Poderia pensar-se que as juras de amor à calçada portuguesa, a cada vez que se lança o debate sobre a sua substituição, seriam suficientes para garantir os serviços mínimos. Isto é, fazer com que ela se encontre apresentável, apesar das reconhecidas dificuldades em assegurar a sua preservação integral. A Câmara Municipal de Lisboa tornou público, há cerca de dois meses, o desejo de substituir o tradicional revestimento de vidraço dos passeios por outros materiais, em muitas áreas da cidade. Da segurança dos peões aos custos de manutenção, são vários os argumentos apresentados a favor da eventual revolução. A calçada ficará assim reservada para as zonas mais emblemáticas da cidade.

Apesar de nada ainda estar definido, e de serem muitas as hipóteses em cima da mesa, sabe-se já que áreas como a Baixa, uma das mais frequentadas pelos turistas, serão intocáveis. Nela, a calçada será para manter, garante a autarquia. Quando nos deparamos com a realidade, todavia, prevalce um travo forte a desilusão. Veja-se este exemplo, na Rua Dom Duarte, mesmo às portas da Praça da Figueira. Bem no centro da cidade, portanto. É um cenário desolador, que prevalece há vários dias e dispensa explicações. Mas, se se tirar umas horas para fazer um passeio pelas ruas de Lisboa, não será difícil encontrar imagens como esta. Poderão quadros como este vir a ser utilizados para justificar a inevitabilidade da substituição?

 

Texto e fotografia: Samuel Alemão

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