A decifrar Almada Negreiros na Ribeira das Naus

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Mário de Carvalho

Texto & Fotografia

CULTURA

Santa Maria Maior

10 Agosto, 2013

A partir do desenho “Auto-Reminiscência”, feito em 1949 por José Almada Negreiros, a Câmara Municipal de Lisboa decidiu prestar homenagem a esta figura incontornável da moderna cultura portuguesa, com um monumento na Ribeira das Naus.

O monumento foi colocado junto à Agência Europeia de Segurança Marítima, no início deste mês, e colado ao paredão que separa o passeio das águas do Tejo. É facilmente identificado pelo desenho e pela assinatura do primeiro nome do pintor/escritor – “Almada” – mas já se torna muito difícil para quem não tem referências sobre a sua obra, saber a razão de tal estrutura no local.

Para os de fora poderá até sugerir uma ajuda à promoção da cidade da outra margem do Tejo. “Almada” – é esse o único nome visível. É praticamente impossível ler o que está escrito na base do monumento.

Será que a tinta sobre as letras foi já consumida pela maresia em tão poucos dias? Ou a concepção dessa base em tom de terra não acautelou a mensagem de evocação ao artista? Com algum esforço consegue-se decifrar que o monumento visa assinalar os 120 anos do nascimento de…

Num dia recente, alguns turistas punham-se praticamente de joelhos para conseguir perceber o que está na placa descritiva do monumento. A urgência de retificar a situação é premente, numa zona que se está a embelezar, agora com as máquinas a colocarem “tapetes de relva” numa parte da Ribeira das Naus.

Está em curso um programa de comemorações dos 120 anos do nascimento de Almada Negreiros, que terminará em Novembro, com um colóquio internacional na Fundação Calouste Gulbenkian.

Um dos pontos da divulgação da obra de Almada Negreiros, que o escritor Jorge de Sena designou como “uma das que mais decisivamente contribuíram para a criação, prestígio e triunfo de uma mentalidade moderna entre nós”, passa pela realização de percurso de autocarro que dê a apreciar a obra do artista espalhada pela cidade.

Estes percursos foram suspensos este mês de Agosto e serão retomados em Setembro. Isto além de exposições, espetáculos de teatro ou leituras da sua obra, narcada por uma enorme diversidade.

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COMENTÁRIOS

  • Ricardo Peres Dias
    Responder

    Não há razão para esta estrutura. Só corta a boa imagem do Tejo. Podia ter sido colocada mais para o interior da frente ribeirinha. Para quem tira fotos com a 25 de Abril de fundo apanha quase sempre um bocado de ferro escuro no meio.

  • Branca Netto Parra
    Responder

    Para os muitos nacionais e estrangeiros que conhecem Almada Negreiros e para tantos outros que urge dar a conhecê-lo, por favor insiram no “monumento” uma inscrição condigna. Afinal qual foi o propósito? Porque se faz mal o que se poderá fazer bem melhor?

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