A pergunta impõe-se ante as notórias e crescentes dificuldades do Metropolitano de Lisboa em servir de forma satisfatória a procura por parte dos passageiros: há alguma razão pela qual as composições que servem a Linha Verde continuem a não ser formadas por quatro carruagens, mas apenas por três, fazendo assim com que as pessoas viajem quase sempre apertadas?

 

A situação verifica-se desde Fevereiro de 2012, tendo a redução sido uma decisão do anterior Governo, cujo então ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, alegou na altura ser uma necessidade imperiosa face às diretrizes de poupança impostas pela “troika”. A medida foi muito criticada pelos partidos de esquerda que estavam na oposição, incluindo a liderança socialista da Câmara Municipal de Lisboa. A sua chegada à chefia do executivo fez muita gente pensar que a situação seria revertida. Um ano volvido, nada aconteceu.

 

O tema voltou a ser discutido, na última reunião do executivo camarário, na semana passada, quando o PCP e o CDS-PP apresentaram distintas moções sobre a acelerada degradação do serviço, registada sobretudo nos últimos meses – e especialmente sentida na linha que faz a ligação entre Telheiras e Cais do Sodré. Ambas os textos foram, no entanto, chumbados pela maioria PS na vereação. A moção dos comunistas foi aquela, todavia, que abordou de forma mais explícita a questão do número de carruagens a circular nas composições daquela linha.

 

Criticando a decisão da administração do metro de encerrar a estação de Arroios, a partir das 21 horas de dia 7 de novembro e das 16h de dia 8 – e devido à manifesta incapacidade em responder à demanda de quem se dirigia à Web Summit -, o texto do PCP manifestou estranheza face à “inusitada situação”. Isto porque, garante, “é possível, no imediato, assegurar o aumento da oferta através da introdução das quatro carruagens, conforme já proposto por diversas vezes pelos utentes daquela linha, sem encerrar a estação de Arroios”. Esta estação será fechada, a partir do verão de 2017 e por 18 meses, para ser sujeita a obras que lhe permitam vir a receber seis carruagens.

 

Mas, até lá, poderia receber quatro. Como acontecia até 2012. Por isso, a moção dos comunistas pedia que a CML se pronunciasse “inequivocamente junto do Governo, Administração do Metropolitano e da população, no sentido de se opor ao encerramento da Estação do Metropolitano de Arroios, quaisquer que sejam os moldes ou termos, e a defender a reintrodução das quatro carruagens por composição, até à realização das necessárias obras de alargamento que permitam a introdução das seis carruagens”. Este texto apenas recebeu os votos favoráveis dos dois vereadores comunistas, nove votos contra, de sete eleitos PS e dois independentes, e abstenções de PSD, CDS e um independente.

 

Ao Corvo, o vereador João Ferreira (PCP) diz que “não há nenhuma razão para o metro na Linha Verde estar a circular com três carruagens e não com quatro, como era normal”. “Do ponto de vista operacional, é claramente possível fazê-lo. Temos a perfeita noção de que a situação do material circulante não é a melhor, consequência do forte desinvestimento realizado nos últimos anos. Mas nada disto é desculpa para a actual situação na Linha Verde, não há razão nenhuma para que não se volte às quatro carruagens. Não acredito que o problema seja falta de material circulante. Se vão fazer obras na estação de Arroios para que esta possa receber seis carruagens, é bom que tenham esse material”, diz o eleito comunista.

 

João Ferreira critica as opções do anterior Governo (PSD-CDS) de “desinvestir de forma evidente nos transportes públicos”, mas não poupa a reparos a acção do actual executivo liderado pelo anterior presidente da Câmara de Lisboa, António Costa (PS), bem como a administração por ele nomeada. “Quando estavam na oposição fizeram fortes críticas ao estado em que estava o Metro e a Carris. Agora, temos um novo governo e uma nova administração nos Transportes de Lisboa e o que e que foi feito para resolver a situação de degradação do serviço com nos temos deparado?”, questiona o vereador, salientando a necessidade de serem feitos investimentos em material como em recursos humanos.

 

Também a moção apresentada pelo vereador do CDS-PP, João Gonçalves Pereira, critica “actual falta de condições que o Metro de Lisboa apresenta aos seus passageiros”, elencando os problemas detectados: menos pessoal operacional, estações ao abandono, escadas rolantes avariadas, atrasos inconcebíveis, menos postos de venda de bilhetes, ausência de bilhetes nas máquinas de venda automática. O que faz com que se assista, “todos os dias, a um espectáculo de plataformas apinhadas de gente e de mensagens diárias sobre avarias que condicionam a circulação dos comboios, prejudicando os lisboetas e a imagem da cidade junto de quem nos visita”.

 

Considerando que o actual serviço prestado pelo Metropolitano não corresponde aos “padrões mínimos aceitáveis”, o vereador insta o executivo liderado por Fernando Medina (PS) a solicitar “um relatório da situação actual do Metropolitano de Lisboa à Administração do Metropolitano de Lisboa ou ao Governo, do qual constem as limitações existentes ao nível de meios operacionais, material circulante, manutenção e prestação de serviços relacionados com o transporte de passageiros”.

 

E pede também que seja enviada “a previsão de resolução e normalização do serviço de Metropolitano no curto prazo, acompanhado da solução prevista para o médio e longo prazo”. O texto recebeu votos favoráveis, além do vereador centrista, do PSD e do PCP. Mas foi rejeitado pelos sete eleitos socialistas e pelos três independentes.

 

O Corvo questionou ontem, a meio da tarde, a administração do Metropolitano de Lisboa sobre a razão de as composições da Linha Verde continuarem a circular com três carruagens e não quatro – como acontecia até 2012. Até à publicação desta artigo, porém, não obteve resposta.

 

Texto: Samuel Alemão

 

  • Maria Papoila Silva
    Responder

    Petição Contra a redução do número de carruagens na Linha Verde: http://cidade-ideal.blogspot.pt/2012/03/peticao-contra-reducao-do-numero-de.html

  • Vinny Oliveira
    Responder

    Eu jurava que o facto de o metro circular com 3 carruagens na linha verde dava-se ao facto de que em algumas estações, nomeadamente arroios e areeiro, coubessem justamente apenas 3 carruagens.

    • Nuno Gonçalo
      Responder

      As estações de Arroios e do Areeiro foram construídas de raiz para servir comboios de QUATRO carruagens.

  • Paula Gomes
    Responder

    esses sr. eleitos pelo povo só estão a favor quando se encontram na oposição? enfim é que eu se pode arranjar de mais medíocre na CML!

  • Maia Elbling
    Responder

    Boa pergunta… não sou sardinha para ir enlatada… Pior saio eu lavada e cheirosa de casa e veijo aqueles monhes a tentar se encostar todos mal cheirosos… Vão fazer obras em arroios e nos anjos nada…já nei falo no intendente….

  • Sophia
    Responder

    Por que é que o metro anda sempre só com três carruagens na Linha Verde? https://t.co/UiQ2GR2Ald

  • Joao Villalobos
    Responder

    Por que é que o metro anda sempre só com três carruagens na Linha Verde? https://t.co/ouk2jOpZlN

  • Filipe Palha
    Responder

    Na linha Verde circulava, antes do genial governo do Passinhos, duas composições cada uma com duas carruagens. Reduziram para uma composição com 3 carruagens e culpam as estações de arroios e areeiro sem qualquer justificação para esta redução.

    Uma carruagem faria TODA a diferença na linha verde…

  • Diogo Cavaleiro
    Responder

    https://t.co/haLENsR5Z8 o chumbo a uma reversão parcial da degradação do serviço do metro pelo partido do executivo camarário.

  • Tiago Dias
    Responder

    RT @diogocavaleiro: https://t.co/haLENsR5Z8 o chumbo a uma reversão parcial da degradação do serviço do metro pelo partido do executivo cam…

  • João Reis
    Responder

    “com que as pessoas viagem”
    “não há nenhuma rezão”

    Gosto de ler o Corvo, mas deviam prestar mais atenção à ortografia.
    Bem haja.

    • O Corvo
      Responder

      Obrigado pela chamada de atenção. Os erros foram corrigidos. Cumprimentos.

  • Nuno Roberto
    Responder

    Atrasos, composições mais pequenas, mais tempos de espera entre comboios e, o que para mim é o cúmulo do ridiculo, não existem bilhetes nas máquinas! Como se usa um transporte público de forma ocasional, se não existem bilhetes?! Os funcionários do metro são mal-educados e não têm qualquer noção que prestam um serviço público. Por último, o passe continua ao mesmo preço, ou mais caro a cada revisão. Em qualquer cidade europeia que visitei, os metros são, de facto mais cinzentos e feios, mas funcionam bem e servem as respectivas populações! Menos estações “obras de arte” e mais funcionalidade, por favor!

  • Carlos Maciel
    Responder

    A direita é hipócrita e este governo deveria fazer + RT(Por q é q o metro anda sempre só com 3 carruagens n L Verde? https://t.co/AE6LY2l5Kp

  • Rui Sadio
    Responder

    A decisão de colocar comboios na linha verde com apenas 3 carruagens tem somente a ver com redução de custos por via da diminuição do consumo de energia. Uma composição de 4 carruagens (ambas motoras) tem um total de 16 motores, o dobro das de 3 carruagens (duas motoras e um reboque) que circulam atualmente.

  • Filipe De Sousa Magalhaes
    Responder

    Gostei do artigo, mas a verdadeira razão pela qual esta linha apenas circula com 3 carruagens prende-se com a esquecida estação do Areeiro, que está em “obras” paradas há pelo menos 3 anos e das quais não há meio de terminarem para que a circulação seja mais fluida nesta linha

    • João Fernandes
      Responder

      Não acredito que seja verdade. Até 2012 o metro circulava com mais do que 3 carruagens e funcionava bem. Acrescento que dos vários metros em que já viajei em várias cidades, o de Lisboa sempre foi dos melhores, por ser mais novo e por ter uma dimensão mais reduzida, o que sempre tornou a manutenção e operação mais simples. É por comparação ao excelente serviço que foi num passado recente que se torna mais surreal a situação degradante em que se encontra actualmente !

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