Moradores preferiam fecho dos bares do Cais do Sodré que servem para as ruas

por • 8 Março, 2016 • Actualidade, Segunda ChamadaComentários (8)1409

A notícia do encerramento, a partir de 14 de Abril, dos espaços de diversão noturna Jamaica, Tokyo e Europa está a ser lamentada por muita gente – tendo até já motivado uma petição. Mas para os representantes dos moradores da zona do Cais do Sodré acaba por ser recebida com alguma indiferença. “As discotecas sempre ali existiram, toda a vida lá estiveram com a porta fechada e, por isso, nunca nos incomodaram nada. O que nós queríamos é que fechassem todos os outros bares que continuam a servir bebidas aos clientes de porta aberta para a rua”, diz Isabel Sá da Bandeira, presidente da direcção da associação Aqui Mora Gente, que congrega moradores dos bairros de Lisboa mais afectados pelo ruído noturno.

 

“Estes estabelecimentos em particular nunca nos afectaram”, diz ao Corvo a dirigente associativa e moradora do Cais do Sodré, sobre o anúncio, nesta segunda-feira (7 de março), do fecho das três discotecas, para que o degradado prédio onde se localizam seja convertido num hotel. Mas tal mudança deixa em Isabel Sá da Bandeira uma série de dúvidas sobre o futuro da zona em redor da Rua Nova do Carvalho, mais conhecida por “rua cor-de-rosa”. “Isto vai alterar o chamariz da zona, é certo, mas de que forma ainda está por saber. Poderá ser benéfico, se aparecerem outros hotéis e outro tipo de pessoas. Mas se ficarem apenas os bares que servem para a rua, como sucede agora, o problema mantém-se”, afirma esta moradora, que contesta a “falta de respeito pele lei por parte desses bares”.

 

As queixas dos moradores daquela zona sobre os incómodos causados pela movida desencadeada pela inauguração, em Setembro de 2011, da “rua cor-de-rosa” – projecto promovido pela Câmara Municipal de Lisboa, pela Associação Cais Sodré e a marca Absolut Vodka – têm-se mantido constantes. Tanto que na última reunião descentralizada do executivo camarário – destinada a ouvir os residentes das freguesias da Misericórdia, de Santo António e de Santa Maria Maior e realizada na semana passada -, o presidente Fernando Medina e a restante vereação foram obrigados a defender-se das veementes queixas e acusações de conivência da autarquia com os excessos cometidos pelos estabelecimentos de diversão do Cais do Sodré e Bairro Alto e seus utilizadores.

 

De acordo com a informação ontem avançada pelo dono dos estabelecimentos em causa, em comunicado citado por vários órgãos de comunicação social, a discoteca Jamaica ainda poderá voltar a abrir, com uma renda atualizada – de momento, pagará cerca de 200 euros por mês. Assim o prevê o projecto de reabilitação do edifício. Mas para que tal se efective, os senhorios do prédio pretendem que a administração do Jamaica desista dos processos judiciais que tem a correr contra si, reclamando uma indemnização de 200 mil euros, por causa dos prejuízos surgidos na sequência de uma derrocada ocorrida em 2011 – e que obrigou ao encerramento do espaço comercial durante quatro meses.

 

Texto: Samuel Alemão

 

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8 Responses to Moradores preferiam fecho dos bares do Cais do Sodré que servem para as ruas

  1. Tuga News Tuga News diz:

    [O Corvo] Moradores preferiam fecho dos bares do Cais do Sodré que servem para as ruas https://t.co/RnYwcCK7uK #lisboa

  2. José diz:

    Anos a pagar 200 e tal euros, ainda reclamam???
    O dono da discoteca Jamaica,ainda vai ficar com a discoteca .
    O que é que ele quer, indeminização???.
    EM primeiro lugar a reabilitação do predio, com está é uma VERGONHA.
    Mas que pais é que vivemos o dono do predio,é que tem que mandar no que é dele.
    3 discotecas,não chega uma???
    O dfono da Jamaica é tambem do da TOKYO, ainda reclama.

    • Filipe diz:

      Tanta parvoíce junta. Se a renda é de 200 euros apesar de existir há anos uma política que agiliza a actualização das rendas é porque não há condições para essa actualização e o motivo, provavelmente, é o que refere: Porque o prédio está a cair de podre.

      Sobre as “3 discotecas, não basta uma?”, as enchentes que cada uma tem todas as semanas, leva a crer que não.

      • Vasco diz:

        LOL, não há condições para actualização!!! Vai na volta também vive numa casa de rendas congeladas, ou talvez num daquele bairros sociais onde não pagam renda.

  3. Luis diz:

    reclama uma indemnização de 200 mil euros, por causa dos prejuízos surgidos na sequência de uma derrocada ocorrida em 2011 – e que obrigou ao encerramento do espaço comercial durante quatro meses.

    É PRECISO NÃO TER VERGONHA- 4 MESE 200 MIL EUROS.

    qUANTO LUCRO TEM ELE POR MÊS????

    • Filipe diz:

      José, oops Luís…, Na condição de arrendatário, tem todo o direito de pedir uma indemnização, e o valor de indemnização deve ser calculado mediante um critério mensurável que o arrendatário deve justificar. Depois, cabe aos tribunais definir a adequabilidade dessa indemnização

  4. Parece-me que a questão dos €200 de renda versus os € 200.000, apesar dos montantes envolvidos, não será o que mais importa neste artigo e circunstância. Antes o facto de o fecho das 3 discotecas não resolver a questão de fundo: o excesso de ruído nocturno proveniente dos bares “de porta aberta”.

    Imagino se alguns praticantes dessa falta do mais básico respeito pelo sono de quem ali reside tivessem de suportar, durante o seu sono, esse tipo de ruído por baixo das suas casas, talvez tivessem um pouco mais de cuidado. Mas, não, é evidente que estão perfeitamente a marimbar-se para quem ali dorme.

    A maior parte destes já foram jovens. Alguns deles recordar-se-ão de que a noite sempre foi propícia à diversão. E, mesmo que o seja, já ninguém quer passar por “cota”, “bota-de-elástico”, “fora de prazo” e assim. A maior parte dos que cabe nessas aspas não quer impedir os mais jovens de o serem. Apenas quer dormir com a paz possível.

    Ora bolas, será isto assim tão difícil de entender?