Metro de Lisboa precisa de admitir já mais funcionários, pede a Assembleia Municipal

por • 20 Dezembro, 2017 • Actualidade, CATEGORIAS, ESTILO DE ARTIGOS, MOBILIDADE, Segunda ChamadaComentários (0)3287

O protesto mantém-se activo há tanto tempo quanto dura a sensação generalizada de que o serviço prestado pelo metro de Lisboa está longe de agradar. Mesmo apesar do início da circulação de composições com seis carruagens na Linha Verde e das sucessivas promessas de melhoria por parte da administração. Tal não chega, porém, para atenuar as muito frequentes queixas dos utentes e de diversos partidos e sindicatos. Tanto que a Assembleia Municipal de Lisboa (AML) aprovou, nesta terça-feira (19 de dezembro), uma moção exigindo ao Governo e à administração da empresa pública a entrada com urgência de trabalhadores para repor o quadro de pessoal da empresa.

 

O documento, apresentado pelo PCP, pede ainda a indicação da data precisa para a entrada ao serviço desses novos funcionários, a fim de garantir a manutenção dos comboios e o funcionamento das estações, e a publicação no sítio do Metro do calendário de recuperação dos comboios, “mantendo essa informação actualizada semanalmente, para acompanhamento público do grau de cumprimento desse calendário”. A exigência de contratação de novos funcionários, reiteradamente feita pelos sindicatos e pelo PCP, nos últimos meses, e à qual a administração do Metropolitano de Lisboa alega não poder responder por questões orçamentais, tem sido frequentemente objecto de querela partidária.

 

Mas o texto agora aprovado na Assembleia Municipal de Lisboa teve, nessa matéria, o voto favorável dos deputados do PS e do PSD. Imputando ao anterior governo resultante da coligação entre PSD e CDS-PP as culpas pelo que considera ser uma clara degradação do serviço, a moção – intitulada “Por medidas urgentes que garantam um serviço de transporte prestado pelo Metropolitano de Lisboa, seguro e de qualidade” – fala nos seus considerandos num quadro de profunda carência de meios, com evidentes consequências na qualidade do serviço. Algo que se reflectirá não apenas nos comboios, mas também nas estações, alegam os deputados municipais comunistas.

 

O texto elenca as razões por detrás do actual quadro de “degradação da prestação do serviço público de transporte”: mobilização para manutenção e reparação de 31 das suas 111 unidades triplas; avarias constantes dos comboios, escadas mecânicas, elevadores e canais de acesso; tempos de espera impróprios de um transporte que se quer rápido e eficaz; interrupções de circulação e atrasos constantes; ausência de trabalhadores da empresa, para apoiar os seus utentes. Algo que, diz o documento agora aprovado, tem tudo que ver com a falta de pessoal e de material.

 

Pedindo à Câmara Municipal de Lisboa um papel activo na defesa deste meio de transporte, o primeiro ponto da moção – aprovado com a abstenção do CDS-PP e do PPM – exige ao governo liderado por António Costa e à administração do metro que concretizem, “com urgência, a prometida mas sempre adiada entrada de trabalhadores para repor o quadro de pessoal da empresa”. E pede ainda que o Governo “indique com rigor qual a data em que entrarão para os quadros de pessoal da empresa esses novos trabalhadores, sem os quais é impossível fazer a adequada manutenção dos comboios e da infra-estrutura bem como guarnecer todas as estações do Metro durante todo o seu período de exploração”.

 

 

O segundo ponto, pedindo “medidas que promovam o transporte público, melhorando a oferta do serviço, reduzindo os preços dos títulos de transporte em montante a estudar, implementando os parques de estacionamento dissuasores gratuitos, na periferia da cidade”, foi chumbado com os votos contra do PS e independentes.

 

No entanto, foi aprovado – com a abstenção do PSD – o terceiro e último ponto da moção, pedindo “que a empresa divulgue, a partir do seu sítio na internet, a informação rigorosa do calendário com que se compromete a proceder à recuperação de todos os seus comboios, mantendo essa informação actualizada semanalmente, para acompanhamento público do grau de cumprimento desse calendário”.

 

Questionado por O Corvo, o Sindicato dos Trabalhadores do Metropolitano de Lisboa (STML), através do seu dirigente Carlos Macedo, diz ser “verdade o facto de que, nos últimos três anos da anterior legislatura, a empresa perdeu mais de 300 trabalhadores, através de rescisões, as quais faziam parte da estratégia de privatização”. Além disso, explica o sindicalista, existem muitas estações “desguarnecidas” por falta de funcionários. “Só no último ano, fecharam metade das bilheteiras nas estações. Nas 52 estações da rede, existiam 16 bilheteiras, o que nós já achávamos muito pouco, mas agora são apenas oito”, afirma Carlos Macedo, para quem o serviço prestado por funcionários nesses postos de venda de bilhetes é essencial, “por garantir uma melhor qualidade de serviço”.

 

“Já se passaram dois anos desde que a nova administração está em funções e, infelizmente, estamos pior agora em termos de qualidade de serviço”, diz o sindicalista, que qualifica as medidas tomadas pela actual administração – entre as quais se conta a contratação de três dezenas de trabalhadores para o sector operacional – como “demasiado tímidas” e “insuficientes”. “Por exemplo, sabemos que esta empresa vive, sobretudo, do valor dos bilhetes que cobra, mas, neste momento, tem apenas dez fiscais para toda a rede. Tal torna impossível lidar eficazmente com situações de fraude”, afirma.

 

Questionada por O Corvo, no mês passado, sobre a degradação do serviço, a administração do Metropolitano de Lisboa disse ter desenvolvido, ao longo deste ano, grandes esforços para suprir as falhas e prometeu, para 2018, “aumentar, em algumas linhas, o número de comboios disponíveis e, assim, aumentar a sua frequência diminuindo o intervalo entre as circulações”.

 

Texto: Samuel Alemão

 

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