Quer inscrever uma empregada doméstica nos serviços da Segurança Social? Tem direito a abono de família, ou a subsídio de desemprego e pensa requerê-los naqueles serviços? Prepare-se para o susto. As filas são enormes à porta das Lojas do Cidadão. Os postos de atendimento cada vez menos. Conseguir senha já é uma vitória. A via online é bem mais tranquila, mas é preciso ter informação.

 

Texto e fotografia: Fernanda Ribeiro

 

Pela manhã, o Rossio está tranquilo, quase não há trânsito, as lojas ainda fechadas, mas quando se chega aos Restauradores é um susto. De pé, na rua, mais de 100 pessoas aguardam a abertura das portas da Loja do Cidadão dos Restauradores, o que só acontecerá pelas 8h30.

Às 8h15, a fila que se avoluma já chega ao Palácio Foz. O que traz tantos ali tão cedo, antes mesmo de os serviços abrirem? Burocracia e problemas diversos, mas a maioria tem a esperança de resolver um assunto pendente com a Segurança Social. Conseguir uma senha para aceder aos serviços é, desde logo, uma grande vitória. E sinal de que se será atendido, mesmo que só três, quatro ou cinco horas depois.

Quando as portas se abrem, todos entram. Quem vai tratar de passaporte ou de cartão de cidadão dirige-se directamente à máquina para tirar a respectiva senha. Mas no caso da Segurança Social, o procedimento é diferente nas lojas do Cidadão: personalizado e mais à antiga.

Há uma funcionária que vai distribuindo as senhas, até a fila acabar. Cinco minutos depois de ter começado, já vai no número 101.

Ao balcão, há cinco funcionárias a atender. Quem, às oito e meia da manhã, recebe a senha 101 será atendido lá para as 12h30, se não houver casos muito complicados pelo meio, a requerer mais tempo. A 77 esperou até às 11h30.

É uma terça-feira e, na Loja dos Restauradores, aparentemente é um dia que começa bem para os utentes. “Hoje não há limite de senhas”, explica a funcionária a um homem que lhe pergunta até que número irá a distribuição. “Por enquanto”, acrescenta.

Cada um dos que espera tem a sua história, o seu filme, a tratar. Seja uma história de final feliz, como um parto recente, a justificar um pedido de abono de família e subsídio de maternidade, seja ela um drama, como a de quem recentemente caiu no desemprego. É ele que tem feito engrossar as filas nas três Lojas do Cidadão a funcionar em Lisboa.

Além da loja dos Restauradores, há a loja de Marvila e a das Laranjeiras – que são os únicos locais onde, sem marcação prévia, se pode tratar das questões com a Segurança Social, desde que há um ano foram reestruturados os serviços.

Há quem já conheça os vários sítios e se comece a sentir expert em balcões da segurança social. Às sextas não costuma haver tanta gente. Os piores dias são a segunda e a terça-feira, contam os funcionários. Qual o melhor posto e com menos espera? A Loja do Cidadão de Marvila não tem filas tão grandes como a dos Restauradores. Mas uma vez lá dentro, há só três funcionários a atender, pelo que a espera pode ser maior.

Na Segurança Social do Areeiro, na Avenida Afonso Costa, não reina a agitação de antigamente, nem se vêem filas cá fora. Lá dentro, há confortáveis cadeiras vazias e contam-se pelos dedos os que aguardam ser atendidos. Não é por acaso. Desde há quase um ano que naqueles serviços “só com marcação prévia” se é atendido, como anuncia um cartaz à entrada.

E como posso marcar? “Telefone para o 21.8401012 entre as 9h00 e as 17h00 e marque a opção 6”, explica ao Corvo um funcionário.

O período prévio é que é muito relativo. Na recepção, a estimativa apresentada foi de “duas semanas até se ser atendido”. Mas pode demorar mais: “quase um mês” foi o tempo estimado a uma utente que tentou marcar entrevista.

As pessoas têm de esperar. Os problemas da Segurança Social é que estão cada vez mais urgentes. Com o aumento do desemprego e dos pedidos de subsídio, que fizeram disparar a procura dos serviços, a Segurança Social Directa parece ser a melhor opção.

Para isso, é preciso ter também uma senha de acesso online e saber quais os formulários indicados para resolver cada assunto, algo que, presencialmente, os funcionários podem ajudar. Mas os postos de atendimento têm vindo a fechar e eles são cada vez menos, se é que não estão mesmo em vias de extinção.

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