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É um caso de sucesso no mercado editorial português: em dez anos, e trezentos livros depois, a Tinta-da-China consolida-se ao ritmo de cada novo projecto.

 

Texto: Rui Lagartinho    Ilustração: Sofia Morais

 

Recuemos uma década. A denominada literatura light ameaçava cercar o mercado editorial, sem alternativa à vista que não fosse uma imensa planície de terra queimada. De repente, uma livreira desempregada resolve editar livros para homens, o que, para ela, significava publicar livros de história de referência. Para senhores com poder de compra.

 

Antes dos calhamaços, um teste: “O pequeno livro do grande terramoto”, do historiador Rui Tavares, sobre o terramoto de 1755 em Lisboa, acabaria por ser o primeiro livro editado por Bárbara Bulhosa na Tinta-da-China. Um sucesso, seis mil livros vendidos. O livro foi até editado na Rússia.

 

No dia em que visitámos o pavilhão da editora, havia uma fila de mais de vinte pessoas que aguardavam um autógrafo de Rui Tavares no seu novo livro “Esquerda e direita: guia histórico para o século XXI”. É com prazer que Bárbara Bulhosa nos confessa: “Na Tinta-da–China, quem vem fica. E não é por razões financeiras, porque não damos adiantamentos chorudos, é porque confiam na forma como tratamos cada livro”.

 

Foi o que aconteceu com o humorista Ricardo Araújo Pereira. A sua entrada na editora e o sucesso de livros que venderam sessenta mil exemplares permitiram que a empresa respirasse de alívio e se lançasse em novos desafios: colecções de livros de humor para gente crescida, uma colecção de literatura de viagem, outra de novos poetas portugueses, ficção de autores portugueses e brasileiros, e até a edição portuguesa da famosa revista literária Granta.

 

“Obviamente que seria impossível eu fazer tudo bem. Por isso, rodeei-me de quem achei que desenvolveria bem estes novos projectos. E aí, o Carlos Vaz Marques, na literatura de viagem e na Granta, e o Pedro Mexia, na poesia de novos autores, foram fundamentais. Não tenho problemas em delegar”, confessa Bárbara Bulhosa.

 

Aos poucos, a editora deixa-se ainda convencer pelos autores portugueses que lhe dizem “queremos publicar na Tinta-da-China”. Foi assim com Dulce Maria Cardoso, Alexandra Lucas Coelho e Rui Cardoso Martins. Não se arrependeu, muito pelo contrário. Cada um deles tem uma identidade única e uma legião de fiéis. O Corvo testemunhou algumas animadas sessões de autógrafos na Feira do Livro que o confirmam.

 

No campo das ciências sociais, muitas teses académicas encontram na editora uma forma apelativa de chegar ao mercado.

 

Dez anos depois, a Tinta- da- China é um projecto viável, é uma marca reconhecida, de livros bonitos, que apetece ter – muito também por causa do trabalho da designer Vera Tavares – e de prestígio. Alguns diriam: venda-se.

 

Não vai ser assim. O crescimento sustentável da editora vai-se manter alicerçado na pequena estrutura que a viu nascer e que, no essencial, se mantém desde o início. Trabalham na Tinta-da-China nove pessoas. “Queremos ser autónomos, e não procuramos sócios capitalistas”, garante-nos, sorrindo, Bárbara Bulhosa.

 

 

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