Poderá ser a hora de Fernando Medina. O vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML) estará, sem dúvida, mais perto de subir ao mais alto patamar da autarquia da capital, depois da vitória de António Costa nas primárias do Partido Socialista (PS) para a escolha do candidato a primeiro-ministro. As próximas semanas deverão ser decisivas para se saber quando irá Medina assumir a liderança da câmara. Um ano após as eleições autárquicas, que o colocaram como número dois de Costa, deverá estar perto de ver concretizada a passagem de testemunho que desde logo se antevia. Resta saber quando ocorrerá a mesma.

 

Embora António Costa, no discurso de vitória de ontem à noite, no Fórum Lisboa, se tenha recusado a responder às questões dos jornalistas sobre o seu futuro imediato, é quase certo que deverá deixar, muito em breve, a autarquia que lidera desde as eleições intercalares de 2007. Para além de ser agora o principal opositor ao primeiro-ministro Pedro Passos Coelho e, por conseguinte, candidato a tomar-lhe o lugar, terá, antes disso poder suceder, de se focar na preparação da eleição para o cargo de secretário-geral do PS – em virtude da demissão de António José Seguro. Por isso, António Costa terá a cabeça noutro lugar que não a Praça do Município.

 

A escolha de Fernando Medina, que além de vice-presidente é também o responsável pelo pelouro das Finanças, deverá ser assim confirmada nos próximos dias, conferindo o esperado epílogo a uma narrativa há já muito redigida. Desde o momento em que Medina foi apresentado, em Julho de 2013, como o número dois da lista socialista às últimas autárquicas, ficou claro que seria ele o sucessor de Costa, disponível para assumir o cargo de presidente assim que ele decidisse “dar o salto”. Um cenário tornado evidente pelo facto de ter vindo de fora da autarquia para ocupar o lugar de Manuel Salgado, vice-presidente no mandato anterior e que se manteve à frente do pelouro do Urbanismo.

 

Fernando Medina – que, nessa altura, considerou “precipitados” os cenários que davam por certa tal sequência sucessória – foi posto à prova logo no início do actual mandato, quando teve que assumir o, até aqui, mais complexo dossiê com que se deparou a câmara ainda liderada por Costa: a descentralização administrativa da cidade de Lisboa e a consequente transferência de competências, meios e funcionários da CML para as juntas de freguesia. O processo iniciado com o começo do ano foi muito contestado pelo PCP e valeu a Medina acaloradas trocas de palavras com os dois vereadores e os deputados municipais comunistas.

 

Medina, que nasceu no Porto, foi secretário de Estado da Indústria e Desenvolvimento do último Governo liderado por José Sócrates – e, como tal, responsável pela gestão dos fundos comunitários em Portugal. Nas eleições legislativas de Junho de 2011, que resultaram na constituição do actual Governo PSD/CDS-PP, Fernando Medina foi o cabeça-de-lista do PS para o distrito de Viana do Castelo.

Texto: Samuel Alemão        

Imagem: transmissão online da última reunião de executivo da CML

  • António Rosa de Carvalho
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    ( …) “A única coisa que eu tive oportunidade de verificar (ver”Corpo Presente, Mente Ausente”, da minha autoria, já em 26/08/2012, aqui no PÚBLICO ) é que este “Caminho” de António Costa estava, há muito tempo, mais que “aberto” e a sua predefinição foi preparada minuciosamente ao milímetro, mesmo antes da candidatura ao presente mandato.

    Portanto, houve uma deserção premeditada do seu compromisso com Lisboa, e só consigo reconhecer acrobacias em trampolim num projecto pessoal de ambição política.

    E é precisamente esta “personalização” com o álibi de reforma política, arrastando a opinião pública e obrigando-nos a pronunciarmo-nos com o argumento de participação na liberdade de escolha, que eu rejeito como falacioso e enganador.António Costa foi eleito para presidir aos destinos de Lisboa. Nesse sentido, a “personalização” que eu pretendia ver em Costa até ao fim do seu mandato era: O Meu Partido É Lisboa.”

  • Álvaro Ferreira de Passos
    Responder

    Fazer pior que o Costa é dificil.

  • Nuno Rebelo
    Responder

    RT @ocorvo_noticias: A vez de Fernando Medina assumir a presidência da câmara municipal?   – http://t.co/U4V3ds51bR

  • João Barreta
    Responder

    Na política as precipitações são fatais!!! Num cenário de sucessão “natural” pelo poder, vislumbram no conjunto dos elementos de todos os partidos representados em todos os órgãos do município alguém melhor “preparado” para assumir a Presidência da CML?
    Num cenário de eleições antecipadas para a autarquia a “coisa” já poderia ser diferente, mas também não será, com toda a certeza, com o Dr. Seara ou com o Dr. Ferreira que se poderá pensar em constituir alternativa ao Dr. Costa/Dr. Medina !!!! Mas os indisponíveis de há um ano, rapidamente se prontificarão a disponibilizar-se, uma vez que o adversário já não será o Dr. Costa. Mas lembrem-se que o PS ainda tem mais pesos pesados (em carteira) que facilmente ganhariam eleições autárquicas!!!!!!!!!!!

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