Apesar das melhorias realizadas no local, os residentes da zona do Jardim do Arco do Cego dizem que os incómodos causados pelos ajuntamentos diários de milhares de jovens são cada vez maiores. “Bêbados e drogados continuam a fazer barulho até tarde, continuam a impedir-nos de entrar nos prédios, de circular nos passeios, urinam à nossa porta. Deixam ainda muitos copos, garrafas, beatas de cigarros, tremoços e outro lixo, até de manhã. E se reagimos, insultam-nos”, queixou-se Raquel Matos Paisana, uma representante dos moradores, na passada terça-feira (30 de maio), perante a Assembleia Municipal de Lisboa. Lamentando a continuada degradação das condições de habitabilidade daquela zona, pediu “mais brio” à Câmara Municipal de Lisboa (CML) na resolução de um problema que, afinal, nem é exclusivo daquela área. A tranquilidade no espaço público, em várias zonas da capital, está sob ameaça, reconheceu Helena Roseta, presidente da assembleia.

 

Elogiando as intervenções realizadas, recentemente, pela CML e pelas juntas das freguesias Avenidas Novas e do Areeiro, para minorar o impacto da frequência do Jardim do Arco do Cego por tão vasta mole humana, a moradora afirma que, todavia, as razões de descontentamento se mantêm. “Reconhecemos e agradecemos o trabalho feito, mas, infelizmente, não chega. A falta de habitabilidade desta zona da cidade continua a crescer, agora mais lentamente, mas ainda progressivamente”, disse, salientando que as queixas “não se tratam de nenhuma reacção de velhos a querer civilidade versus novos a querer divertir-se”. Raquel Matos Paisana diz que as condições de vida de quem ali vive continuam a degradar-se, fruto dos ajuntamentos “de pessoas a consumir droga e cerveja vendida aos milhares de litros por mês”, os quais acontecem todos os dias, “das 14 horas em diante”. Ambiente que, diz, atrairá “marginais” e alguns menores, a quem são vendidas bebidas alcoólicas.

 

“O barulho mantém-se para além do fecho de alguns estabelecimentos, às 23 horas, por vezes toda a noite. Há cervejarias a venderem cerveja take-away, outras com promoções do tipo ‘pague uma e leve duas’ ou outras ainda em que os clientes fazem barulho até tarde”, acusa a residente, criticando também o que considera a insuficiente capacidade e número de papeleiras entretanto ali colocadas para acolher o lixo produzido. Além disso, mantêm-se as pragas de ratos e ratazanas e os arbustos estão danificados, afirma. Algo que sucede apesar da intensificação das operações de limpeza do jardim e dos passeios circundantes, mesmo ao domingo. Há até uma recolha de copos de plástico entre as 17h e as 21h. Mas tudo isso, que é elogiado pelos moradores, parece não chegar. “Os comerciantes têm direito ao lucro, bem como as cervejeiras, tal como os consumidores ao prazer. Mas não aceitamos que impeçam a habitabilidade da zona. Não nos conformamos, não desistimos”, promete.

 

 

A exigência da representante dos moradores para que a CML tome novas medidas visando que essas pessoas “tenham uma vida normal, razoável e saudável” encontrou simpatia em Helena Roseta, presidente da assembleia municipal. A responsável máxima por aquele órgão autárquico disse já ter alertado a câmara para esta realidade, mas reconheceu que “o regulamento não chega” para pôr cobro aos comportamentos “indevidos”. “É difícil à câmara impedir tais abusos. Temos que ter aqui alguma intervenção e ver que mais diligências podem ser feitas”, disse Roseta, antes de admitir que esta é uma tarefa de difícil conclusão. “Como acontece noutros pontos da cidade, o que se está a constatar é que, se do ponto de vista dos estabelecimentos as coisas melhoraram um pouco, do ponto de vista do espaço público nem por isso. Temos que ver como se faz noutras cidades, para minorar estas questões. Mas não é fácil”, desabafou.

 

As reclamações agora apresentadas na AML sobre o Jardim do Arco do Cego surgem pouco mais de um ano depois de, no mesmo local, o vice-presidente da câmara, Duarte Cordeiro, ter anunciado um conjunto de intervenções com o objectivo de adaptar o local a esta realidade e que a venda de bebidas se realizasse “de forma menos conflituosa com os moradores”. Cerca de um mês depois, a 28 de junho, em entrevista a O Corvo, o também detentor do pelouro da Higiene Urbana apelava à “responsabilidade colectiva” dos comerciantes daquela área. “Acho que o que faz sentido é os responsáveis dos negócios envolverem-se e ajudarem a controlar o problema – em vez de estarem apenas fechados no seu negócio e gerarem um problema que, depois, pode, no limite levar à sua ruína. Isso passa por serem os primeiros a mediarem os conflitos com os moradores, envolverem-se na lavagem do local e até da concepção do próprio local”, disse, na altura, Duarte Cordeiro.

 

Texto: Samuel Alemão

 

  • Rui Faustino
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    Se os moradores não fossem tão severos, não teriam filhos tão desmiolados.

    • Paulo Fonseca
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      Grande comentário! Perdeu uma bela oportunidade para estar calado.

    • Cota mas não tropega
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      Certamente que muitos desses moradores na sua altura eram #hippies” e no presente esquecem a sua juventude.

  • Bartolomeu Costa Macedo
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    Paisana ?!!! Esse não é o apelido do representante dos moradores Bairro alto , que anda a massacrar tudo e todos ?!…

  • Anonimo da silva
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    Raquel paisana no arco do cego e Luis paisana no bairro alto e bica …. que coincidência…. ou não….

    • Cota mas não tropega
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      policias à PAISANA 😀

      No tempo da velha senhora bem que podiam ser pides

      • Miguel Keßler
        Responder

        Cuidado com a deriva do discurso! É que, no tempo dos pides, o assunto do tráfico de droga estava precisamente a cargo da… PIDE. Pela simples razão de que o regímen de então encarava o tráfico de droga como uma questão política de Estado, de “Defesa do Estado”. Dali decorria que a PIDE “fechasse os olhos” à passagem de droga para “recreio” de meia dúzia de filhos-família da classe dominante e não tolerasse que o tráfico afectasse o tecido social propriamente dito. Virtualmente o tráfico não existia porque a PIDE não deixava. Parece até que dedicaria aos traficantes tratamento idêntico ao que dispensava aos comunistas… Recordo que no ano lectivo de 1974/1975, antes ainda do 25 de Abril, no liceu, ainda era tema de comentário um caso de droga que por lá tinha ocorrido… DOIS ANOS ANTES! Haja cuidado, pois, não vá que se veicule involuntariamente alguma benevolência para com o fenómeno pidesco, por via de uma faceta indiscutivelmente meritória num sector importante de actividade policial.

  • Bartolomeu Costa Macedo
    Responder

    Luis paisana e Raquel paisana …. coincidência? Ou não……

  • Rui Aires
    Responder

    Realmente passar ali e ver a malta nova a encharcar-se em cerveja, e a enrolar charros com o à vontade de quem está em casa, é deplorável.

    • Cota mas não tropega
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      Vamos a ver uma coisa. Alguns dos jovens farão isso, e outros não. Uma sociedade é composta por tudo. Na minha rua o que mais vejo são velhas sentadas num café a beber cerveja, de tele na mão e a cuscar a vida de todos.
      Não critiquem apenas os jovens, pq há velhos a dar prá veia.

  • Madalena Calvo
    Responder

    Eu só vi as imagens e gostei muito, um jardim a ser usado

    • Cota mas não tropega
      Responder

      Os jardins fizeram-se para serem usados. Senão como se justifica que andem a gastar milhões a devolverem jardins ás pessoas, onde antes circulavam carros? Ou é só para inglês ver?

  • José Vitorino
    Responder

    A apoteose da chungaria. Uma vergonha.

  • Madalena Calvo
    Responder

    Não vejo “chungaria” só gente jovem e até com muito bom aspeto

    • Cota mas não tropega
      Responder

      Concordo!

  • Vasconcelos Maria Rita
    Responder

    que tristeza, têm esses moradores, inveja do quê??? de não serem jovens e alegres…

    • Catarina de Macedo
      Responder

      Sabe que se pode ser jovem e alegre sem consumir drogas, estar em bebedeiras permanentes e estar aos gritos na rua até de madrugada e deitar lixo para o chão certo?.. Enfim. Para algumas pessoas ou se comportam como bestas e depois chamam a isso “ser jovem” e “divertir-se” ou então são todos monges e freiras. Parece que não pode haver um meio termo.

      • Miguel Keßler
        Responder

        Pode haver, sim senhora! Mas deixe-me sigerir-lhe uma correcção: não é meio termo, é termo inteiro. Pode ser-se monge e freira; pode ser-se alguém com comportamento de besta, etc.; e pode ser-se completamente normal, jovem ou velho, e, já agora, civilizado também. Aqui não há meio termo. Sabe é como tentar encontrar o “meio termo entre a 5ª Sinfonia de Beethoven e uma coisa qualquer de “rap” e encontrar o meio termo em algo do Marco Paulo ou do Emanuel…

        • Miguel Keßler
          Responder

          Perdão a gralha: «deixe-me sugerir-lhe uma correcção:…»

    • Catarina de Macedo
      Responder

      Sabe que se pode ser jovem e alegre sem consumir drogas, estar em bebedeiras permanentes e estar aos gritos na rua até de madrugada e deitar lixo para o chão certo?.. Enfim. Para algumas pessoas ou se comportam como bestas e depois chamam a isso “ser jovem” e “divertir-se” ou então são todos monges e freiras. Parece que não pode haver um meio termo.

    • Cota mas não tropega
      Responder

      Claro que têm inveja. Têm os ossos ruidos de caruncho. Lembra-lhes o tempo quando eram jovens e se divertiam consoante as modas da altura.

      Deus me livre de um dia ser uma velha rabugenta!!! Livra

      • Miguel Keßler
        Responder

        Parece-me que já é. Não digo “velha”, isso não sei, não lhe conheço o BI. Mas lá rabugenta, subtilmente rabugenta, denuncia-se. E suspeito que não tenha filhos, naquelas idades, pelo menos. Ou estaria, se não rabugenta, pelo menos preocupada.

  • Vitor Ramos
    Responder

    Deviam fiscalizar quem vende as cervejas sem faturas na ilegalidade. As próprias cervejeiras vendem o produto ao preço da uva mijona a alguns bares e demais estabelecimentos,barris que são faturados como ofertas etc etc! Grande parte vendido sem registos,faturas, numa contabilidade paralela!

  • Vitor Ramos
    Responder

    Deviam fiscalizar quem vende as cervejas sem faturas na ilegalidade. As próprias cervejeiras vendem o produto ao preço da uva mijona a alguns bares e demais estabelecimentos,barris que são faturados como ofertas etc etc! Grande parte vendido sem registos,faturas, numa contabilidade paralela!

  • Adriana Ramos
    Responder

    Espero que tengas sucesso nesta “luta”!

  • Cota mas não tropega
    Responder

    Deixem os jovens viver a sua altura dentro da sua época.
    A juventude passa tão depressa. Têm tempo para se tornarem velhos caducos, aziados e castradores.

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