Os mais discretos museus de Lisboa – II

por • 15 Fevereiro, 2016 • Reportagem, SlideshowComentários (3)1434

O Corvo continua a série iniciada em Dezembro passado. Desta vez, fomos visitar dois museus com imenso potencial para atrair um público de todas as idades e que albergam colecções únicas do seu género em Portugal. No entanto, o Museu Nacional de História Natural e, especialmente, o Museu Geológico de Lisboa são espaços muito pouco conhecidos dos lisboetas.

 

Texto: Rui Lagartinho

 

Pelos caminhos da História Natural, no Príncipe Real

 

Museu Geológico de Lisboa

 

Para quem gosta de viajar no tempo em poucos minutos, o Museu Geológico de Lisboa é o sítio ideal. O primeiro passo tem pouco a ver com o conteúdo do museu: a paragem inicial é no século XIX, pois é esta atmosfera que se desprende dos armários, dos expositores. Quase se pode imaginar que os colecionadores vão atravessar qualquer das galerias.

 

A história do museu, hoje sobre a tutela do Laboratório Nacional de Energia e Geologia, está intimamente ligada aos primeiros exploradores das maravilhas geológicas e paleontológicas, como Carlos Ribeiro e Nery Delgado. Foram eles quem pugnou para que o museu se instalasse no edifício da então Real Academia das Ciências.

 

Hoje, o museu alberga mais de 100 mil objectos ou peças, cobrindo todas as etapas culturais entre o Paleolítico e período Lusitano Romano.

 

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Miguel Ramalho é director do museu desde o ínicio dos anos setenta. Tantos anos foram suficientes para misturar em camadas o desalento pela pouca curiosidade que o museu desperta nos lisboetas, escassos milhares de visitantes cada ano, e o entusiasmo e brilho nos olhos, quando abordamos uma peça especial: o crocodilo de Chelas, que viveu há 12 milhões de anos naquela área de Lisboa.

 

A dimensão do seu crânio deixa adivinhar a imponência dos quase dez metros do animal, que é uma das 27 maravilhas do museu escolhidas como representantes do melhor que tem para mostrar. Uma lista que inclui minerais e fósseis, esqueletos de animais com milhares anos, cristais e placas de minério.

 

No total das cinco longas galerias, estão expostos 4.200 objectos. O museu funciona com apenas três funcionários e sofre, de acordo com o seu director, com o desinvestimento das escolas em visitas de estudo: “E, no campo da geologia, sair da sala de aulas é fundamental”.

 

Museu Geológico de Lisboa

Rua da Academia das Ciências, Nº 19 – 2º

Tel: 21 346 39 15

Horário: aberto de Segunda a Sábado, das 10h00 às 18h00.

Encerra Domingos e feriados oficiais

Bilhetes: 2,5

www.lneg.pt/museugeologico

 

 

Museu Nacional de História Natural e da Ciência

 

Escassas centenas de metros separam o Museu Geológico de Lisboa do Museu Nacional de História Natural e da Ciência, que está abrigado nas antigas instalações da Faculdade de Ciências, na Rua da Escola Politécnica.

 

Para muitos lisboetas, este é o espaço onde se vem com as crianças ver as exposições sobre Dinossáurios – época de enchentes. Quando não se programam estas exposições-acontecimento, o número de visitantes reduz-se drasticamente, como O Corvo pôde constatar, quando, numa manhã deste Inverno, andou a explorar as colecções do museu. Também aqui o charme do século XIX espeita, sobretudo no vetusto Laboratório Químico, local onde se fizeram experiências pioneiras nesta disciplina em Portugal.

 

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Ao longo dos claustros do espaço, dividem-se as colecções sobre os dinossáurios, os minerais, a História Natural, a Física e a Astronomia. O acervo de cerca de um milhão de objectos, entre espécimes de história natural, herbários, instrumentos científicos, desenhos, fotografias, arquivos e livros, permite uma visita a la carte – que se ressente de o espaço não ter sido pensado com um espírito de verdadeira unidade entre as galerias. Apesar disso, por estes dias, vale a pena visitar a exposição dedicada ao naturalista Francisco Furtado, um açoriano discípulo de Charles Darwin.

 

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Neste museu, é possível driblar a bilheteira e entrar sem pagar. As salas não dispõem de qualquer vigilância ou controlo de entrada. Pelo menos, foi assim, na manhã em que o repórter do Corvo por lá andou. Uma forma, certamente acidental, de tornar a ciência acessível a todos, sobretudo em tempos de crise, mas que comporta o perigo de deixar um património importante e valioso algo desprotegido.

 

Museu Nacional de História Natural e da Ciência

Endereço: Rua da Escola Politécnica 56, 1250-102 Lisboa

Telemóvel:21 392 1800

Horário: Terça a Sexta – 10h00 às 17h00

Fim de semana – 11h00 às 18h00

Encerra à segunda-feira e feriados

Bilhetes: 5

www.museus.ulisboa.pt

 

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3 Responses to Os mais discretos museus de Lisboa – II

  1. Tuga News Tuga News diz:

    [O Corvo] Os mais discretos museus de Lisboa – II https://t.co/bktBy4VT5g #lisboa

  2. Yeap e o Geológico, muito mais que o outro (que vive praticamente do laboratório e do anfiteatro, se pensarmos que o túmulo que estava emparedado não devia manter-se ali e antes rumar ao MNAA), pois é um museu à inglesa, onde tudo está no séc XIX e mto bem. Um BRAVO àquela direcção presidida pelo prof. Ramalho!

  3. Estes museus são duas pérolas da museologia nacional, em especial o Museu Geológico!
    É uma autêntica jóia mas, infelizmente, muito ignorado e esquecido…