À descoberta de Olisipo através da pasta de peixe

REPORTAGEM
Mário de Carvalho

Texto

Sofia Bártolo

Ilustração

CULTURA

Santa Maria Maior

12 Abril, 2014


Este fim-de-semana, as galerias romanas da Baixa estão abertas ao público, acessíveis pela Rua da Prata. O Corvo aproveita a ocasião para recordar o importante legado deixado à cidade por aquela civilização.

A Baixa de Lisboa é conhecida pelo seu intenso comércio diário e um valioso património arquitectónico, edificado, na sua maioria, na época do Marquês Pombal, na sequência de terramoto de 1755. Mas não só. Abriga no seu subsolo um impressionante acervo arqueológico da época do império romano, ainda por avaliar na sua total dimensão.

“A zona da baixa era um enorme complexo fabril de preparados de peixe”, afirma o arqueólogo Clementino Amaro, um dos principais investigadores em Portugal do período romano, por forma a demonstrar a dimensão do trabalho que ainda é necessário realizar para “reconstruir” Olisipo.

Olisipo foi o nome atribuído por Júlio César, no século II a.C, a Lisboa, com o estatuto de município de direito romano, reconhecendo-lhe a importância estratégica no tráfego marítimo entre o Mar Mediterrânico e o Oceano Atlântico. “Olisipo era uma importante zona de comércio, funcionando como entreposto do império romano de grande valor, demonstrado através do espólio até agora encontrado”, explica a O Corvo Clementino Amaro.

Na realidade, o município romano, que geograficamente ficava entre a porta de Alfama, a nascente, e os limites do estuário do Tejo, a ocidente, tinha já uma malha urbana centrada na zona da baixa. A demonstrar sua relevância está, segundo arqueólogo José d’Encarnação, a necrópole romana (século I- IV d.C.) que existia na Praça de Figueira.

Numa conferência sobre “Lisboa Romana através das suas inscrições”, que  recentemente decorreu na Academia das Ciências de Lisboa, José d’Encarnação lembrou que, durante as obras do metropolitano, em 1962, foi encontrada uma importante coleção de lápides funerárias epigrafas na Praça de Figueira. Tal indica que no local existiu “uma grande necrópole”, estando hoje parte do acervo em exposição no Museu da Cidade de Lisboa.

Contudo, José d’Encarnação não deixou de considerar um “atentado” a construção “à pressa” de um parque de automóveis na Praça de Figueira, o qual destruiu a necrópole por completo sem tempo para um trabalho prévio e adequado do espólio existente no local”.

Contudo, José d’Encarnação não deixou de considerar um “atentado” a construção “à pressa” de um parque de automóveis na Praça de Figueira, o qual destruiu a necrópole por completo sem tempo para um trabalho prévio e adequado do espólio existente no local”.

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