“Normalização em pleno” dos problemas com cacilheiros levará “vários trimestres”

por • 20 Dezembro, 2016 • Actualidade, SlideshowComentários (7)811

Os cada vez mais recorrentes problemas no serviço de transporte fluvial de passageiros entre ambas as margens do Tejo estão a motivar o descontentamento generalizado dos utentes. Atrasos e supressões de carreiras tornaram-se uma constante, fazendo da utilização deste transporte público que assegura a ligação entre Lisboa e a Margem Sul uma dor de cabeça. Há registo de várias situações de exaltação entre os utentes para com os funcionários, sobretudo nos momentos em que a impossibilidade de viajar coincide com as horas de ponta. A Transtejo/Soflusa, questionada por O Corvo, reconhece a existência de problemas, que relaciona com a falta de investimento feito pelo último Governo. Promete melhorias para breve, mas avisa que “a normalização em pleno envolverá ainda vários trimestres de actividade de manutenção contínua”.

 

Os problemas têm sido frequentes, como na última quinta-feira (15 de dezembro), em que a ligação entre o Seixal e o Cais do Sodré sofreu uma perturbação logo pela manhã. “Cheguei à gare do Seixal, às 8 horas, para embarcar no barco das 8h10 e, a essa hora, sou informado que o barco, devido a avaria, vai sofrer um atraso de 20 minutos e que o transporte vai ser realizado pelo navio São Jorge. Este é um barco antigo e demora muito tempo na travessia. Por causa disso, cheguei ao Cais do Sodré 35 minutos mais tarde”, conta ao Corvo o utente Fernando Almeida, 60 anos, utente desta ligação há mais de três décadas, forma de se deslocar para o trabalho na Avenida Almirante Reis. Garante “nunca” se ter assistido a um cenário semelhante de tantas perturbações nas ligações entre as duas margens do rio. “Estamos cansados da maneira como a Transtejo lida com os utentes. É avarias constantemente, tem uma grande parte dos barcos inoperantes”, diz.

 

Tal como Fernando, muitos têm estórias semelhantes para contar. Razão pela qual a Comissão de Utentes de Transportes da Margem Sul marcou presença na reunião tida, na semana passada, a 13 de dezembro, entre o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, e representantes dos trabalhadores, dos passageiros e das câmaras municipais da Margem Sul. A preocupação com a degradação dos níveis de serviço levou-os a pedir um encontro com o titular da pasta dos transportes públicos. De acordo com o comunicado conjunto dos requerentes, do encontro saiu a informação de que “o Governo admitiu que é necessário existirem mudanças na forma como a empresa está a ser gerida, pelo que um novo conselho de administração tomará posse no início de Janeiro de 2017, em exclusividade para estas empresas”. O ministro terá informado ainda, de acordo com o mesmo comunicado, que “a nova administração terá de apresentar, até no final de Fevereiro de 2017, um conjunto de medidas, designadamente, um plano urgente de manutenção dos navios”.

 

Questionada pelo Corvo, a actual administração, através da agência de comunicação que serve a Transportes de Lisboa, garantiu possuir 25 navios em condições operacionais de utilização em serviço público. E avança que a gestão dessa frota “é realizada com base no planeamento de cumprimento das rotinas de conservação, reparação programada, requisitos de segurança e renovação de certificados de navegabilidade, o qual obriga que, com periodicidade bienal, todos os navios realizem estes trabalhos em seco”. “Desta forma, o plano geral de atividade, conjuga todas estas necessidades de forma a ter a disponibilidade necessária de 15 navios para realizar o serviço programado, o que tem vindo a ser assegurado”, acrescenta, salientando que tal prevê também a disponibilidade de frota para realização pontual de substituições para fazer face a situações inesperadas. De acordo com a empresa pública, a taxa de cumprimento do serviço programado é de “cerca de 98%”.

 

Mas, logo de seguida, os responsáveis pela transportadora fluvial fazem notar que “o desinvestimento de que foram alvo estas empresas nos últimos anos, criou dificuldades que demoram a ser repostas na sua plenitude, nomeadamente ao nível da manutenção da frota”. Uma resposta idêntica à dada, recentemente, pela Carris, quando questionada sobre falhas no seu serviço. As medidas para contrariar o actual cenário, assegura a administração da empresa, encontram-se já na calha. “Está atualmente a ser intervencionado um plano de manutenção com vista à recuperação dos níveis de eficiência e rapidez adequados, através do qual é previsível que se possam começar a sentir em breve as melhorias, sendo que a sua normalização em pleno envolverá ainda vários trimestres de atividade de manutenção contínua”, explica o mesmo texto.

 

A administração explica ainda que “as características de operação nas várias ligações fluviais da Transtejo/Soflusa são muito diferentes, o que leva a que haja navios específicos para as diferentes ligações”. O que fará com que, “pontualmente, mesmo com um número global de navios disponíveis superior às necessidades de serviço, possam existir supressões de serviços por indisponibilidade inesperada de uma tipologia de navio”. “No entanto, e apesar das limitações referenciadas, é realizada diariamente uma gestão muito ativa e dinâmica da frota, com vista a minimizar os impactos no serviço que presta aos seus clientes”, acrescenta.

 

Texto: Samuel Alemão

 

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7 Responses to “Normalização em pleno” dos problemas com cacilheiros levará “vários trimestres”

  1. Marta diz:

    Se é para normalizar os problemas?..

  2. Existe estas perturbações aos anos entre o Montijo«jo/Lisboa, compraram barco de milhões que não servem para navegar no rio Tejo, são pesados e depois de cheios mais pesados ficam, levam uma eternidade para chegar a Lisboa e vice-versa, os funcionários são mal educados e arrogantes. O Governo da altura juntamente com a presidente da CMMontijo Maria Amélia Antunes do PS , foi conivente com o Governo da altura, e nós utentes pagadores ficamos piores, os transportes no Montijo, tanto a TST, como a Transtejo, são piores que na Aldeia dos meus pais, é pagamos todos nos nossos imposto a incompetência dos políticos.

  3. O Metropolitano de Lisboa é exactamente igual e não existe ninguem que ponha cobro a tanta incompetência.

  4. Os Sindicatos só servem para a FUNÇÃO PUBLICA, (Professores, Enfermeiros e tudo o que tenha grande visibilidade para os próprios, o resto é paisagem) Vergonhoso esse Sindicalistas afectos à CGTP E UGT.