Desenhar as margens do Tejo

por • 9 Outubro, 2015 • Reportagem, SlideshowComentários (3)1218

Almada e Amadora são partida e destino de uma viagem onde Lisboa e o rio Tejo estabelecem a ponte entre as duas cidades vizinhas da capital. Uma oficina de banda desenhada está a fazer o diário dessa travessia urbana, que conta com a participação de muitos jovens desejosos de aprender. O Corvo acompanhou uma das etapas desta jornada desenhada, coordenada pelo ilustrador Nuno Saraiva.

 

Texto: Rui Lagartinho       Fotografias: Mário Rainha Campos e Rui Lagartinho*

 

Antes de começar a segunda jornada da oficina de banda desenhada “O caderno de viagens entre duas margens”, Nuno Saraiva dá algumas dicas à dezena e meia de participantes. Por exemplo, como desenhar um transeunte que apeteça incluir na paisagem. Incita-os ainda a “legendarem os desenhos, o que valoriza sempre graficamente o trabalho”.

 

Na tarde de sábado em que O Corvo acompanhou esta oficina – organizada pela Associação Cultural e Artística de uma Sociedade Original (ACASO), pela BD Amadora e pela Casa da Cerca-Centro de Arte Contemporânea Almada -, a viagem começou em Almada e só acabaria em frente da estação do Rossio.

 

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Nuno Saraiva dá indicações aos seus alunos, no Cais do Ginjal, em Almada (Foto: RL*)

 

A ideia do projecto é chegar à Amadora, no último fim-de-semana de Outubro, coincidindo com a inauguração do mais importante festival de banda desenhada do país, o Amadora BD – que terá a sua 26ª edição entre 23 de Outubro e 8 de Novembro, no Fórum Luís de Camões -, onde o trabalho destas jornadas vai ficar exposto.

 

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A desenhar em plena estação de metropolitano do Cais do Sodré.

 

Para Nuno Saraiva, experiente ilustrador e professor destas áreas na ARCO, esta é uma experiência inovadora. “Conseguiu-se aqui um espírito de viagem, de um olhar sobre realidades que passam mesmo à nossa frente. Estou surpreendido com o nível dos trabalhos”, diz-nos, enquanto descemos as escadas para o Ginjal, um passeio estreito com Lisboa em fundo e que nos leva até Cacilhas. Pelo meio do percurso, Nuno lança os desafios para o próximo desenho: “Cinco minutos para desenhar esta grua. Usem cor, desta vez”.

 

Luís Pedro tem 16 anos. Estuda na Escola Secundária António Arroio e viu nesta experiência uma tentativa de desenhar um Story Board, algo útil para quem pensa seguir cinema. Rui e Ricardo Soares são pai e filho. Percebe-se que Rui está orgulhoso por ter passado a paixão que tem pela banda desenhada ao filho de 12 anos. Para eles “poderem expor na Amadora os seus trabalhos, a algumas paredes de distância de mestres que admiram, é um sonho”, observa. Para além da exposição os trabalhos serão também publicados em fanzine.

 

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Um participante a trabalhar no seu caderno de esboços, com Lisboa no horizonte (Foto: RL*)

 

Cacilhas deixa, entretanto, de ser miragem. Os cacilheiros já ali estão, à frente dos olhos, a pedirem para ser desenhados, antes do grupo embarcar ele próprio na carreira que os levará à outra margem. Hoje, a paragem final é a fachada da estação do Rossio. Nas duas últimas jornadas, farão a viagem até à Amadora, de comboio e de metro, até ao local onde se realiza o Festival BD.

 

Informações em casadacerca@cma.m-almada.pt

 

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3 Responses to Desenhar as margens do Tejo

  1. RT @ocorvo_noticias: Desenhar as margens do Tejo – http://t.co/81B20Jal84

  2. Tuga News Tuga News diz:

    [O Corvo] Desenhar as margens do Tejo http://t.co/0SThm20qu0

  3. Rui Soares Rui Soares diz:

    Desenhar as margens do Tejo http://t.co/Yfk6P4nj3n #Drawing #Travel #Almada #Lisbon < with Ricardo 🙂