Moradores pedem “revisão completa” da circulação automóvel nas Avenidas Novas

por • 16 Junho, 2017 • Actualidade, MOBILIDADE, SlideshowComentários (26)1462

Uma enorme confusão. É desta forma que a Associação de Moradores das Avenidas Novas caracteriza o actual estado do esquema de circulação automóvel naquela zona da cidade. “Circular de carro, neste momento, nesta área central, é um verdadeiro inferno. Temos filas que começam frente à Casa da Moeda e vão até à Avenida de Roma. Há também filas dentro do túnel da Avenida João XXI, ao meio-dia, coisa que não existia antes. Tudo isto resulta das intervenções que têm andado a ser feitas pela Câmara Municipal de Lisboa sem ouvir as pessoas que aqui vivem e trabalham”, acusa José Toga Soares, presidente da associação, apelando à autarquia liderada por Fernando Medina (PS) para que “páre de fazer obras à revelia das pessoas que mais directamente são afectadas”. “Temos uma situação em que, de cada vez que a câmara mexe, estraga”, acusa.

 

 

“Todo o esquema de mobilidade das Avenidas Novas tem que ser discutido”, afirma a O Corvo o dirigente associativo, replicando um dos pontos da petição por si dinamizada e que obrigará aos responsáveis camarários da mobilidade e ambiente a irem, em breve, dar explicações à comissão permanente de mobilidade e segurança da Assembleia Municipal de Lisboa (AML). José Toga Soares foi ouvido pelos deputados municipais, a 7 de junho, dos quais garante ter recebido compreensão em relação às queixas apresentadas. E se é verdade que estas dizem respeito ao conjunto dos problemas de mobilidade na área, o objectivo principal da recolha de assinaturas promovida pela associação de moradores é o de pedir à CML “que suspenda de imediato a introdução de uma via ciclável em sentido contrário ao do trânsito na Avenida Visconde de Valmor, por motivos de segurança”.

 

 

Acusando a autarquia de insensibilidade por avançar com tal projecto sem auscultar os moradores, o texto da petição manifesta perplexidade pela construção de uma via ciclável “em contramão” e culpabiliza a câmara por se colocar “ao lado de interesses minoritários, sacrificando os interesses da maioria dos moradores”. O documento salienta ainda o facto de, alegadamente, a partir do final de junho, estar previsto o regresso da circulação em sentido único Sul-Norte na Rua Dona Filipa de Vilhena, obrigando os automóveis a ir para a Visconde de Valmor. Por isso, pedem à CML que estude o impacto da decisão de aí ter uma ciclovia, em contra-corrente com um grande caudal de tráfego viário. “Todas as forças políticas mostraram compreensão pelas questões colocadas por nós”, assegura José Soares, dando conta da sua audição na AML.

 

O responsável associativo afirma que a criação da ciclovia, nestes moldes, e as consequentes alterações no esquema de circulação e de estacionamento na Avenida Visconde de Valmor – por si vistas como mais um sinal da alegada falta de planeamento do sistema de mobilidade nas Avenidas Novas – têm causado um “estrangulamento viário”. A supressão de uma faixa de rodagem automóvel para isso terá contribuído. Além disso, acusa, as mudanças no parqueamento “põem em perigo a segurança, uma vez que as pessoas saem dos carros directamente para cima da ciclovia”. Os problemas de escoamento de tráfego, sobretudo nas horas de ponta, serão agravados, sustenta, pelo facto de que, “com os pilaretes que agora ali foram colocados, e ainda a pequena dimensão dos lugares de estacionamento, os carros são obrigados a ficar em cima da faixa de rodagem”. Tal poderá ter consequências graves quando os estrangulamentos impedirem a circulação de viaturas em marcha de emergência, diz.

 

 

Por tudo isso, e em simultâneo com o caminho encetado pela petição que está a ser discutida na assembleia municipal, a Associação de Moradores das Avenidas Novas entregou uma proposta, no âmbito do Orçamento Participativo 2017-18, de reversão e correcção de vários aspectos do esquema de circulação na Avenida Visconde Valmor. A proposta, com o número 190 do OP, pede a reposição das duas faixas de rodagem no arruamento e a implantação da ciclovia no passeio sul. E garante que tal é possível desviando as caldeiras das árvores do lado sul e do lado norte da rua. De tal modo que apresenta medições: “os passeios sul e norte ficarão com 3,60 metros de passagem; a ciclovia manterá 1,90 metros de largura; os estacionamentos ficarão ambos com 2,00 metros de largura”. E até sugere a reabilitação dos passeios, “notoriamente degradados e a precisar de uma séria intervenção”.

 

José Soares diz que os problemas agora criados – que sugere serem decorrentes de diversas recentes intervenções feitas nas Avenidas Novas em paralelo com a grande obra de requalificação do Eixo Central de Lisboa, nas avenidas da República e Fontes Pereira de Melo – teriam sido evitados “se a Câmara de Lisboa tivesse ouvido as pessoas que vivem e trabalham aqui”. “Não há dúvida que as obras do Eixo Central ficaram muito boas para os peões e para os ciclistas, mas vieram criar uma nova ordem de problemas para quem quer circular de automóvel. É preciso primeiro fazer uma avaliação do impacto das obras na vida das pessoas e só depois avançar. Esta intervenções são caras. Fazer e depois desfazer, como está agora a acontecer na Dona Filipa de Vilhena, custa ainda mais”, diz.

 

Texto: Samuel Alemão

 

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26 Responses to Moradores pedem “revisão completa” da circulação automóvel nas Avenidas Novas

  1. Os cidadãos precisam de mudar o mindset do automovel para os transportes publicos.
    O Eixo Central é, simplesmente, uma das áreas de Lisboa mais bem servidas de transportes publicos não se justificando o enorme numero de veiculos particulares em circulação nessa zona.

    • Filipe Rocha diz:

      Os transportes em Lisboa não funcionam bem e nunca na vida são uma alternativa com que se pode contar. Esse argumento é válido atrás de um teclado mas o mundo real vai muito além disso. Bastaria ao corpo camarário tentar ir do ponto A ao ponto B para entender os múltiplos problemas da nossa rede de transportes e aqui insere-se o eixo central. O único meio de transporte que ganhou com estas intervenções foi a bicicleta. O resto? Está tão mal ou pior do que estava.

      • Jorge diz:

        “O único meio de transporte que ganhou com estas intervenções foi a bicicleta. O resto? Está tão mal ou pior do que estava.”

        O pedestre também ganhou! Resumir a intervenção que foi feita a uma questão de meio de transporte e ignorar outros aspectos como a mobilidade pedonal, é no mini redutor.

    • Lisboeta diz:

      Os transportes públicos são sempre excelentes para quem não os usa e os recomenda a terceiros. O Mindset muda-se com alternativas realistas, nunca com ameaças, bloqueios e intransigência. Qualquer mexida nos TPs demora anos. Mas eliminar faixas de circulação demora horas.

  2. Quantos sócios tem a associação? Quando foi fundada?

  3. Para este senhor, melhor mobilidade parece resumir-se a poder andar mais de carro e mais depressa. Ficou preso no século XX mas vem cá moer o juízo de quem quer uma cidade melhor…

  4. O automóvel, o automóvel, o automóvel. Sempre o automóvel! Enquanto não se perceber que as cidades foram feitas para as pessoas terem melhor qualidade de vida e não para os automóveis, esta mentalidade de se pensar 1º no transporte privado e depois nas pessoas, não vai mudar. São não levam o carro para a cama porque não podem…

  5. Francisco diz:

    Parece-me que há um problema claro ao longo deste testemunho: carros. Problema para quem anda de transportes públicos, para quem anda a pé, para quem anda de bicicleta, para quem tem bébés e não consegue passar com carrinhos em ruas que não têm passeios por causa dos carros, para os idosos pela mesma razão, para o ambiente, para a saúde (da ergonomia ao stress), para a poluição sonora, luminosa, … Talvez a Associação de Moradores pudesse ver o outro lado, perceber o quanto os carros são invasivos e defender que mais espaço lhes seja retirado.

  6. Só comentários de quem não passa na avenida. De quem pensa que o facto de a via ter muita oferta é suficiente para acabar com o transito.

    As obras e o esquema criado apenas veio dificultar a circulação.
    – Temos o eixo central e o lateral com tempos de semaforos desfazados dobrando o tempo de espera de quem quer atravessar. Hoje em dia é mais rapido seguir na Barbosa do Bocage do que pela Av de Berna.
    – Como se retiraram estacionamentos na AV da Republica e a promessa era que não eram reduzidos a solução foi ciriar uma faixa na Miguel Bombarda e na Joao Crisostomo passando a circulação de 3 para 2. Ora sabendo do civismo caracteristico do lisboeta e do estacionamento em segunda fila constante, acaba em hora de ponta a existir apenas 1 faixa livre para circular. E o que a EMEL faz….nada….pois a EMEL apenas multa quem esta bem estacionado mas com 10 min de ticket não valido.
    – A rua Visconde Valmor e a sua ciclovia é uma aberração, pois se o ciclista for bem comportado chega ao cruzamento com a Filipa de Vilhena e o que faz…nada pois todas as ruas sao de sentido proibido.
    Aberração completa quando um quarteirão mais a frente na Elias Garcia ou na Barbosa do Bocage criaram vias partilhadas a 30 km/h.
    Estreitar essa rua dá aso a que quem queira colocar uma criança no carro provoca que atras de si todos os veiculos tenham que parar pois de porta aberta ninguem consegue passar.

    E o que mais me surpreende nisto tudo é o RSB ou a proteção civil nada dizer, nada opinar autorizando todos estes orgasmos cerebrais de quem certamente não sai dos Gabinetes. Com tanto pilarete, com tanto estreitamente de via um dia que haja necessidade de socorro quero ver como passa um camião de Bombeiros. Basta ver os pilaretes deitados por pesados de entregas de mercadorias.

    A sorte de Medina é que em ano de eleições……..concorre sozinho !

    • sabe quantas carreiras de autocarros aí circulam para diversas zonas de Lisboa? 5 ou 6 em cada direcção; tem linha de metro e interface de comboio…. ???????

    • Então a solução não é haver menos carros, mas sim mais ruas e mais largas?
      Deixem a lata em casa… Saiam da zona de conforto… Aventurem-se a conhecer o mundo para lá das 4 paredes metalicas

  7. Pedro diz:

    Sempre a mesma conversa. Ai daquele que mexa no precioso espaço que julgam ser privado para os seus carrinhos. Raios partam a mentalidade do tuga. Como diz o outro, “Portugal era um país maravilhoso se não fosse habitado por portugueses”.

  8. Rui Aires Rui Aires diz:

    Esta alteração veio trazer uma enorme confusão no trânsito nesta área. Longas filas onde antes não as havia, e seguramente sem espaço para um veículo como o de um carro tanque dos bombeiros. Queira Deus até não seja preciso uma tragédia para verem isso.

    • Então a solução não é haver menos carros, mas sim mais ruas e mais largas?
      Estamos a falar duma das zonas de Lisboa mais bem servidas de transportes publicos.
      Deixem a lata em casa… Saiam da zona de conforto… Aventurem-se a conhecer o mundo para lá das 4 paredes metalicas

    • Rui Aires Rui Aires diz:

      Joaquim Xavier Lopes concordo com a questão de deixar a lata em casa. Eu, por exemplo nem carro tenho. Ando de bicicleta. Mas se for dar uma voltinha na Visconde de Valmor vai reparar que, da maneira como agora ficou a rua, um carro maior NÃO PASSA. Quem ali mora tem receio que isso possa traduzir-se em problemas. Vá lá dar um passeio.

  9. A Avenidas Novas – Associação de Moradores das Avenidas Novas de Lisboa parece uma delegação local do Automóvel Clube de Portugal;
    uma minoria com “direitos adquiridos” para circular de automóvel a seu bel’prazer por todo o sítio a impor-se sobre uma cidade inteira.

  10. bela merda a do merdina

  11. Pedro Neto Pedro Neto diz:

    A imagem que acompanha a notícia é tendenciosa, mas O Corvo não é conhecido (quem é?) pelo jornalismo de qualidade e imparcial. E já está na altura de começarem a andar a pé, de transportes públicos e de bicicleta. Viver numa cidade é muito mais q andar — de carro — entre casa, trabalho e o centro comercial.

  12. para o tuga a cidade é isso mesmo “andar — de carro — entre casa, trabalho e o centro comercial” , depois vir para as redes sociais reclamar porque não arranjam condiçoes para circular e estacionar o popo.

  13. abaixo os automóveis, sobretudo os particulares. vivam os peões e os ciclistas e os transportes públicos!!!

  14. Rodrigo Cunha diz:

    Estas alterações também afetaram gravemente os transportes públicos de superfície. Enquanto o metro não chega a todo o lado, e está longe disso, prejudicar o trânsito automóvel desta forma é uma burrice. Se querem aliviar o trânsito ponham sinalização nesse sentido, nomeadamente reservem faixas para os transportes públicos, em vez de estorvarem pura e simplesmente o trânsito todo.

  15. Façam como eu: ando a pé.

  16. Ė o primo do outro que faz as obras,que por sua vez precisam de ser rectificadas em breve e fazem-se obras novamente. É isto

  17. Ruben Luis diz:

    Apesar deste novo paradigma da cidade para os peões e bicicletas a verdade é que o carro continua a ser indispensável em alguns pontos da cidade de lisboa. Basta tentar ir da Penha de França até ao Colégio Militar para perceber que nos melhores dias gastamos 2 horas por dia no percurso de ida e volta em transportes públicos, quando de carro o percurso ida e volta é feito em cerca de 40M. Se nos eixos centrais os transportes publicos a oferta é boa, nas periferias da cidade de lisboa já não é verdade. E dou o meu exemplo pessoal, pois com 2 filhos é completamente irreal a utilização de transportes públicos e chegar antes do ATL fechar.
    Sim o carro continua a ser necessário, e para além disso, não nos podemos esquecer que esta redução lugares de estacionamento não ajuda em nada. Constroem passeios de 5 metros, para noutra rua termos passeios minusculos com arvores a meio que impedem a passagem de um carrinho de bébé.
    A despovoação da cidade de Lisboa, em detrimento do arrendamento local de curta duração, sobrecarrega uma rede de transportes já por si subdimensionada, no entanto para os cofres da camara, nada como entrar 1 euro por cada noite que os turistas passam em Lisboa.

  18. Manuel diz:

    Li com toda a atenção o texto introdutório e concordo em absoluto, acrescento ainda que sou morador na zona, perto do Liceu Filipa, e que por aí as obras feitas e depois desfeitas, os sentidos de transito que vão mudando quase diariamente não têm nem desculpa nem justificação, e demonstram cabalmente a forma como todas as obras foram feitas, sem pensar e sem ver as consequências.
    Também li os comentários e infelizmente muitos são feitos apenas devido a politiquice parva, que aqui não vem ao caso, já que facilmente se percebe que são feitos por alguém que nem na zona terá seguramente passado.
    O estreitamento dos corredores laterais da Av da republica é absurdo e tem como consequência que a manobra de acesso é mais demorada e complicada, levando a que em todas as transversais da av da republica sistematicamente fiquem carros parados a impedir a passagem entre cada alteração de sinal, complicando a jusante todo o fluir de transito.
    Em relação ao texto acrescento que na visconde valmor existem 3 infantários e que como referido a falta de espaço é tanta que sistematicamente os pais têm que retirar os filhos dos carros saindo para o meio da estrada ou parando e impedindo ainda mais o transito, na pratica uma rua onde sempre se circulou normalmente agora tem fila de transito a qualquer hora do dia.
    Fazer pior do que foi feito em toda aquela zona, sinceramente era difícil, como morador digo sinceramente preferia os buracos e o piso em mau estado do que este absurdo que existe depois das teóricas correções. Bem haja quem se tem esforçado no sentido de tentar corrigir tanto absurdo de obras e principalmente tanto dinheiro mal gasto, recordo que na Av Magalhães de Lima começaram por levantar todo o piso e retirar o separador central para passados 2 anos no meio das outras obras, reverter a situação passando novamente a considerar 2 sentidos de transito, pergunta simples será que algum responsável pelo dinheiro mal gasto e desfeito 2 anos depois teve alguma espécie de consequência ou penalização. Não, antes pelo contrário expandiu os seus horizontes e as suas obras por ex para a Visconde valmor que é logo em frente.