“Temos muito a aprender com reformados estrangeiros que chegam a Lisboa”, diz vereador cessante dos direitos sociais

por • 4 Outubro, 2017 • Actualidade, Slideshow, VIDA NA CIDADEComentários (24)500

Muito se tem escrito e falado sobre o facto de o centro de Lisboa, em particular os seus bairros históricos, se poder estar a transformar numa espécie de colónia para estrangeiros endinheirados, através da compra de imóveis em grande escala. De entre eles, assume especial relevo o grupo dos reformados de países ricos que escolhem a capital portuguesa para viverem. Mas a ideia de que eles vivem numa “bolha”, sem se integrarem nas comunidades onde escolheram viver, não fará afinal muito sentido, diz João Afonso, vereador dos Direitos Sociais da Câmara Municipal de Lisboa.

 

“Muito pelo contrário, a informação que temos recebido é de que eles têm aparecido junto de várias instituições, com vontade de se integrarem na vida dos bairros e de participarem em todas as sua actividades”, disse o autarca prestes a cessar funções, durante a apresentação da segunda edição do festival LisBoa Idade – a decorrer entre 6 (sexta-feira) e 7 (sábado) de outubro, no Largo da Graça, sob o lema “uma cidade para toda as idades”.

 

Questionado por O Corvo sobre a forma como a nova vaga de aposentados estrangeiros abastados se estaria a integrar na cidade, João Afonso – que se prepara para deixar o cargo no final do mês, quando o novo executivo tomar posse – fez questão de refutar a ideia, mais ou menos generalizada, de que se tratam de pessoas pouco interessadas em interagir com a população local.

 

“Sabemos que, em muitos sítios, fazem perguntas sobre como participar em organizações e acções de voluntariado, de ajudarem a comunidade, de serem úteis em actividades com crianças, por exemplo. Demonstram essa disponibilidade, até porque, muitas vezes, trazem dos seus países uma cultura de voluntariado e participação mais avançada que a nossa. Temos muito a aprender com eles nesse campo”, considera João Afonso.

 

O vereador em término de mandato acha, por isso, que a melhor forma de estabelecer a ponte com os lisboetas, e em particular com outros idosos, será através da criação de “estratégias de voluntariado”. Uma vertente que, admite, ainda terá de ser melhor trabalhada.

 

O aproveitamento dessa aptidão dos mais velhos, nacionais e estrangeiros, para participar na vida comunitária encaixa num dos objectivos definidos pela “Estratégia de cidade para as Pessoas Idosas 2018-2026”, o qual preconiza “valorizar o contributo da população idosa na cidade”. Os dois outros propósitos estabelecidos pelo plano a oito anos, a desenvolver em conjunto pela câmara municipal e a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, são, por um lado, a reorganização e optimização da “rede de equipamentos e respostas sociais” e, por outro, a implementação de “um modelo de intervenção integrado de todos os agentes que na cidade trabalham com a população idosa e as suas famílias”.

 

Uma tarefa que é um desafio, reconhece o autarca, pois Lisboa é a capital mais envelhecida da União Europeia, com 24% da sua população a ultrapassar os 65 anos. Ou seja, 132 mil pessoas, das quais 85 mil vivem sozinhas, sendo mulheres dois terços deste número. E ainda há a destacar a existência de quase 51 mil pessoas com mais de 85 anos na capital. Cerca de 58% dos idosos de Lisboa têm apenas o 1º ciclo do Ensino Básico. Estima-se que, em 2050, Portugal seja o terceiro país mais envelhecido do mundo.

 

A referida Estratégia para as Pessoas Idosas que a Câmara de Lisboa e a Santa Casa da Misericórdia querem pôr em prática entre 2018 e 2026 divide-se em quatro eixos de actuação: participação e cidadania; governação e informação; autonomia e segurança; e assistência na dependência. No seu conjunto, agregam 23 medidas de apoio aos cidadãos mais velhos de Lisboa.

 

Entre as mais importantes contam-se o Balcão Sénior LX65+, que abrirá, em meados do próximo ano, na nova Loja do Cidadão do Saldanha, a inaugurar no piso superior do Mercado 31 de Janeiro. Mas o ainda vereador dos Assuntos Sociais destaca, também, o novo serviço de teleassistência municipal, que deverá ficar operacional entre o final de 2018 e o início de 2019, e que contará com comparticipação de fundos comunitários.

 

Será um sistema idêntico aos existentes em cidades europeias como Barcelona, Paris ou Nantes, prevendo uma integração total num único serviço do apoio à distância ao idoso. Através de um telefone ligado a uma central, e de forma gratuita, as pessoas com mais de 65 anos que adiram ao serviço poderão contar a ajuda de operadores de call center que os ajudarão nas suas necessidades mais elementares. E, caso seja necessário, activarão respostas de emergência.

 

O festival LisBoa Idade deste ano, que decorre entre sexta-feira (6 de outubro) e sábado, pretende “incluir as diferentes faixas etárias e preparar estratégias para ciclos de vida cada vez mais longos e que se querem activos”. A programação conta, por isso, com uma série de actividades, como wokshops especializados, espectáculos musicais, demonstrações à volta da alimentação saudável ou da actividade física pensada para diferentes momentos da vida.

 

O momento de celebração comunitária, que é apadrinhado pelos apresentadores Júlio Isidro e Cláudia Semedo e o chef Hélio Loureiro, terá o seu momento alto no concerto de Mário Laginha e Pedro Burmester, no Convento da Graça, às 19h de sexta-feira. A entrada será livre, sujeita à lotação do espaço.

 

Programa completo do festival: lisboaidade.pt

 

Texto: Samuel Alemão

 

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24 Responses to “Temos muito a aprender com reformados estrangeiros que chegam a Lisboa”, diz vereador cessante dos direitos sociais

  1. Como aproveitar paraísos fiscais. Como dificultar a qualidade de vida às populações nativas através do aumento do custo de vida. Como se apoderar do património estrangeiro e ser recebido com palmadinhas nas costas. Como…tantas coisas boas temos a aprender com os reformados estrangeiros…

    • A culpa não é dos reformados estrangeiros, mas sim das leis . Eles apenas estão a usufruir do que ditam as mesmas .

    • Eles sabem que estão a contribuir para algo não necessariamente positivio para a comunidade local, logo têm a culpa de se estarem a marimbar para isso, mas sim a culpa é dos nossos politicos, que parecem valorizar o enriquecimento de alguns em detrimento da manutenç~´ao da qualidade de vida da grande maioria.

      • Catarina de Macedo diz:

        E os reformados estrangeiros não pagam impostos sequer…Coisa que os lisboetas fazem. Ou seja, estão a usufruir de serviços pagos por nós e para os quais nada contribuem. Comprar a casa (e contribuir para a bolha) e ir fazer compras no mercado local não chega para ajudar realmente os lisboetas. São mais os pontos negativos que os positivos.

  2. A parolice do “venha gastar o dinheiro” parece o Algarve dos anos 80.90 mas os lisboetas votam nesta política.
    Depois queixam-se de quê?

  3. Andar de peúgas e sandálias e não tomar banho ?!

  4. Ainda bem que está de partida o Conde Andeiro

  5. Sobretudo a ter reformas como as deles… Aprendizagem fácil, diria eu

  6. A população das cidades está envelhecida porque os “novos” são obrigados a ir para longe ou para o estrangeiro. Mas na realidade a população “envelhecida” está a ser expulsa da cidade, a CML não está a par desta situação? então como aprova projectos de “encapuzada requalificação” , de prédios antigos sem se informar se têm ainda inquilinos? Ah já me esquecia, a tal lei, da Sra Assunção Cristas, veio dar permissão “legal” para que estes (inquilinos) sejam “postos a andar” num ápice.

  7. Senhor vereador os de cá são tesos não tem sequer alegria para se integrarem em nada. Reformas miseráveis já ouviu falar? Suicide-se senhor Vereador.

  8. Ana Gomes Ana Gomes diz:

    Mais uma anedota na CMLisboa!

  9. Se lessem a notícia talvez percebessem o título

  10. A clássica doença de que muitos padecem “o que é estrangeiro é melhor do que é português” … até nos idosos!

  11. Declarações da treta de quem não vê mais nada senão dinheiro à frente. No dia que não não voltarem a ter POrtugueses a viver na cidade depois queixem se

  12. Reconheço o valor de quem ajuda o outro pois não há nada mais válido do que dar do seu tempo a alguém ou a alguma causa. Porém vêm porque o podem fazer e cá precisam de ajuda porque nada têm. É de louvar o ajudar pois há muita gente que comenta e reclama e nada faz mas se fosse dado mais não era preciso muita ajuda

  13. ainda bem que é um ‘vereador cessante’. potencial reformado em aprendizagem, quiçá.

  14. Sérgio condeco diz:

    Os nossos idosos também têm muito a ensinar a estes novos reformados. Podemos começar por : 1) como viver com uma reforma miserável? 2) viver num país onde lhes foi vetada o acesso à educação. 3) viver num país onde os nossos políticos afirmam coisas provincianas, no fundo sofrendo do síndrome de porteira em Paris nos anos 60.

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