Um “terramoto de mal-estar mental, físico e psicológico” grassa entre os trabalhadores da Câmara Municipal de Lisboa (CML), que, para além de anos de austeridade, suportam os constrangimentos de “mudanças organizacionais compulsivas”, avisou terça-feira o médico e deputado municipal comunista Carlos Silva Santos. Tal conjuntura estará na origem do crescente absentismo entre funcionários, admitido pelo vereador Duarte Cordeiro, detentor do pelouro da Higiene Urbana.

Silva Santos falava numa sessão destinada a declarações políticas da Assembleia Municipal de Lisboa, onde viu aprovada uma moção sua atacando o impacto na saúde pública da política de austeridade. Já uma recomendação onde pedia ao executivo “uma avaliação aprofundada dos fatores de risco psicossociais existentes no município” foi rejeitada com os votos contra do PS e CDS – a favor votaram PCP, PEV, BE, Independentes, MPT, PAN e Parque das Nações Por Nós. O PSD absteve-se.

Segundo o eleito comunista, não é apenas o processo de transferência de competências e pessoal da câmara para as freguesias que está a ajudar a esse mal-estar, é também o facto de a sua organização e o funcionamento dos serviços autárquicos estarem “doentes”.

A grande mudança orgânica surgida com a transferência – muito elogiada pelo executivo de António Costa e pelo grupo municipal socialista – envolve rupturas, mudanças de competências e “sensações de injustiça” a que é preciso estar atento, disse Silva Santos.

O deputado municipal não apresentou números ou exemplos concretos sustentando a sua tese, mas comentou que conhece muitos dos médicos que trabalham na Câmara por terem sido seus alunos.

Em resposta, o vereador da Higiene Urbana, Duarte Cordeiro, comentou que, no último mês, detectou “um absentismo muito superior ao que existia antes da reforma”, nomeadamento um crescimento das faltas injustificadas. Silva Santos retorquiu: “O absentismo é uma prova de que alguma coisa não está bem!”.

Duarte Cordeiro disse ser altura de um balanço das mudanças ocorridas na área da Higiene Urbana e admitiu que seja de reforçar o quadro de pessoal, não só pela escassez de funcionários como pela previsão de reformas a curto prazo. Por isso, acrescentou, há a intenção de, nos próximos três anos, abrir concurso para mais 150 trabalhadores.

A câmara “está preocupada com a saúde dos seus trabalhadores”, tem apoiado as situações “mais complexas” e sabe que a transferência de competências é para eles “uma situação de stress complementar”, disse, por sua vez, o vereador João Afonso.

Na mesma sessão, o PSD viu chumbada uma moção para que a Assembleia Municipal perguntasse a António Costa se pretende ou não cumprir o seu mandato à frente da CML, em virtude da campanha para a liderança do PS em que se envolveu. “Os lisboetas têm o direito de saber com o que contam para o futuro da sua cidade”, argumentou Sérgio Azevedo, líder da bandada do PSD e subscritor do texto.

 

Texto: Francisco Neves

  • JoãoMiranda
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  • Nuno Fraga Coelho
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  • Luís Paixão Martins
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    Um “terramoto de mal-estar mental, físico e psicológico” grassa entre os trabalhadores da Câmara Municipal de… http://t.co/ug5WWm9bFl

  • G_L
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