Uma surpresa pela aparente normalidade das propostas ganhadoras. “Espaços Verdes do Parque da Liberdade”, na freguesia de Campolide, com 3374 votos, e “Melhoria da Mobilidade na Avenida Cidade de Praga”, na freguesia de Carnide, com 4221 votos, são os dois grandes vencedores da edição 2015-2016 do Orçamento Participativo (OP) de Lisboa, na categoria dos projectos cujo valor de execução é superior a 150 mil euros e inferior a 500 mil euros.

 

O par de propostas mais votadas pelos cidadãos na edição mais participada de sempre deste instrumento de consulta popular – com 42 mil votantes – foi anunciado, no salão nobre dos Paços do Concelho, ao início da noite desta segunda-feira (23 de Novembro). E as duas propostas estão longe de poder ser qualificadas como “inovadoras”. Ambas poderiam até ser incluídas na rubrica de obras públicas das freguesias, da câmara ou da administração central. Uma realidade admitida ao Corvo pelos presidentes das duas juntas.

 

Ambos os autracas estavam, naturalmente, bastante satisfeitos. Até porque Carnide e Campolide se destacaram como aquelas que mais lucraram com a decisão dos votantes. Ganharam não apenas na maior das categorias, como viram ainda ser contemplados com fatias do orçamento camarário alguns projectos inseridos naquela que abrange propostas com valor até 150 mil euros – que teve 13 vencedores. Dentro desta categoria, como sempre, a variedade de propostas é grande: entre outros, criação de abrigos para gatos de rua; arranjo de parques infantis; um parque de autocaravanas; um pombal contraceptivo ou ainda um “queimador de velas” para a Igreja de Santo António, na freguesia de Santa Maria Maior.

 

A freguesia de Carnide teve mesmo o mais votado de todos os projectos nesta categoria secundária: “Uma Rua para Todos”, que pretende a reabilitação do espaço público na Rua das Parreiras, situada no núcleo antigo da freguesia, teve 3545 votos. O projecto “Carnide Somos Nós”, com 1029 votos, e apresentado por Paulo Quaresma, anterior presidente da junta, propõe a criação de uma casa para artesãos locais. Também a proposta “Pela Mobilidade e Acessibilidade Pedonal em Campolide”, com 2379 votos, receberá uma dotação até ao máximo de 150 mil euros.

 

Fábio Martins de Sousa, presidente da Junta de Freguesia de Carnide, a única da cidade com um executivo liderado pela CDU, confessou ao Corvo estar muito satisfeito, “até porque foi feita uma campanha muito forte de mobilização das pessoas para a votação, em alguns aspectos até semelhante ao de uma verdadeira campanha eleitoral”. As acções de sensibilização feitas pela junta deram resultados e mostraram que a máxima “a união faz a força” pode ser posta em prática em coisas muito concretas.

 

“Aquela é uma via importante, que pode ser considerada estruturante para a cidade”, diz Fábio Sousa sobre a Avenida Cidade de Praga. “Mas estamos a falar de uma avenida que, apesar da importância que tem, não possui passeios e se revela bastante perigosa para quem ali circula. Aliás, como está, a avenida nem é própria de uma capital europeia”, considera o autarca sobre o projecto apresentado pelo Condmíno do Parque Colombo e em relação ao qual o edil não sabe ainda precisar o valor necessário à sua execução.

 

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Mais certezas quanto ao valor necessário para a execução do outro grande projecto vencedor da oitava edição do OP de Lisboa tem o presidente da Junta de Freguesia de Campolide, André Couto (PS). O autarca estima que a construção de um novo parque verde urbano no Bairro da Liberdade, proposto pela cidadã Rita Saraiva, vá custar o máximo que puderia custar: meio-milhão de euros. “Esta foi uma zona, durante décadas, esquecida pelos poderes públicos. Esta vitória é, por isso, muito importante, até porque esta proposta foi feita de forma muito participada, ouvindo a comunidade”, explica o presidente da junta.

 

André Couto lembra que este aspecto é muito relevante numa área tão negligenciada da cidade, e que merecerá uma atenção particular quando estiver concluído um instrumento como o Plano de Intervenção Prioritária do Bairro da Liberdade – integrado na iniciativa camarária BIP-ZIP de apoio a bairros carenciados. O autarca salientou ao Corvo que essa vontade popular será materializada com a integração de diversas propostas no projecto a executar. No novo parque verde, haverá, por exemplo, lugar para um parque de skates, por decisão dos mais novos, ou uma horta comunitária, a pedido dos mais velhos.

 

Antes do anúncio dos vencedores do OP 2015-2016, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, destacou a “grande dinâmica que já se criou em torno deste instrumento, que até já ganhou um lugar e uma vida próprios”. “Fiquei a saber, no outro dia, que há até um departmento da câmara que concorre ao OP para ver se os seus projectos são executados mais depressa. O que me deixou espantado”, disse, visivelmente bem disposto. “A cidade, cada vez menos, se constrói de cima para baixo, com decisões vindas de um presidente ou vereadores iluminados. Esta é já a forma que várias entidades e cidadãos da cidade encontraram para fazer valer as suas ideias”, acrescentou.

 

Texto: Samuel Alemão

 

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