Igreja do Loreto, no Chiado, ficou com a fachada queimada por acto de vandalismo

por • 24 Novembro, 2017 • Actualidade, BAIRROS, CULTURA, Santa Maria Maior, Segunda ChamadaComentários (22)31120

A fachada da Igreja de Nossa Senhora do Loreto, no Chiado, também conhecida como a Igreja dos Italianos, sofreu um grave acto de vandalismo, no passado fim-de-semana, que a deixou queimada numa área considerável. Os danos visíveis no lado direito sobre a escadaria, onde a pedra ficou muito enegrecida, resultaram de uma combustão junto a uma estrutura de andaime utilizada como apoio aos trabalhos de reabilitação a decorrer no interior do templo. O fogo terá sido ateado deliberadamente, com recurso a um líquido combustível altamente inflamável, às 4 horas da madrugada de domingo (19 de novembro), por alguém ou grupo de indivíduos que, suspeita-se, terá realizado actos idênticos naquela zona da cidade, um dos quais na Rua António Maria Cardoso. Vários caixotes do lixo terão sido queimados na noite de sábado para domingo. O caso está a ser investigado pelas autoridades policiais.

 

 

O Corvo contactou o provedor da igreja, Giuseppe Maria Negri, que confirmou tratar-se de “fogo posto”, mas se escusou a alongar-se nos comentários ao incidente. “Lamentamos, como é óbvio. O caso está entregue às autoridades. Mas não podemos dizer mais nada”, afirmou. O Corvo pôde, no entanto, trocar algumas impressões, na tarde desta quinta-feira (23 de novembro), com um dos operários da empresa de construção civil encarregue dos trabalhos de restauro – que se encontram em fase de conclusão -, tendo o mesmo atestado existir uma forte convicção de que os danos terão sido resultado de um acto de vandalismo. Uma outra fonte da paróquia garante, todavia, que “os estragos não são assim tão graves, pois a pedra apenas ficou enegrecida pelo fumo e terá de ser limpa”. A mesma fonte salienta ainda o “esforço financeiro muito grande” que tem sido feito para levar por diante as obras em curso. A última intervenção de fundo no edifício – cujo interior é considerado território italiano – terá sido realizada há cerca de 200 anos.

 

 

A Igreja de Nossa Senhora do Loreto foi mandada erguer em 1518, com a intenção de servir a numerosa comunidade italiana da capital portuguesa – tendo a devoção à Senhora do Loreto sido trazida para Lisboa no início do século XIII por mercadores genoveses e venezianos. A igreja abriu quatro anos depois, ficando o templo sob administração directa e protecção do Papa, agregada por isso à basílica de São João de Latrão (Sé de Roma). O terramoto de 1755 causou-lhes danos muito avultados, tendo a destruição sido causada não pelo abalo telúrico, mas sim pelas chamas de um dos muitos incêndios que se lhe sucederam. Apenas escapou a sacristia. O projecto de reconstrução da igreja foi entregue a Joaquim António dos Reis Zuzarte, mais tarde substituído por José da Costa e Silva. A obra ficou concluída em 1785. As escadarias existentes junto à porta principal, onde agora foi colocado o fogo, surgiram em 1860 no lugar do antigo adro.

 

O Corvo questionou a Direcção Geral do Património Cultural sobre este incidente, mas o organismo estatal garante que, até ao momento, não foi notificado sobre o mesmo. A igreja encontra-se na zona de protecção da baixa pombalina. O departamento de património da Câmara Municipal de Lisboa também ainda não havia sido informado sobre o caso.

 

Texto: Samuel Alemão

 

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22 Responses to Igreja do Loreto, no Chiado, ficou com a fachada queimada por acto de vandalismo

  1. ana maria diz:

    O Corvo já foi uma boa página quando denunciava o que de mal se fazia em Lisboa. Fechou e, agora está ao serviço da Câmara. Uma pena. Mas tudo se compra e tudo se vende. Quanto ao que aconteceu á Igreja do Loreto, Lisboa está assim em todos os aspectos. Lisboa cuja arqueologia foi toda partida para dar lugar a cimento e esplanadas para os turistas. E alugar casa em Lisboa? os residentes, a alma, a identidade de Lisboa foi-se. por mim, detesto viver em Lisboa neste momento. Porem rapazes de bicicleta no meio do trânsito, sem corredores seguros, qual o indice de acidentes e mortalidade? Uma Cidade miserável.

    • O Corvo diz:

      Tomaremos a liberdade de agir judicialmente contra as suas alegações falsas e infundadas. Obrigado. Cumprimentos.

      • Miguel Matos Gomes diz:

        “Gostaríamos de contar com a participação, o apoio e a crítica dos lisboetas que não se sentem indiferentes ao destino da sua cidade. Queremos proporcionar o debate e cobrir temas que vão desde o aumento das rendas aos novos locais de lazer ou bandas de música, dando especial ênfase a tudo o que tenha que ver com a qualidade de vida das pessoas que aqui vivem e trabalham. “. Excelente forma de debater a vossa! “Participação” e “crítica” mas com cuidado? É uma excelente forma de fazer jornalismo de “debate” de “crítica”, na minha opinião!

      • Álvaro Costa diz:

        Lisboa está há venda para o mundo dos negócios. É mais uma mercadoria, não vêm isso porquê? Quem não quer ser lobo não lhe veste a pele…

        • O Corvo diz:

          O que está em causa são as acusações que nos são imputadas, como é óbvio, e não as opiniões sobre Lisboa. Não misture o que não tem de ser misturado. Obrigado. Cumprimentos.

      • VITOR Barcelos diz:

        Muito bem ! Concordo, criticar não é difamar

      • São diz:

        porquê judicialmente? não podem aceitar criticas? não estamos nos estado unidos! é uma vergonha o que a CML fez, faz e vai fazer em Lisboa, eu que sou a 5ª geração de alfacinhas, não reconheço Lisboa, judicialmente deveriam vocês O Corvo interpelar a CML pelos o abuso de autoridade, higiene publica de terceiro mundo, e destruição do património histórico e sócio-económico da cidade.
        Mas os ditadores financeiros tb morrem.

      • Essa agora!? Uma pessoa não pode dar uma opinião, por exagerada que possa ser? Subscrevo inteiramente algumas das situações descritas pela leitora, nomeadamente o aluguer de casas, o trânsito caótico, o ruído etc. Obviamente que não concordo que Lisboa seja uma cidade miserável.

        • O Corvo diz:

          O que está em causa são as acusações que nos são imputadas, como é óbvio, e não as opiniões sobre Lisboa. Não misture o que não tem de ser misturado. Obrigado. Cumprimentos.

    • Pedro diz:

      Como pode dizer isso? Lisboa hoje devido ao investimento no Imobiliário dos hotéis hostel e AL está linda! Antes ninguém queria viver nos bairros históricos, a baixa á noite era deserta. O governo a 10 anos falava como poderia fazer para que as pessoas voltassem para a cidade.
      Se Lisboa não tivesse valor não estava ao preço que esta o m2 5.000€ um metro quadrado!

      E vc não gosta?

    • VITOR Barcelos diz:

      Miserável é seu comentário sobre Lisboa ! Gente de memória curta que não se lembra de como lisbo estava abandonada ! envelhecida, devoluta, mas acho muito bem que se vc já não gosta de Lisboa que vá então viver para o cacem, para a Covilhã ou para o raio que … mas não venha com esse discurso de política bomba de botequim barato…

    • Alfredo Garcia diz:

      Concordo em pleno com a opinião da Ana Maria . Caos está instalado na nossa (agora deles) querida Lisboa !!

      • Miguel Keßler diz:

        «Em pleno» é que não. Obviamente, a especulação imobiliária campeia, a população é expulsa, porque é pobre, e não chega a beneficiar da reabilitação urbana, quando a casinha finalmente sofre obras, o morador vai mesmo para o Cacém, se tiver sorte. Ou para Massamá… Mas a culpa, na sua raiz, não é da CML, é das maravilhas do capitalismo à solta, bem liberal para quem pode! Politicamente incorrecto que sou acho muito bem o congelamento das rendas imposto pelo Estado Novo nos concelhos de Lisboa e do Porto. E não venham com a história da carochinha da desvalorização das rendas: o congelamento ocorreu em contexto de virtual inexistência de inflacção. Mas enfim, o neoliberalismo não é a minha praia…

    • Miguel Keßler diz:

      Opinião jurídica serena, desapaixonada e oferecida “pro bono”:
      Com respeito à « liberdade de agir judicialmente contra as suas alegações falsas e infundadas» (“suas”, da Ana Maria, evidentemente), parece-me sinceramente ser coisa altamente passível de conduzir a sítio nenhum, ressalvada, claro está, a “bolsa” ou contabancária do ilustre causídico a quem possa vir a caber cobrar os honorários relativos à causa… Com efeito, lendo atentamente o que foi escrito, tudo se reconduz à primeira frase do texto. A Ana Maria manifesta deplorar que o “O Corvo” não fustigue a CML como ela entende que seria devido, truculentamente e de megafone em riste, ao jeito dos “homens da luta” :)). Tal suposto “amaciamento” de atitude, de que faz uma leitura política reprovativa, conviria mais à CML que andará agora mais descansada. Parece-me um evidente disparate, disparado, ainda por cima, de megafone em riste, no tom dos “homens da luta”, com Falâncio e tudo. Ainda assim, não passa de uma opinião em forma de figura de estilo. Nada mais do que isso. Tanto em termos cíveis como penais, é aquilo que a gíria jurídica classifica como “bagatela penal”, coisa compreensivelmente irritante para magistrados a braços com, e imersos em, milhares de processos. Mas enfim, os advogados também precisam de receber honorários, é o seu ganha-pão, e cada um pratica as obras caritativas que bem entende, e como entende. Acho que andamos todos um bocado irritados com as partidas da vida, não mais que isso. Não partilho a opinião da Ana Maria, parece-me uma “tontería”; e acho que “O Corvo” está um pouco mais acima…

  2. Catarina de Macedo diz:

    É bom que os responsáveis sejam encontrados e severamente punidos, sem penas suspensas, nem atenuações. Sem uma justiça exemplar, qualquer pessoa mal intencionada acha-se no direito de fazer o que bem entender. Veja-se o que já aconteceu na estação do Rossio…Da última vez que lá passei, a estátua de D. Sebastião ainda lá não estava. E aposto que o culpado nem acusação teve.

  3. Ana diz:

    Credo. Vim ler a notícia e até fiquei com medo. Acção judicial para um comentário ao calha? Jazus, não volto a abrir esta página tão depressa. E não é pela difamação da senhora, é pela vissa atitude.
    Até fiquei com medo de escrever isto, também vou a tribunal agora?!?

  4. Miguel Keßler diz:

    «Igreja que ilumina é a igreja que arde!», foi mote em voga em Espanha, durante a Segunda República, a da “Frente Popular”, em cujo território foi interdito o exercício do culto católico (romano). Talvez a rapaziada que cometeu agora esta heróica proeza se tenha inspirado naquele mote, agora que os sucessores directos da Frente Popular (anarquistas, republicanos, paratrotskistas) tanto têm agitado as águas na Catalunha…

  5. Miguel Keßler diz:

    Uma precisão relativa aos «sucessores directos da Frente Popular»: PSOE à parte, não incluído para este efeito.

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