Latoaria: uma oficina cultural que quer estabelecer ligação entre vários bairros

por • 20 Julho, 2016 • Reportagem, SlideshowComentários (1)1017

No espaço de uma antiga latoaria, nas Escadas do Monte, funciona, há três anos, uma associação cultural. Situada entre a Graça e a Mouraria, tem tido uma existência relativamente discreta. Mas tal deverá mudar, em breve. O pequeno pólo criativo quer aproveitar a localização singular para dinamizar ainda mais as relações de vizinhança entre os dois bairros e as freguesias em que estes se inserem: Arroios e São Vicente. Há projectos para o incentivo à apresentação de talentos do bairro, bem como propostas que casam o teatro, o vídeo e a matemática.

 

Texto: Rui Lagartinho       Fotografias: Latoaria e Rui Lagartinho

 

Para chegar ao espaço da Latoaria, é preciso descobrir uma daquelas escadas de que Lisboa guarda segredo. Os degraus das Escadas do Monte ligam a Rua Damasceno Monteiro, perto do bairro da Graça, à Rua das Olarias, na Mouraria. No número 9 funcionou, até há três anos, uma latoaria, um ofício que o tempo levou.

 

Os novos arrendatários, actores e criadores artísticos, quiseram guardar o espírito de oficina que, no fundo, traduz aquilo que fazem destes duzentos metros quadrados um tipo de sala onde os criadores contemporâneos se costumam sentir a gosto. Entre a ruína e o renascimento. Entre a memória e o futuro próximo.

 

É Patrícia Couveiro quem recebe O Corvo na Latoaria, num início de tarde quente. Por estes dias, a oficina, laboratório de criação artística, é sua. A um dia da estreia de “O Templo Dourado”, a cenografia está pronta, o escritório guarda as memórias da peça de teatro que conclui o díptico sobre o Japão, criado por esta actriz e publicitária.

 

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No jardim improvisado da sala principal, vai-se falar de Inemuri, uma originalidade japonesa em torno do sono. Mais não revelamos. Talvez só acrescentar que Patrícia Couveiro vai estar acompanhada de três músicos e que o espírito de Mishima atravessa o espectáculo. “Templo Dourado” vai estar na Latoaria entre 20 e 24 de Julho, sempre às 21h30.

 

A forma como se chegou aqui revela o método de trabalhar deste grupo de seis pessoas. Para além de Patrícia Couveiro, trabalham na Latoaria Tiago Vieira, José Miguel Vitorino, Sandra Hung, Alexandre Calado e Margarida Bento.

 

“Há uma ideia, um projecto de investigação, e a tradução desse projecto numa criação artística”, explica-nos Patrícia Couveiro, que contou com o apoio da Fundação Oriente e da Fundação Calouste Gulbenkian para levantar este “Templo Dourado”.

 

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Após três anos a trabalhar desta forma, a segunda metade de 2016 pode significar um momento charneira para esta associação cultural que acaba de se candidatar ao apoio do programa camarário BIP/ZIP.

 

Se, até agora, a inserção no bairro desperta curiosidade pelo movimento, Patrícia garante-nos que, com o apoio do BIP ZIP, a interacção vai aumentar. Na proposta apresentada, há projectos para um Clube da Latoaria, o incentivo à apresentação dos talentos do bairro, propostas que casam o teatro, o vídeo e a matemática.

 

Um bairro que não é um, mas vários, exemplifica Patrícia Couveiro: as escadas separam Arroios de São Vicente e começam na Graça, terminando na Mouraria: “Este cruzamento entre vizinhos é algo que queremos deixar patente neste projecto e nesta abertura à comunidade”.

 

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