O Jardim do Arco do Cego será dos locais mais agradáveis do eixo central da cidade, sobretudo na zona do Saldanha, onde não abundam espaços verdes. Desde a abertura, o lugar outrora ocupado pelo parque de eléctricos da Carris tornou-se uma espécie de oásis urbano, rodeado por prédios e automóveis. Daí que se tenha convertido num natural ponto de convívio, em particular dos estudantes – num raio de pouco metros, existe o Instituto Superior Técnico, mas também escolas secundárias. Como se motivos fossem necessários para convocar o encontro, é sabido de todos os que ali vão que existe um isco. E daqueles que parecem resultar sempre: a cerveja barata. Sentados em cima do muro que delimita o jardim, a apanhar sol, de óculos de sol, a fumar, a namorar ou a brincar com o smartphone, poucos são os que a dispensam. O riso flui mais fácil, de copo na mão.

Um pequeno café, do outro lado da Rua do Arco do Cego, tornou-se popular por vender duas imperiais por 90 cêntimos. Isso mesmo. Há poucas semanas, num número da revista Time Out que fazia capa com “Onde é que é mais barato?”, garantia-se que, em relação a imperiais, “a verdadeira pechincha está na Taberna Manuel Pereira”. Ao que consta, será mesmo o local onde ela é mais barata em toda a Lisboa. Não parece difícil de acreditar. O que deixará qualquer um de boca aberta é o cenário de permanente imundície em que o local de tornou, com os copos de plástico vazios, ou nem tanto, a serem depositados em cima do muro ou atirados para o chão. Em geral, quem quer arranjar espaço para se sentar empurra os destroços para o lado do jardim. E ali se acumulam, à espera da intervenção de um cantoneiro. Diz-se que umas das vantagens de estudar é passar a ver o mundo com outros olhos. Talvez estes estudantes ainda não tenham chegado a tal capítulo da matéria escolar.

 

Texto e fotografia: Samuel  Alemão

  • Luís Leite
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    A educação vem de casa, não vem da escola. Ou não vem, simplesmente.

  • José
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    Escrever para a camara de Lisboa.

  • Rosa Ramos
    Responder

    que vergonha.

  • Aqui mora gente
    Responder

    O cenário do consumo massificado de álcool repete-se em muitos locais da cidade e os sehores autarcas continuam a “olhar para o lado”, quando em outras cidades europeias já foram tomadas medidas de restrição da venda e consumo de álcool no espaço público, fora do espaço licenciado para o efeito (as esplanadas, naturalmente).

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