Entrevista

 

Nesta quarta-feira, 19 de Fevereiro, será assinado o protocolo com o novo mecenas do Museu Nacional de Arte Contemporânea (MNAC), notabilizado como Museu do Chiado. Que se junta ao actual, a Fundação Millenium BCP. Um apoio que será direcionado para o trabalho na apresentação de novos projectos na arte contemporânea e que será fundamental para impulsionar uma nova dinâmica dada pelo crescimento físico do próprio museu.

“O Corvo” entrevistou David Santos, o novo director, sobre as suas ideias e projectos para o museu. Da conversa ficaram excluídos, a pedido do director, os temas ligados à colecção dos quadros de Miró pertencentes ao BPN e a vizinhança com a Escola Superior de Belas Artes de Lisboa – que, na semana passada, motivou um protesto dos alunos e professores daquele estabelecimento de ensino.

David Santos, historiador, investigador e até aqui director do Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, passa a dirigir uma casa que conhece bem: durante os vinte anos da nova fase do museu – que se assinalam este ano -, escreveu enquanto crítico de arte sobre algumas exposições e foi convidado, depois, a programar algumas retrospectivas como a de Marcelino Vespeira, bem como exposições antológicas que permitiram que a colecção do museu circulasse pelo país.

 

Qual é sua prioridade imediata para o MNAC?

Projectar, promover, apresentar e investigar a arte contemporânea portuguesa. Dar atenção à arte emergente, revelar os mais novos. Não podemos esquecer o património histórico que guardamos, mas devemos revelar as novas gerações.

O meu objectivo, que estava bem explícito na minha candidatura, é claro: acentuar a contemporaneidade na linha de trabalho deste museu. Quero que as pessoas percebam que este é um museu dos nossos tempos.

Até agora, a divisão das salas e a organização expositiva não privilegiavam muitas vezes esta prioridade ou ela era bastante tímida ou diluída.

Mas vai passar a privilegiar. A exposição da dupla Sara e André, que apresentaremos ainda este ano e que vai ser a minha exposição enquanto director e curador, vai ser um statement nesse sentido. Exposição onde já espero contar com os novos espaços disponibilizados pela ocupação do MNAC das instalações do Governo Civil e que foram recentemente protocoladas.

Vamos tentar, desde já, invadir esse espaço não com exposições de pintura ou escultura, numa organização mais tradicional, mas com sinais, através de vídeos e instalações, de que ali também é museu. Para isso, será aberta uma nova porta de acesso ao museu. É possível fazer, desde já, uma programação adequada a este espírito, sem que as obras de adaptação típicas a um espaço de museu se façam imediatamente.

Qual a dimensão desse espaço?

Mais de três mil metros quadrados (o museu actual tem cerca de mil), onde vai ser preciso trabalhar por fases: a ligação interna, por exemplo, ainda terá de ser feita. Mas isso não quer dizer que não se assuma, desde já, a programação dos dois espaços.

 

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Que dinheiro tem para fazer exposições?

Os orçamentos são sempre os possíveis. Este museu sempre teve um mecenas. Actualmente, o nosso mecenas é a Fundação Millenium BCP, que se tem mantido como mecenas regular e que tem permitido programar algumas exposições. Mas, ainda em Fevereiro, teremos notícias sobre um novo mecenas que nos permitirá trabalhar a arte contemporânea, passando a Fundação Millenium a ocupar-se dos projectos mais ligados ao século XIX.

Revestiu-se com nervos de aço para não desistir, quando tanta gente que dirige instituições culturais desiste, baixa os braços?

Os orçamentos diminutos sempre foram para mim um desafio. Há hipóteses de trabalho que me motivam. Eu não me motivo, nem me regozijo por não ter orçamentos adequados, mas não desisto.

Quantas pessoas visitam o MNAC?

Cerca de quarenta mil vistantes. O meu objectivo é, para já, neste primeiro ano, chegar aos cinquenta mil. Objectivo que me parece estar ao nosso alcance, quer pelo aumento de turistas que visitam Lisboa, quer pela nova dinâmica que iremos gerar com o alargamento ao novo espaço.

Qual a programação desenhada para esse objectivo?

Quando aqui cheguei, herdei uma programação já desenhada e que mantive nos casos em que nela me revia. É o caso das exposições que inauguramos em Março, “A visão incorporada/performance para a Câmara”, uma antologia internacional e a nova exposição de Vasco Araújo, “Botânica”.

No início do Verão, teremos uma exposição antológica de Pires Viera.

A exposição permanente permanecerá até que o espaço que dispomos possa ser totalmente trabalhado. Para já, será assim até meados de 2015. Nessa altura, uma exposição programada do pintor Adriano de Sousa Lopes, pela sua dimensão, obrigará à sua retirada.

Há também um intercâmbio com o Museu de História e Teatro do Luxemburgo, que nos permitirá mostrar uma importante exposição do fotógrafo americano Edward Steichen e que lá seja mostrada a nossa colecção de fotografia dos anos cinquenta.

 

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Texto Rui Lagartinho          Fotografias: David Kong

 

* Texto actualizado às 00h40 de 19 de Fevereiro

  • victor ribeiro
    Responder

    Ao mesmo tempo que se projeccta o alargamento deste Espaço o Governo de Passos Coelho priva o País da magnifica colecção de Juan Miró que recebeu em consequencia da nacionalização do BPN!

  • Nuno Costa
    Responder

    Mas as Belas Artes que se lixem não é? Para isso nem sequer foram ouvidas, Não foi?. Raio que vos partam!

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