A intervenção de requalificação da zona da Ribeiras das Naus, numa área de 5,2 hectares, encontra-se praticamente concluída, estando a decorrer os trabalhos finais de “embelezamento”. Há muito esperada, a conclusão da obra tarda em concretizar-se, apesar das sucessivas indicações de a mesma estar “para breve”. O que não impede que o local se tenha transformado, nas últimas semanas, numa zona de lazer e veraneio. Mesmo que, para as largas centenas de pessoas que diariamente ali passam, seja intrigante a ausência de indicações sobre o valor do património histórico agora colocado a descoberto.

Uma das consequências das obras de requalificação de Ribeira das Naus tem sido o caos no trânsito, desviado para a Rua do Arsenal, desde o início do ano. Tal situação só deverá terminar quando a autarquia considerar concluído o projeto, orçado, nesta fase, em cerca de 10 milhões de euros.
 Muitas pessoas que, nesta parte da zona ribeirinha do Tejo, aproveitam os dias de sol para passearem e desfrutarem das vistas, espalhando-se pelo relvado, gostariam até que nunca houvesse circulação rodoviária na zona.

“Este espaço é um autêntico passeio público de lazer, onde a paisagem, o espaço verde, a praia artificial e o quiosque formam um conjunto harmonioso. Foi o arranjo que há muito se impunha e que ficou espetacular!”, refere Maria da Conceição, desenhadora, que aproveitava o relvado para se espraiar e ler um livro. “O que não está ainda bem”, comentou, ” é a rampa em escada, de cimento, à beira-rio. Merecia uma proteção no último degrau, pois aquela zona torna-se escorregadia e verde com a água. Um dia, alguém escorrega e parte uma perna ou vai cair ao rio. Depois aí, é que se vão lembrar….”.

 

DSC09824

 

Mas existem outras preocupações. “Passo aqui todos os dias e é estranho não encontrar nenhuma indicação sobre o que eles andaram a desenterrar”, diz Carlos Martins, farmacêutico, no seu caminho em direção à estação de comboios do Cais do Sodré, realçando que este espaço público foi valorizado com a intervenção: “ficamos mais perto do rio e isso é bonito e saudável”.

De facto, a informação histórica sobre a importância patrimonial desenterrada no local não existe, optando-se antes por cartazes publicitários à obra. Na realidade, a doca seca do Arsenal, as rampas do varadouro (infraestrutura determinante para o acesso das embarcações à água, e agora recriada) e a doca da Caldeirinha estavam interdependentes e faziam parte das “oficinas” de reparação das embarcações portuguesas, no período dos Descobrimentos.

 

DSC09819

 

A falta de informação na zona é, aliás, recorrente. Já em Agosto de 2013, O Corvo alertava para isso, salientando a dificuldade em ler o que estava escrito na base da monumento ao artista e escritor português Almada Negreiros – pois a textura ferruginosa da placa tornava-a difícil de ler, sendo que o próprio decurso do tempo agrava tal obstáculo. Em Abril, porém, a Câmara Municipal de Lisboa decidiu colocar uma lápide de mármore ao lado da base da estátua, onde já é legível a explicação sobre quem é Almada Negreiros.

 

Texto: Mário de Carvalho

O Corvo nasce da constatação de que cada vez se produz menos noticiário local. A crise da imprensa tem a ver com esse afastamento dos media relativamente às questões da cidadania quotidiana.

O Corvo pratica jornalismo independente e desvinculado de interesses particulares, sejam eles políticos, religiosos, comerciais ou de qualquer outro género.

Em paralelo, se as tecnologias cada vez mais o permitem, cada vez menos os cidadãos são chamados a pronunciar-se e a intervir na resolução dos problemas que enfrentam.

Gostaríamos de contar com a participação, o apoio e a crítica dos lisboetas que não se sentem indiferentes ao destino da sua cidade.

Samuel Alemão
s.alemao@ocorvo.pt
Director editorial e redacção

Daniel Toledo Monsonís
d.toledo@ocorvo.pt
Director executivo

Sofia Cristino
Redacção

Mário Cameira
Infografias & Fotografia

Paula Ferreira
Fotografía

Catarina Lente
Dep. gráfico & website

Lucas Muller
Redes e análises

ERC: 126586
(Entidade Reguladora Para a Comunicação Social)

O Corvinho do Sítio de Lisboa, Lda
NIF: 514555475
Rua do Loreto, 13, 1º Dto. Lisboa
infocorvo@gmail.com

Fala conosco!

Faça aqui a sua pesquisa