Deputados municipais pedem casas de banho públicas no Cais do Sodré e no Bairro Alto

por • 28 Outubro, 2014 • Actualidade, Segunda ChamadaComentários (9)1873

A colocação de casas de banho públicas para os frequentadores nocturnos do Cais do Sodré e do Bairro Alto pode ser a solução a adoptar para evitar que as ruas destas zonas fiquem sujeitas às necessidades fisiológicas de muitos desses indivíduos. A proposta faz parte de um conjunto de nove recomendações incluídas num parecer redigido pelos deputados pertencentes à comissão de economia e turismo da Assembleia Municipal de Lisboa (AML), documento que será discutido nesta terça-feira, na sessão extraordinária daquele órgão autárquico.

 

“A Câmara Municipal de Lisboa deve providenciar no sentido de virem a ser instalados sanitários especiais para os utilizadores nocturnos, quer criando-os em edifícios estrategicamente situados e adaptados para esse efeito, quer procedendo à semelhança do utilizado em festivais, colocando sanitários amovíveis em locais e número correspondentes às necessidades, sempre acautelando os interesses dos habitantes”, diz o ponto sete do conjunto de recomendações à Câmara Municipal de Lisboa (CML), que serão agora apresentadas ao plenário.

 

Tal proposta havia já sido lançada em Setembro, por um deputado municipal do CDS-PP. E vai de encontro ao pedido feito, na semana passada, pelas associações de comerciantes do Cais do Sodré e do Bairro Alto, em declarações à agência Lusa. Ouvida igualmente nesse momento, Carla Madeira, a presidente da Junta de Freguesia da Misericórdia – que abrange os dois bairros em questão -, garantia já ter chegado a entendimento com a câmara para a instalação dos referidos sanitários. De acordo com a autarca, os mesmos teriam que ser amovíveis e de utilização paga. Isto porque, se fossem gratuitos, “a meio da noite ficariam impraticáveis, sendo que a utilização é muita”.

 

O documento agora discutido foi já elaborado a 16 de Julho. E resulta de visitas de trabalho realizadas pelos deputados municipais da referida comissão às duas zonas – incluindo a auscultação de representantes dos comerciantes e dos moradores. Nele se diz que a CML “deve diligenciar junto de todos os grupos políticos representados na Assembleia da República e também junto do Ministério da Economia, para que sejam tomadas medidas excecionais, para a atividade comercial nos Centros Históricos Habitacionais, que permitam aos municípios atuar em termos de licenciamento e horário de abertura e fecho de acordo com os interesses específicos de cada município e de cada zona histórica”.

 

Outra das recomendações à CML passa pela adopção de “formas excepcionais de actuação na área da higiene e da segurança, constituindo brigadas de cantoneiros de limpeza em número e permanência suficiente para que o espaço público apresente as condições de dignidade que uma cidade capital exige”. No mesmo ponto, os eleitos da AML exortam a que se dote toda a área com vigência policial, a fim de proteger frequentadores e comerciantes.

 

Parte de outra recomendação acabou por ser já anunciada pela câmara, na semana passada, como uma das que vai ser adoptada em breve – com efeitos visíveis no Cais do Sodré, em Novembro. “A Câmara Municipal de Lisboa deverá garantir o controle dos horários por parte do comércio e exigir o rigoroso cumprimento das actividades desenvolvidas de acordo com as licenças de cada um”, lê-se na proposta. Recorde-se que, como resposta a uma reportagem feita pela SIC sobre os problemas causados pela vida nocturna no Cais do Sodré, a CML anunciou que os estabelecimentos desta área passariam a fechar às 2h da manhã, de domingo a quinta-feira, e às 3h, às sextas, sábados e vésperas de feriados. Actualmente, encerram às 4h.

 

Os deputados municipais da 2ª comissão permanente da AML sugerem ainda que a câmara “deve, após parecer da Junta de Freguesia da Misericórdia, considerar, em situações especiais, a hipótese de condicionar o trânsito e o estacionamento entre as 22h e a 6h, em algumas ruas ou trechos de rua, de forma a dar-lhes o uso que realmente têm, espaço público de utilização nocturna”.

 

Reconhecendo a importância dos espaços de diversão que funcionam à noite como parte da atractividade turística de Lisboa, os deputados municipais alertam, porém, para o perigo destas zonas ficarem reduzidas a isso. Consideram mesmo que os bairros em questão “devem ter uma atividade comercial e cultural durante todo o dia e não quase exclusivamente à noite e predominantemente ligadas ao consumo de bebidas alcoólicas”. “Com algum exagero, no Bairro Alto e Cais do Sodré acontece um Festival de Verão todas as noites”, concluem.

 

* Versão corrigida às 13h15. Substitui declaração da presidente da Junta de Freguesia da Misericórdia, sobre gratuitidade de utilização dos sanitários públicos. 

 

Texto: Samuel Alemão

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9 Responses to Deputados municipais pedem casas de banho públicas no Cais do Sodré e no Bairro Alto

  1. Tuga News Tuga News diz:

    [O Corvo] Deputados municipais pedem casas de banho públicas no Cais do Sodré e no Bairro Alto http://t.co/6a7XpqumNP

  2. E já agora caixotes de lixo para tanto copo que deitam para o chão. Escusavam de ter de andar a varrer a manhã toda…

  3. Continuem a pensar no lixo da sociedade …politicos da treta 😛

  4. A incivilidade reinante levou já à retirada dos ecopontos desta zona devido à sua vandalização constante, tendo sido incendiados, além de não contribuirem para uma melhor salubridade porque se tornavam pontos permanentes de depósito de lixo.

  5. O caos da “Rua Rosa” e o aumento da criminalidade são bem o exemplo do fracasso das ruas votadas à animação nocturna.

  6. Vão se tornar em salas de droga.

  7. Eu gostava de acreditar que o pessoal faz chichi na rua porque não tem casas-de-banho disponíveis, mas na realidade fazem na mesma, com bares abertos e com casas-de-banho acessíveis gratuitamente. É a lei do menor esforço…

    Eu às vezes pergunto à malta com que estou se é preciso fazer como às crianças antes de uma viagem: “chichis fazem-se agora”, porque vejo-os a sair do bar e a fazê-lo contra a primeira parede que vêem. A desculpa deles é que a vontade dá sempre quando se saiu do estabelecimento e que as casas-de-banho são tão porcas que é mais higiénico fazer na rua. Vou aos arames!! Mas o que é estranho é que essa acção de se mijar na rua banalizou-se de tal modo que começo a sentir que sou das poucas pessoas que ainda se apoquenta com o que vê, e com o que cheira…

  8. E aqui fica a Grande Reportagem da Sic, bastante elucidativa dos nossos problemas: http://youtu.be/0GlGaO9IeS4 Por favor, assinem e divulgem a petição, pela nossa saúde e dos vossos filhos. http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT75092