Poderia pensar-se que as juras de amor à calçada portuguesa, a cada vez que se lança o debate sobre a sua substituição, seriam suficientes para garantir os serviços mínimos. Isto é, fazer com que ela se encontre apresentável, apesar das reconhecidas dificuldades em assegurar a sua preservação integral. A Câmara Municipal de Lisboa tornou público, há cerca de dois meses, o desejo de substituir o tradicional revestimento de vidraço dos passeios por outros materiais, em muitas áreas da cidade. Da segurança dos peões aos custos de manutenção, são vários os argumentos apresentados a favor da eventual revolução. A calçada ficará assim reservada para as zonas mais emblemáticas da cidade.

Apesar de nada ainda estar definido, e de serem muitas as hipóteses em cima da mesa, sabe-se já que áreas como a Baixa, uma das mais frequentadas pelos turistas, serão intocáveis. Nela, a calçada será para manter, garante a autarquia. Quando nos deparamos com a realidade, todavia, prevalce um travo forte a desilusão. Veja-se este exemplo, na Rua Dom Duarte, mesmo às portas da Praça da Figueira. Bem no centro da cidade, portanto. É um cenário desolador, que prevalece há vários dias e dispensa explicações. Mas, se se tirar umas horas para fazer um passeio pelas ruas de Lisboa, não será difícil encontrar imagens como esta. Poderão quadros como este vir a ser utilizados para justificar a inevitabilidade da substituição?

 

Texto e fotografia: Samuel Alemão

  • Alexandre Nunes
    Responder

    Quando se faz algo contrariado ou mesmo não gosta de o fazer de todo o que é de esperar?
    A gestão da CML simplesmente não gosta nem de calçada, nem da zona histórica, nem de quem lá insiste viver, nem de jardins, nem sequer de limpeza.
    Evidências são assustadoramente recorrentes.
    Falta de meios é conversa pois se há dinheiro e iniciativa para “decorar” Lisboa em 24h com mupis do Eusébio há certamente para fazer o que é necessário e urgente.
    Basicamente existem outras urgências.
    Lisboa RIP

  • Lucilia
    Responder

    Ora bem! Seb o que é nacional é bom! Pela lógica a decisão da edilidade de retirar aquilo que é nacional será muito mau! Mas qual será o material a colocar? betume? Atenção que esse material tem mais contras ainda, é sujo, cola-se aos sapatos e destroi o pavimento do comercio, dos carros das habitações, enfim de todos os espaços por onde circulam pessoas, e derrete com o calor! Anasilem bem o q vão utilizar, para não ser “pior a emenda q o soneto”! Nesta altura de carestia colocar calçada e o respetivo restauro das zonas degradadas ainda é a solução mais económica e limpa! Nem sempre a modernice é boa!!!

Deixe um comentário.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

O Corvo nasce da constatação de que cada vez se produz menos noticiário local. A crise da imprensa tem a ver com esse afastamento dos media relativamente às questões da cidadania quotidiana.

O Corvo pratica jornalismo independente e desvinculado de interesses particulares, sejam eles políticos, religiosos, comerciais ou de qualquer outro género.

Em paralelo, se as tecnologias cada vez mais o permitem, cada vez menos os cidadãos são chamados a pronunciar-se e a intervir na resolução dos problemas que enfrentam.

Gostaríamos de contar com a participação, o apoio e a crítica dos lisboetas que não se sentem indiferentes ao destino da sua cidade.

Samuel Alemão
s.alemao@ocorvo.pt
Director editorial e redacção

Daniel Toledo Monsonís
d.toledo@ocorvo.pt
Director executivo

Sofia Cristino
Redacção

Mário Cameira
Infografías 

Paula Ferreira
Fotografía

Margarita Cardoso de Meneses
Dep. comercial e produção

Catarina Lente
Dep. gráfico & website

Lucas Muller
Redes e análises

ERC: 126586
(Entidade Reguladora Para a Comunicação Social)

O Corvinho do Sítio de Lisboa, Lda
NIF: 514555475
Rua do Loreto, 13, 1º Dto. Lisboa
infocorvo@gmail.com

Fala conosco!

Faça aqui a sua pesquisa

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com