Acessos da estação de metro do Campo Grande estão degradados e cheios de lixo

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Samuel Alemão

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7 Abril, 2016

As passagens pedonais que garantem a ligação aos autocarros suburbanos e ao Estádio Alvalade XXI são uma área pouco recomendável. À degradação da estrutura, há que acrescentar a sua manifesta insalubridade: existem detritos em abundância e são evidentes as consequências de algumas pessoas a utilizarem como instalação sanitária. Para além da incivilidade, há quem culpe a falta de casas de banho na estação de metro. As que existiam fecharam depois das obras de melhoramento, por terem sido vandalizadas.

O cheiro é reconhecível a alguns metros e confirma o que os olhos alcançam lá do fundo do corredor. O chão cheio de lixo – sobretudo cigarros, jornais e sacos de plástico, mas também garrafas e latas de cerveja – e as paredes muito sujas e grafitadas servem de cartão de visita. Mas há pior, pois em alguns cantos dos dois acessos norte à estação de metropolitano do Campo Grande avistam-se dejectos e poças de urina.

A ferrugem e a corrosão são também evidentes em alguns dos pontos destas passagens pedonais, inauguradas aquando da abertura da estação, em 1993, e que garantem a ligação entre o metropolitano e o terminal de autocarros suburbanos e ainda o Estádio Alvalade XXI. Além da falta de condições higiénicas, prevalece uma sensação geral de insegurança. Por isso, há quem evite lá passar.

A degradação das duas passagens elevadas não é de agora, mas o fenómeno agudizou-se durante o último ano. Se as paredes já há muito revelavam evidentes sinais de incúria, com os graffiti a cobrirem uma parte substancial da superfície metálica – que em diversos locais se encontra muito atingida pela corrosão – e dos vidros, nos últimos meses, alguns recantos fazem as vezes dos indisponíveis sanitários na estação.

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Os que ali existiam encontram-se encerrados há cerca de dez meses, porque foram vandalizados, após terem sido sujeitos a obras. Por isso, os utentes da estação deixaram de poder ir à casa de banho, tendo de procurar os cafés das imediações ou a galeria comercial existente no estádio do Sporting. A incivilidade de alguns, também patente nos muitos detritos acumulados, ajuda a completar o quadro de decadência da infraestrutura de transportes – onde se cruzam as linhas amarela e verde do metropolitano e desde a qual partem autocarros suburbanos para os concelhos de Odivelas, Loures, Mafra, Arruda dos Vinhos ou Sobral de Monte Agraço.

“Há muitas queixas dos clientes sobre a falta de casas de banho, as pessoas têm razão. Nós mesmos sentimos falta. Quando não podemos usar uma que aqui existe para os funcionários do Metro, temos que ir aos cafés ou então ao estádio”, diz ao Corvo um dos lojistas do espaço comercial situado no nível térreo da estação – e cuja limpeza geral é também alvo de críticas deste e dos restantes comerciantes.

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Mas a falta de sanitários é mesmo o maior problema. O referido comerciante explica que, após as obras feitas nas casas de banho públicas de acesso livre que ali existiam desde sempre – que já se apresentavam visivelmente degradadas -, aquelas passaram a funcionar como WC pagos. A troco de 20 cêntimos, as pessoas podiam utilizá-las, evitando-se assim a sua frequência por indivíduos que poderiam querer fazer uma utilização abusiva ou vandalizá-las. Tal sistema, porém, durou apenas “uns meses”.


Uma outra comerciante, confirmando as muitas queixas dos utentes dos transportes públicos e clientes do seu estabelecimento por falta de condições sanitárias naquele espaço público, garante que a informação corrente é a de que “as casas de banho fecharam porque as pessoas estavam sempre a vandalizá-las e até roubaram as torneiras”. Por isso, quem se vê num aperto tem de encontrar uma solução nas redondezas. Os acessos pedonais ou até alguns recantos da estação sofrem as consequências.

Nos dias dos jogos de futebol no Alvalade XXI, a afluência de pessoas é substancialmente superior, como seria de esperar. E isso tem também reflexo na limpeza da estação, que já é deficitária por regra. “Ainda há pouco tempo, num dia de jogo, houve alguém que fez as necessidades fisiológicas ali….eram fezes mesmo”, diz, apontando para um recanto de uma esplanada interior existente na galeria comercial. “E quando uma coisa dessas acontece e pedimos às mulheres da limpeza para irem lá limpar, recusam. E ainda nos respondem mal”, queixa-se a mesma comerciante.

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O Corvo perguntou a uma das funcionárias do Metropolitano de Lisboa, que se encontrava junto da bilheteira, sobre a razão de não haver nenhuma instalação sanitária disponível para os utentes da estação. “Olhe, simplesmente, porque os clientes partiram-nas todas”, informou a funcionária, sugerindo, logo de seguida: “Peça o livro de reclamações e apresente sugestões. Pode ser que a situação se resolva”.

Mas tão original solução pode, afinal, não fazer surtir os desejados efeitos. Isto porque a situação se arrasta há meses. Ou, então, o problema pode até residir no facto de as pessoas não se lembram de fazer uso do seu direito de protesto. O primeiro comerciante com quem O Corvo falou garante que se queixa, com regularidade, aos empregados do Metro. E revela que “eles dizem que ninguém reclama”.

Contactada a administração do Metropolitano de Lisboa sobre este assunto, no final da semana passada, a mesma não respondeu até à data da publicação deste artigo.

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COMENTÁRIOS

  • Vasco
    Responder

    Como muitos lisboetas só gostam de ruínas e mofo, se calhar esses acessos ao metro estão ao seu gosto. Pelo menos a cidade não fica descaracterizada como dizem. Mantém-se assim a tradição das ruínas!

  • Marcos Martins
    Responder

    Se cada utilizador apresentar Queixa no Livro de Reclamações e na Direcção Geral de Saúde vai haver penalizações para o Metropolitano de Lisboa. Há inúmeras formas de superar o vandalismo desde a instalação de câmaras de vídeo-vigilância até à instalação de materiais robustos anti-queda. Por outro lado, as instalações sanitárias poderiam ser também ser pagas mediante quantias pequenas para evitar os arruaceiros. E depois, a Polícia de Segurança Pública deveria patrulhar a área em vez de estarem enfiados nas esquadras.

  • luis maia-bento
    Responder

    a nojeira dos acessos da estação de metro do Campo Grande https://t.co/1OSagQ0P18

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