Após dois anos de renovação, o Museu do Teatro Romano – que é um dos cinco núcleos do Museu de Lisboa – abre agora as suas portas num conjunto museológico que nos permite descobrir melhor o que foi a Felicitas Iulia Olisipo.

 

Texto: Rui Lagartinho

 

No meio do piso mais baixo do renovado Museu do Teatro Romano, há um longo painel vertical com materiais extraídos das escavações. O painel traça o perfil estratográfico do que foi possível encontrar nos edifícios entretanto construídos em cima do Teatro de Olissipo – um espaço nobre e imponente da cidade romana, com cerca de 4000 espectadores. Neste perfil, há, por exemplo, vestígios de centeio queimado, evidência do grande incêndio que se seguiu ao terramoto do 1755.

 

Desde 1798, quando, na sequência da reconstrução daquela zona da cidade afectada pelo sismo, se descobriram os primeiros vestígios do teatro, que o enclave de ruas – que, do sopé do castelo, descem até à Sé Patriarcal – tem sido alvo de intervenções arqueológicas.

 

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Nos últimos cinquenta anos, houve uma política pública de aquisição de edifícios que foram, depois, escavados, permitindo a descoberta de parte das bancadas do teatro. Esta zona tem agora uma nova sinalização museológica, que permite – para além de espreitar as ruínas in situ – perspectivar em painéis a totalidade do edifício ao longo da enorme passadiço. Uma varanda que os visitantes podem percorrer antes de atravessarem a rua em direcção ao núcleo seguinte do museu.

 

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“Obviamente, o Teatro Romano em si é a grande atracção deste espaço, mas na museologia renovada que agora abre ao público preocupamo-nos em expôr a história da ocupação desta zona da cidade, antes e depois da ocupação romana”, explica ao Corvo Lídia Fernandes, coordenadora do museu, que é um dos cinco núcleos que compõem o Museu de Lisboa. É, por isso, que vamos encontrar nos três andares do museu objectos da Idade do Ferro, assim como das épocas Medieval e Moderna.

 

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Esta renovação do Teatro Romano é o corolário dos trabalhos arqueológicos dos últimos 15 anos, possibilitando a descoberta de um dos elementos estruturante mais importantes do edifício cénico: o muro da de suporte da fachada cénica e de contenção da encosta. E é também este um dos atractivos do museu renovado. O outro é, claro, o Tejo. Sempre que desviamos o olhar das ruínas, lá está ele, largo e majestoso, onde sempre esteve, enquanto as civilizações se sucediam nas suas margens.

 

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