Viagem pelos antigos caminhos da água de Lisboa, através da Galeria do Loreto

por • 25 Maio, 2015 • Reportagem, SlideshowComentários (3)2581

Trata-se de um património importante da história da cidade e que todos os dias pisamos, sem o conhecer por dentro. Mas, agora, a Galeria subterrânea do Loreto já pode ser visitada em mais um troço, recentemente reaberto pelo Museu da Água da EPAL. O Corvo entrou lá e conta como é.

 

Texto: Rui Lagartinho         Fotografias: Paula Ferreira

 

Rua das Amoreiras, duas e meia da tarde. A dois passos do Largo do Rato, Lisboa ferve de trânsito e hoje, apesar do vento, também de calor. Uma chave nas mãos de Isabel Marques, a técnica do Museu da Água da EPAL, que é agora a nossa guia, abre a discreta porta que dá acesso à Casa do Registo, por debaixo da Mãe de Água das Amoreiras.

 

É o acesso à Galeria do Loreto. Durante os quase duzentos anos em que o Aqueduto das Águas Livre funcionou, este túnel foi um eixo fundamental no abastecimento de água à baixa da cidade de Lisboa.

 

Em grupo, integrados numa visita de uma escola, iniciamos a descida em direcção ao Largo do Rato. A primeira paragem é por debaixo do chafariz que se encontra no ângulo entre as Ruas do Salitre e Alexandre Herculano. Era em equipamentos como este que Lisboa se abastecia. Outros que poderão ser encontrados nos ramais deste percurso são o da Rua da Alegria e o da Rua do Século, servidos por dois aquedutos que ali faziam chegar a água.

 

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Aqui em baixo, neste ponto do túnel onde a luz entra coada, dá para ouvir o silêncio, nos breves segundos em que a turma escolar que nos acompanha consegue estar calada.

 

Seguimos por baixo da Rua da Escola Politécnica, onde as ruas que com ela cruzam estão assinaladas, até chegarmos ao Largo do Príncipe Real. Aqui e ali, nas paredes, há fotografias que retratam esta zona, no tempo não muito longínquo em que o aqueduto e todos os seus braços ainda funcionavam.

 

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À direita, o túnel bifurca e há um acesso ao Reservatório da Patriarcal, mesmo por debaixo do jardim. Mas o nosso caminho é em frente, pela Rua Dom Pedro V. Como se fôssemos na carreira 758 da Carris, que atravessa este eixo da também denominada Sétima Colina, em direcção ao Cais do Sodré.

 

Saímos para enfrentar o vento e o calor no Jardim de São Pedro de Alcântara, em frente do miradouro. A turma dispersa-se à procura de água, como pardais a quem abrem a gaiola, embora o percurso debaixo do chão tivesse durado pouco mais de trinta minutos.

 

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A Galeria do Loreto prossegue até ao Largo do São Carlos, mas esse troço não está aberto a visitas. Desde 18 de Abril, o Museu da Água da EPAL abriu os 1.600 metros do total de 2.835 que compõem a Galeria do Loreto – a escolas, sob marcação, e ao público em geral, todas as sextas-feiras, às 15h, e no último sábado de cada mês, às 11h.

 

Mais informações: www.epal.pt

 

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3 Responses to Viagem pelos antigos caminhos da água de Lisboa, através da Galeria do Loreto

  1. Tuga News Tuga News diz:

    [O Corvo] Viagem pelos antigos caminhos da água de Lisboa, através da Galeria do Loreto http://t.co/iAatyco31o

  2. Todas as sexta-feiras às 15…que raio de horário

  3. RT @ocorvo_noticias: Viagem pelos antigos caminhos da água de Lisboa, através da Galeria do Loreto – http://t.co/ZQ0tXENXY8