Eléctrico turístico do Príncipe Real fechou quatro meses após ter sido inaugurado

por • 7 Outubro, 2015 • Actualidade, SlideshowComentários (11)1736

Um fracasso. Pouco mais de quatro meses após a inauguração do Chiado Tram Tour, o circuito turístico de eléctrico entre o Largo do Camões e o Príncipe Real foi suspenso, devido à falta de procura. O veículo verde forrado a cortiça deixou de fazer o serviço, esta semana, por decisão da Carris Tour, já que a ligação inaugurada a 28 de Maio se revelava, desde o início, pouco apelativa para potenciais clientes. As carruagens andavam quase sempre vazias. Um desfecho considerado “perfeitamente previsível” pela Plataforma pela Reactivação do Eléctrico 24E, que aproveitou a ocasião para exigir o regresso daquela ligação entre o Cais do Sodré e Campolide.

 

Com um custo de seis euros por viagem, a qual assegurava um passeio por uma área muito restrita da cidade – essencialmente, um circuito com cinco paragens, no Largo Camões, na Rua da Misericórdia, no Largo de São Roque, junto ao Miradouro de São Pedro de Alcântara e no Príncipe Real -, o Chiado Tram Tour viu a sua viabilidade e interesse serem questionados logo desde o início. A começar pelos activistas da referida plataforma, para quem não fazia sentido estar a criar mais um produto turístico do género, menosprezando a função primordial de transporte público da rede de eléctricos. O facto de a reactivação deste tramo da linha ter implicado a sua reabilitação pela Carris levou a que a Plataforma apelasse à reabertura da ligação do antigo eléctrico 24E – desactivada já desde 1996.

 

Na cerimónia de inauguração deste serviço turístico – a segunda oferta do género disponibilizada pela Carris Tour, depois da inauguração da Castle Tram Tour, em 2014, com passagem pela Praça da Figueira -, o presidente do conselho de administração da Carris desvalorizou as dúvidas levantadas pelos jornalistas sobre a viabilidade da mesma e as crísticas ao facto de não se ter optado por ressuscitar a ligação do 24E, servindo assim as populações. “Há uma tendência, que não é de agora, de passar os eléctricos todos para o serviço turístico. O turismo baseado nos eléctricos é algo que veio para ficar”, disse Rui Loureiro, acrescentando que “não é mais possível criar mais carreiras que não tenham viabilidade económica”. Uma situação que, afinal, não se verificou neste caso.

 

IMG_4599

 

No comunicado ontem enviado à comunicação social, a Plataforma pela Reactivação do 24 assegura que tal operação “será sempre lucrativa para a Carris, à semelhança do 28E”. No texto, em que se apela nesse sentido ao Governo, à Carris e à Câmara Municipal de Lisboa, o grupo de pressão diz que a reactivação daquela linha deverá ocorrer “em toda a extensão da infra-estrutura existente, ou seja, do Cais do Sodré a Campolide, com extensão ao Largo do Carmo” e que “deverá sê-lo em regime de transporte público, como qualquer outra linha de eléctrico”, já que, “enquanto meio de transporte público, é necessária sob os pontos de vista ambiental, de mobilidade e de boas-práticas internacionais”.

 

A Câmara Municipal de Lisboa deverá ser a entidade que melhor acolherá tal apelo, pois a autarquia tem demonstrado simpatia  pela ideia de ser proceder ao restabelecimento da antiga ligação do carro eléctrico. A 9 de Junho passado, Manuel Salgado, o vereador com os pelouros do Urbanismo e do Planeamento, disse perante a Assembleia Municipal de Lisboa que a câmara tem estado “a trabalhar para ter o eléctrico como modo de transporte das pessoas na cidade e não como um transporte turístico”. Na altura, poucos dias após a inauguração do Chiado Tram Tour e as declarações feitas pelo presidente da Carris, Salgado lembrou que a CML já estaria a fazer investimentos de vulto na aquisição de equipamentos de via que permitirão a futura circulação dos eléctricos no Cais do Sodré e na Rua de São Roque.

 

O Corvo tentou obter junto da Carris um comentário a esta decisão de interromper o serviço do Chiado Tram Tour, mas tal não foi possível durante toda a tarde de ontem.

 

Texto: Samuel Alemão

 

Pin It

Textos Relacionados

11 Responses to Eléctrico turístico do Príncipe Real fechou quatro meses após ter sido inaugurado

  1. os turistas querem apanhar o verdadeiro eléctrico 28, o que é agora impossível para os moradores dos bairros históricos tal como Graça por ser sempre cheios.
    Em lugar de inventar linhas de eléctricos que nunca existiram (verdes o vermelhos), tem que reforçar o reestabelecer as verdadeiras linhas históricas de maneira a ter lugar para todos, moradores e turistas.

  2. Tuga News Tuga News diz:

    [O Corvo] Eléctrico turístico do Príncipe Real fechou quatro meses após ter sido inaugurado http://t.co/C93UHpzV9B

  3. Julio Lima Julio Lima diz:

    6 euros por um trajecto tão curto? Os turistas não são tão parvos. Os responsaveis da Carris estavam a espera do que?

  4. O que nos deixa ainda mais estupefactos, é que para turistas é possível fazer experiências não viáveis, mas para o público em geral nem sequer se estuda a viabilidade. Estamos convictos que a 24 entre Campolide e o Cais do Sodré seria tão lucrativa (ou mais?) que o 28, já que os últimos relatórios e contas disponíveis da Carris indicam que o “modo elétrico” é lucrativo para a empresa na ordem dos 1,5 milhões de euros ao ano, sem indemnizações compensatórias.

    https://www.facebook.com/electrico24

  5. Porque é que os turistas pagariam 6 euros para andar neste eléctrico quando podem andar no 28 por muito menos ou até gratuitamente com o cartão turístico? Ainda por cima num percurso ridiculamente pequeno, que se faz muito bem a pé. A surpresa é ter ainda durado quatro meses. Quem teve esta ideia devia demitir-se. É demasiado mau.

  6. É só tacho para a carris

  7. A Carris e o seu presidente devem ser responsabilizados por esta experiência falhada. Incompetentes.

  8. Eléctrico turístico do Príncipe Real fechou quatro meses após ter sido inaugurado http://t.co/92uwQUZVGH

  9. RT @ocorvo_noticias: Eléctrico turístico do Príncipe Real fechou quatro meses após ter sido inaugurado – http://t.co/aOcDyZPqrv

  10. Bem que podiam pensar em alternativas ou reforço em relação ao 28…

  11. S Ferreira diz:

    Basta prolongar a carreira 18 de elétricos que neste momento faz terminal no Cais Sodré. Passaria a funcionar entre a Ajuda e Campolide e certamente que trazia uma mais valia a cidade. É mais fácil propor isto que a re activação da Carreira 24.