Quatro projectos de teleféricos entre 566 propostas do Orçamento Participativo 2016

por • 11 Julho, 2016 • Actualidade, SlideshowComentários (5)956

As dificuldades de mobilidade dentro da cidade de Lisboa e com a sua envolvente continuam no centro das preocupações dos habitantes da capital. Tanto que a categoria “infraestruturas viárias, mobilidade e transportes” foi aquela que mais propostas (132) recebeu dos cidadãos, para a edição 2016-2017 do Orçamento Participativo (OP), num total de 566 sugestões de investimento público municipal num total de 2,5 milhões de euros – as quais se encontram agora em fase de avaliação técnica, para serem escolhidas aqueles que poderão vir a ser colocadas em votação popular, de 15 de Outubro a 20 de Novembro. Entre elas existem quatro projectos para a construção de linhas ou redes de teleférico, sobretudo na zona ocidental da cidade, onde a rede de metropolitano é inexistente.

 

O mais ambicioso dos quatro projectos de teleférico apresentado por cidadãos ou grupos de cidadãos é aquele que apresenta o mais breve descritivo. “Construir um Teleférico entre Lisboa e o Cristo Rei, utilizando a estrutura da ponte 25 de Abril ou criando uma nova estrutura de suporte”, diz a proposta 370, que terá um orçamento estimado de 500 mil euros, segundo os seus proponentes. Ou seja, o valor mais elevado que é permitido alocar a um projecto do OP.

 

Esse é também o montante estimado pelos autores da proposta 131, que pretende a construção da Rede de Teleférico de Lisboa Ocidental, a qual permitiria a ligação de diversos pontos nas freguesias de Ajuda, Campolide e Campo de Ourique, tendo como centro nevrálgico a estação de comboios da CP de Campolide.

 

“A falta de transportes no interior e para o interior dos grandes parques da zona Ocidental de Lisboa e a necessidade de um plano de mobilidade de turistas e passageiros para as Universidades junto aos parques”, bem como a “falta de uma rede de transporte rápido ligada à interface da CP em Campolide e com ramificações a zonas elevadas com falta de ligações diretas a esse interface e do interface à zona do Monsanto e Ajuda” são apresentadas como justificação para esta proposta.

 

Para resolver tais problemas, criar-se-ia um sistema de “teleféricos de pêndulo e teleféricos de gôndola, turístico e de passageiros de uma cabine única de 12 passageiros (para o percurso mais longo) e com início no interface de Campolide (CP)”. Tal rede teria ramificações a Nova Campolide (Universidade Nova), Campo de Ourique (CC Amoreiras), Parque Alto da Serafina (Miradouro do Monsanto), Tapada da Ajuda (Palácio de Exposições) e Campus da Universidade de Lisboa (Ajuda).

 

Preocupada também com a mobilidade na mesma zona, a proposta 12 – intitulada “Acesso fácil a Monsanto às famílias e turistas” – sugere a criação de “um teleférico a ligar, como primeiro troço, a Praça de Sete–Rios (desejavelmente perto de saída do Metropolitano), ao Parque Recreativo do Alto da Serafina e, como segundo troço, deste Parque até ao Restaurante Panorâmico”. Orçada em 400 mil euros, e envolvendo território das freguesias da Ajuda e Campolide, tal obra permitira, segundo o autor da proposta, atrair mais gente ao “pulmão da cidade” através de uma forma de transporte “limpa de CO2”. Ainda de acordo com a mesma proposta, esta “seria uma obra com pequeno impacto ambiental, salvo na construção e nos pontos de localização dos postes e no consumo de energia”.

 

A mais barata das quatro propostas de construção de um sistema de teleférico é a 115 e pede um “sistema de mobilidade por cabo aéreo (teleférico) entre as estações de Alcântara-Terra e Alcântara-Mar”. Custo: 300 mil euros. “Até existir uma solução definitiva para a ligação entre estas duas estações e a reformulação da rede viária na zona, esta é uma opção que, quer pelo baixo custo, facilidade de implementação e reduzida pegada ambiental, se torna na mais promissora a fim de facilitar a mobilidade dos passageiros das duas linhas e não só”, diz o texto de apresentação do projecto, que prevê uma “possível extensão à zona das docas”.

 

Depois da área de infraestruturas viárias, mobilidade e transportes, com as tais 132 propostas recebidas, aquelas que, entre 18 de abril e 12 de junho, mais sugestões de investimento receberam por parte dos lisboetas foram: reabilitação urbana e espaço públicos (106 propostas); estrutura verde, ambiente e energia (85 propostas); cultura (72 propostas); direitos sociais (40 propostas) e desporto (39 propostas). A área que menos interesse suscitou foi a de segurança e protecção civil, com apenas seis sugestões de investimento municipal. Até 5 de outubro, serão anunciados os resultados provisórios da lista de projectos que, mais tarde (entre 15 de outubro e 20 de novembro), serão colocados à votação final dos lisboetas.

 

Mais informações e lista completa de projectos: www.lisboaparticipa.pt

 

Texto: Samuel Alemão.

 

Pin It

Textos Relacionados

5 Responses to Quatro projectos de teleféricos entre 566 propostas do Orçamento Participativo 2016

  1. Tuga News Tuga News diz:

    [O Corvo] Quatro projectos de teleféricos entre 566 propostas do Orçamento Participativo 2016 https://t.co/fBGFcswVRj #lisboa

  2. Mais uma vez o bairro 2 de maio não existe Ajuda para além do 2 de maio

  3. Quatro projectos de teleféricos entre 566 propostas do Orçamento Participativo 2016 https://t.co/ISeEk07CqP

  4. Vasco diz:

    Dá para ver a mentalidade provinciana dos participantes. E dá direito a notícia. Desde quando uma cidade como Lisboa precisa de novos teleféricos? Prefiro mil vezes a CML arborize as avenidas e a 2ª circular.