminhas” da capital. Retrato de um bairro em mudança, que alguns consideram um diamante por lapidar.

“Isto é a rua da tristeza”, diz Natália Rosa, 69 anos, referindo-se à Travessa da Boa Hora, onde trabalha na retrosaria Cantinho dos Botões, desde os 12 anos. Nasceu, tal como a mãe, no Lar da Ajuda, na Calçada do Mirante. “Nesta rua, já houve muito comércio e muita gente. Tenho saudades dos tempos em que havia mais camaradagem e movimento. Era tudo uma família, o contacto era diferente”, recorda.

A conversa com O Corvo vai sendo interrompida pela chegada dos clientes habituais. “Bom dia, Dona Natália, como está? Tem fraldas?”, questiona uma vizinha, que acabou de ser avó. Tratam-se pelo nome e sabem da vida uma da outra. Falam do seu estado de saúde e das novidades do bairro. Hoje, a notícia é o nascimento da neta da moradora. “Agora, é tudo descartável, mas gostava de bordar alguma coisa para a minha netinha”, explica. “Tenho muitas e são baratas”, responde prontamente Natália Rosa, com a destreza própria de quem ali trabalha há 57 anos.

Reconhece que não lhe falta clientela, mas não vê com bons olhos o futuro do bairro onde sempre viveu. “Na Ajuda, é tudo velho, a começar por nós. A malta nova sai de manhã e vem à noite, nem os vemos. Nas ruas está tudo sujo. É preciso ligarmos à Câmara de Lisboa para virem tirar o lixo. Não vejo melhorias nenhumas. Esqueceram-se de nós”, queixa-se.

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Enquanto aguarda pela sua vez para ser atendido, Jorge Rodrigues, de 66 anos, também nascido e criado na Ajuda, vai comentando as observações da proprietária da loja de costura. “Não concordo nada. Há prédios que foram recuperados, o pavimento também foi melhorado e há mais lugares para estacionar. Está a aparecer mais juventude, apesar de não serem de cá. Só gostava mais da Ajuda há uns anos, porque era mais novo”, diz, entre risos.

Do outro lado da rua, encontra-se uma das lavandarias mais populares do bairro. Gabriela Santos trabalha lá desde os 17 anos. Nasceu na Ajuda e também viveu sempre ali. “Boa tarde, Dona Bárbara, como está?”, cumprimenta a vizinha, enquanto procura as calças, com a bainha já feita, de outro cliente. Também fazem serviços de costura. Hoje, com 55 anos, diz ver com optimismo as transformações que a Ajuda tem vindo a sofrer. “Acho muito bem que venham estrangeiros para cá e até acho que deviam vir mais, é muito positivo para o comércio. Sinto que o bairro está mais evoluído e já se começa a ver mais gente”, afirma.

No entanto, admite, tem saudades dos vendedores de rua. “O mercado saiu daqui e perdeu-se muita gente. A feira é aquilo de que tenho mais saudades. Acho que, agora, vai arrebitar um bocadinho com a nova creche e o centro de dia que querem construir”, diz, ainda, referindo-se a dois projectos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa para o bairro.

José Pires, 74 anos, mora na Ajuda há 52 anos e é o aluno mais antigo da Universidade Sénior da Ajuda. “Acho que o bairro tem vindo a melhorar muito, principalmente com a criação da universidade. Fui o primeiro a entrar!”, mete-se na conversa. Quanto ao futuro do bairro, não tece grandes considerações. “Como o mundo está, o futuro é uma incógnita”, comenta.

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A Travessa da Boa Hora, outrora conhecida por “rua da praça”, recebia vendedores ambulantes. Tempos de que todos os moradores dizem sentir saudades. “Na rua da praça, parecia uma festa. Quase não se conseguia andar lá. Vinha cá muita gente de propósito, à procura de artigos específicos. Agora, o comércio de rua desapareceu”, comenta Domingos Ribeiro, 58 anos, reformado da Guarda Nacional Republicana (GNR). Veio viver para Lisboa em 1980. Gere a sapataria da mulher, natural da Ajuda, e cuida de uma vizinha idosa. Diz que se sente esquecido e acredita que o sentimento é transversal a todos os moradores.

“Isto está a tornar-se insuportável. Daqui a meia dúzia de anos, não há aqui ninguém. Os estrangeiros, maioritariamente franceses, angolanos e chineses, começaram agora a comprar casas aqui. São os únicos que conseguem comprar, ao valor que estão. O turismo está a dominar a zona. E se acabar? Há pessoas a quererem vir para cá, mas não conseguem. Há um casal novo que veio viver para a Ajuda, recentemente, e já vão ter de sair porque o senhorio quer alugar a estrangeiros”, conta. “Nesta rua pequenina, também passava muita gente. Agora está deserta”, diz, ainda, referindo-se à Travessa da Memória.

Na Rua Dom Vasco, perpendicular à Travessa da Boa Hora, o cenário é o mesmo. Não se vê ninguém. Mário Rodrigues, 75 anos, chegou a Lisboa em 1952 e, desde então, trabalha numa loja de tecidos e vestuário. Diz não estar feliz com o rumo que a Ajuda está a tomar e, considera, deviam ser criados mais atractivos para as pessoas quererem visitar o bairro.

“Hoje, temos clientes diferentes. Faço uma venda agressiva e aposto numa boa montra, porque só assim vou conseguindo atrair mais pessoas. Quem vem aqui são essencialmente turistas, porque os portugueses vão todos para as lojas chinesas. Os jovens foram obrigados a sair daqui, por causa do aumento das rendas. Não temos com quem conversar, é só bêbados. E há falta de segurança”, denuncia.

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“Isto tem movimento porque passam aqui carros”, diz Mário, apontando para a estrada. “Há cinco anos, o eléctrico passava a transbordar. Agora passa vazio. Os turistas ficam mais por Belém. A única atracção que há aqui é o Palácio Nacional da Ajuda e falta sinalização a indicar onde fica. Deviam pôr”, sugere. Para Mário Rodrigues, o futuro do bairro “está nas mãos dos chineses e dos nepaleses”.

José Afonso, 48 anos, polícia em Lisboa desde 1989, admite que houve uma evolução muito grande em termos de segurança. “A criminalidade diminuiu bastante. No Bairro do Casalinho da Ajuda, há menos problemas devido ao nosso trabalho e porque as pessoas mais novas já têm outra educação”, considera o agente, que falava com O Corvo fora do seu horário de trabalho. Por outro lado, diz que “perdeu-se a confiança e a proximidade”. “As pessoas já não ficam a residir e perde-se confiança. As pessoas já não sabem quem são os vizinhos”.

Na Calçada da Ajuda, também já se viu mais movimento. A artéria, de onde se avista o rio Tejo e a Ponte 25 de Abril, viu terminadas as obras de requalificação no ano passado. Contudo, nem isso parece atrair mais moradores ou visitantes a passearem por lá. A rua está deserta.

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Há ali uma sapataria a funcionar desde 1939. Mário Brísio, de 75 anos, trabalha com o irmão na loja que, em tempos, pertenceu ao pai. Os comerciantes ainda fazem um atendimento personalizado e, com o auxílio de uma calçadeira, ajudam os clientes a calçarem os sapatos de produção nacional. Mas o negócio não vai ter continuidade. “Quando a sapataria fechar, será para uma loja de chineses, de certeza”, antecipa. “O turismo não se sente. Só vêm visitar o Palácio da Ajuda. Há falta de transportes públicos. Acabaram com um autocarro que ia para a Amadora. Sempre trazia mais gente”, lamenta, ainda.

Para Mário Brísio, a Ajuda “está praticamente ao abandono” e “não tem sido feito nada para mudar isso”. “O comércio está a diminuir e as pessoas só passam aqui, não páram. A junta de freguesia faz um ou dois eventos por ano, de três horas, uma forma de mascarar a verdadeira realidade do bairro, que é muito pobre. Nunca nos vieram perguntar se precisamos de ajuda”, acusa Mário Brísio.

Na Calçada da Ajuda, há um ou outro restaurante novo, há muitas casas abandonadas e outras em obras. Mas, o movimento diurno faz-se, sobretudo, pelos cafés locais. É num deles que Anabela Rodrigues, 62 anos, passa as manhãs. Nasceu ao pé do Chafariz da Boa Hora, construído no reinado da Rainha D. Maria II. Elogia as obras recentemente feitas na freguesia, mas critica a carência de casas para as pessoas do bairro e o abandono do comércio tradicional.

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Maria José Vales vendeu legumes de todos os tipos na Travessa da Boa Hora e tem saudades desses tempos, confessa. Critica, também, a falta de casas e, ainda, a pouca atenção que tem sido dada à higiene urbana. “As casas estão muito caras. São só mesmo para os estrangeiros. Também não despejam o lixo, deixam-no à porta de casa. Na Rua da Boca do Marquês, onde moro, é só cobras e ratos. Disseram que iam fazer um jardim, mas não fizeram nada”, observa.

“Sou filha da Ajuda, gosto muito de viver aqui. Fizeram-se obras muito importantes, mas também fecharam muita coisa. Deviam abrir mais lojas. Também não há casas, as rendas estão muito altas”, comenta. “Aqui, conhecemo-nos todos. Olhe, esta é a minha mana emprestada. A minha avó criou-a”, acrescenta, dirigindo-se a Maria José Vales, de 63 anos, acabada de entrar no café.

Na Rua dos Quartéis, João Santos, 52 anos, proprietário da florista Jardim da Boa Hora, que começou por ser a casa de bordados da mãe, conhece bem os residentes do bairro onde sempre viveu. “Acabo por fazer parte da história da vida das pessoas. Andei com muitos dos meus clientes ao colo. Na altura, os pais compravam flores para oferecer às mães. Agora, são eles que vêm comprar para as esposas. Também acabo por fazer muitos funerais, é a parte mais difícil”, conta.

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Ana Veloso, funcionária da florista, de 50 anos, lamenta não haver forma de trazer de volta empregos, outrora ali existentes em abundância. “Perderam-se muitas empresas. O Hospital Militar e o Depósito de Fardamentos fecharam. Centenas de pessoas saíram daqui. É péssimo. Temos prédios que estão abandonados. Deviam criar mais postos de trabalho. Já não há aqui um bom restaurante, nem um bom pronto-a-vestir”, considera. “Acho que vai virar tudo loja dos 300. Deviam olhar para os portugueses e não olham”, conclui João Santos.

O florista é pessimista quanto ao futuro da Ajuda. “Até vai havendo gente jovem, que quer ocupar estas casas, mas o preço está muito inflacionado. Este bairro está cada vez mais decadente, não tem evolução possível. Há muitos prédios devolutos e ninguém faz nada. Depois, há o problema das heranças. Não imagina a quantidade de imobiliárias que já vieram ver este imóvel à nossa frente, mas os herdeiros e proprietários não chegam a consenso quanto ao destino da casa”, explica. “As pessoas não vêm cá para ver isto”, diz apontando para o chafariz histórico, deixado ao abandono.




Júlia Rosado trabalha há 34 anos na Rua da Aliança Operária e também é céptica quanto ao futuro do bairro. “Muita gente diz que mudou para melhor, mas não vejo melhoras nenhumas. Está a ver este prédio aqui à frente? Não mora cá ninguém, só uma pessoa”, diz, apontando para o imóvel abandonado. “Agora, as pessoas morrem e acaba. Aqui, não passa quase ninguém. Vão comprando uma cabeça de alho e uma garrafa de vinho”, desabafa.

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Maria Correia, 23 anos, moradora, partilha uma opinião similar. “Deviam abrir lojas novas e não do mesmo tipo. Há aqui muitas crianças. Podiam fazer mais eventos ao fim-de-semana a pensar nelas. Está ali uma cabine telefónica a cair de velha, podia ser substituída por uma diversão infantil”, observa.

Há, no entanto, quem veja a Ajuda com outros olhos. No bairro, maioritariamente residencial, já se vão encontrando casais mais jovens. A pouca distância do rio Tejo e de Belém, há quem considere aquela como uma das melhores zonas para se viver em Lisboa. Susana Neves, 41 anos, licenciada em psicologia e a trabalhar na papelaria da mãe, a Papel & Click, diz gostar muito do contacto com os moradores. E tem expectativas elevadas quanto aos próximos anos. É na sua loja que muitos clientes deixam a chave de casa. “Ainda há relações de confiança e de proximidade, é muito bom”, conta.

Susana Neves, nascida na Ajuda e tendo saído apenas para estudar na Universidade de Coimbra, diz que, apesar das transformações do bairro resultantes do aumento acelerado do turismo em Lisboa, por ali “ainda se consegue um bom equilíbrio entre viver bem e dentro da cidade de Lisboa”. “Esta ainda vai sendo das zonas mais calminhas de Lisboa. O bairro está a melhorar bastante. Há obras de reabilitação, há estacionamento, antes era mesmo muito selvagem”, considera.

“Já se vê mais turistas, temos uma população mista. Começa também a ficar mais voltado para jovens, com a abertura recente de um restaurante de tapas, por exemplo. As rendas subiram bastante, mas também foram construídos condomínios e o alojamento local (AL) promoveu o arranjo de muitas casas que estavam ao abandono. O AL só foi mau pelo aumento das rendas. O comércio é que podia ser mais variado, há muito do mesmo”, acrescenta.

Maria Correia, 23 anos, moradora, partilha uma opinião similar. “Deviam abrir lojas novas e não do mesmo tipo. Há aqui muitas crianças. Podiam fazer mais eventos ao fim-de-semana a pensar nelas. Está ali uma cabine telefónica a cair de velha, podia ser substituída por uma diversão infantil”, observa.

João Domingos, 41 anos, trabalha na Mente Fértil, uma loja de artigos de higiene. No dia em que O Corvo esteve lá, tinham acabado de chegar pacotes de sabonetes da autoria do lojista, com o objectivo de “trazer mais identidade” aquela zona da cidade.

“O bairro está-se a transformar e, como todos os bairros em transformação, tem coisas boas e coisas más, a mudança faz parte. Eu vi aqui uma oportunidade. O sabonete é o meu grande projecto. Chegou hoje e pretenda-se que tenha identidade e torne a Ajuda mais forte. Leva o seu tempo e demora, mas quero pôr a Ajuda na moda”, explica.

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Natural de Castelo Branco, vive na Ajuda há dez anos. “A Ajuda é um diamante em bruto, que tem de ser bem lapidado. É uma mini-aldeia a cinco minutos de Belém, aqui ainda se respira. Temos tudo para nos tornar um dos ex-líbris de Lisboa. Só temos de valorizar aquilo que é nosso. Não nos interessa só os turistas, temos de fixar as pessoas daqui, mais do que os turistas. A população é envelhecida. Se as pessoas virem novos projectos a surgirem, talvez voltem para aqui”, concluí.

O presidente da Junta de Freguesia da Ajuda, Jorge Marques (PS), em declarações a O Corvo, diz que um dos seus principais objectivos é “criar estruturas novas”. “A Ajuda precisa mais de organização do que de atractivos para turistas. Criar estruturas é a nossa prioridade. O turismo é muito importante para criar músculo económico, mas queremos, essencialmente, fazer um esforço para receber bem”, garante.

Jorge Marques salienta, ainda, que as obras de conclusão do Palácio Nacional da Ajuda estão para breve, esperando vir a receber 250 mil habitantes por ano, com o fim desta intervenção. Lembra, ainda, que a Calçada da Boa Hora e o Largo do Rio Seco vão ser requalificados, no âmbito do projecto da Câmara Municipal de Lisboa “Uma Praça em Cada Bairro”. “A requalificação da Calçada da Boa Hora é essencial para os habitantes”, considera.

Quanto aos estabelecimentos de comércio tradicional, Jorge Marques diz que estes “vão ter de se adaptar”. “A cidade vai crescendo e progredindo, à medida dos ciclos económicos. Não podemos esperar que as pessoas continuem a comprar artigos que já não se usam. As lojas não podem ficar paradas no tempo. O que acontecerá no bairro da Ajuda não será muito diferente do que já está a acontecer em muitas lojas na cidade de Lisboa”, explica.

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No entanto, ressalva, pretende enquadrar o comércio local na dinâmica do bairro. A Junta tem em preparação a criação do “Cartão + Ajuda”, um cartão gratuito através do qual os moradores terão acesso a descontos nas lojas tradicionais, com o objectivo de os “integrar mais na comunidade” e ajudar estes comerciantes.

“Tem de haver uma adaptação e queremos integrar o comércio com mais anos. Vamos também investir no mercado da Ajuda, a estrutura âncora do comércio local”, explica. “Queremos um turismo que procure o lado histórico. Não queremos um turismo fast-food, que chega aqui e suja as ruas e não deixa dinheiro para a cidade”, afirma, ainda.

Jorge Marques diz que tem sido feito um grande esforço, no que diz respeito às competências da Junta de Freguesia, para melhorar a limpeza das ruas. “No que depende de nós, fizemos um forte investimento na área da higiene urbana. Contratámos mais funcionários e a limpeza das ruas melhorou bastante”, esclarece.

Quanto aos imóveis devolutos, diz que é preciso “desmontar o problema em várias partes” e perceber que “o património tem várias origens”. “Já temos uma equipa de técnicos a avaliarem as casas devolutas. Temos de perceber porque é que a repartição das Finanças tem património degradado, não faz sentido. Depois, temos os proprietários que não têm condições para reabilitar, com rendimentos muito baixos. Nesse caso, temos cedido materiais para reabilitação”, explica.

O presidente da junta diz, ainda, que quer envolver mais a população nas decisões do poder local e já tem alguns planos delineados nesse sentido. “Queremos conversar com a população. Vamos instalar eco-ilhas, em parceria com a Câmara de Lisboa, e vamos pôr em discussão pública a escolha da sua localização. Os habitantes irão decidir quais os melhores sítios para colocar os contentores enterrados, porque quem vive naquela rua há 20 ou 30 anos conhece bem melhor a Ajuda”, explica.

“Temos de perceber porque é que as pessoas não põem o lixo nos contentores, por exemplo. Pode ser por dificuldades de locomoção, porque temos uma população envelhecida ou por falta de civismo e, se for o segundo caso, temos de conversar, com base na pedagogia”, remata.

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